Ainda temos medo de colocar o dinheiro como um critério explícito de priorização, e isso é bem ruim.
Quando eu comecei na área de Produtos, mal sabia o que eram os termos ‘backlog’, ‘roadmap’ e ‘stakeholder’. Sprint, para mim, facilmente…
Ainda temos medo de colocar o dinheiro como um critério explícito de priorização, e isso é bem ruim.

Quando eu comecei na área de Produtos, mal sabia o que eram os termos ‘backlog’, ‘roadmap’ e ‘stakeholder’. Sprint, para mim, facilmente seria algo de comer.
Tive o meu momento by the book, de querer aplicar todo santo framework e de repetir incansavelmente que produto bom é produto que entrega valor para o usuário. E isso não é mentira. Mas é bom para quem, exatamente?
Depois de alguns anos e um bocado de perrengues, comecei a entender o que significa ‘valor para o negócio’. A gente tá falando de estratégia, momento de mercado, concorrência, mas também estamos falando de dinheiro. O dito cujo. Desejado e necessário.
Também já tive o meu momento de planejar e entregar funcionalidade atrás de funcionalidade. A data de deploy era mais importante que o resultado almejado. E de novo, não me levem a mal, todo mundo vai passar por isso. Entregar é importante. Compromisso com datas é importante. Mas só isso, sem um grande objetivo, não vale muita coisa. É como atirar no escuro várias vezes esperando acertar um alvo que, pasme, você nem sabe se está lá.
Só que, um belo de um dia (foram vários, na verdade. Muitos e muitos dias.), eu me perguntei pra quê eu tava focando naquilo. Como aquilo ia, realmente, na prática, mudar a situação da empresa para melhor? Em alguns casos, o que eu pensava que era importante, não era tão importante assim. Daí, comecei a focar em tomar decisões informadas e comecei a olhar pro dinheiro.
Se uma demanda é urgente, por que é urgente? Se afeta um cliente, qual é a perda financeira potencial? Qual é o impacto financeiro do churn? Quanto custa para ser resolvido? Qual é o aumento de margem associado? Eu sugiro que todo mundo experimente isso algum dia. Quando a gente fala de valor percebido, chegamos ao dilema da subjetividade. Bom e ruim são perspectivas muito únicas e atreladas a um contexto específico. Podem ser medidos, mas não são exatos. Por outro lado, todos nós falamos a língua do dinheiro. Ninguém quer jogar dinheiro fora com alguma coisa que não presta ou que não faz sentido.
Essa descoberta, que apesar de óbvia foi bem mind blowing para mim, foi relativamente recente. Há pouco tempo comecei a ligar os pontos. Entretanto, foi uma descoberta surpreendentemente positiva em relação às dúvidas de priorização. Esses critérios eliminam uma série de dúvidas. Tenho buscado, de forma consciente, sempre levantar:
- Qual vai ser o investimento de recurso para fazer essa funcionalidade acontecer (pode ser correção de bug, melhoria ou funcionalidade nova)?
- Qual é o potencial existente de aumento de receita ou margem com esse desenvolvimento?
Reforço que dinheiro não é tudo. Há de se avaliar a viabilidade técnica, o momento estratégico da empresa, a desejabilidade da funcionalidade e tudo mais que já conhecemos. Não pretendo diminuir a importância dos outros critérios de priorização de backlog ou de construção de roadmap. A visão de produto importa demais, e se reduzirmos toda a discussão a dinheiro, ficamos viciados em ser mãos-de-vaca ao invés de nos empolgarmos com o propósito daquilo que estamos lançando para nossos clientes.
Mas, fica sempre a reflexão: o dinheiro ocupa explicitamente um assento de honra na sua visão de produto? Na minha, ocupava de forma bem tímida, quase de penetra. Não mais. Agora o bichinho senta que nem rei na cadeira, de peito estufado e cara de folgado. Pra mim, é assim que deve ser.
메타데이터
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