Sobre desistir
Há uns (muitos) anos atrás eu comecei a faculdade de Letras — Língua Inglesa. Quando estava no meio do segundo período, passei em Direito e…
Sobre desistir

Há uns (muitos) anos atrás eu comecei a faculdade de Letras — Língua Inglesa. Quando estava no meio do segundo período, passei em Direito e acabei não conseguindo conciliar as duas faculdades. Ainda assim, fiquei me matriculando nas matérias de Letras e cheguei até a fazer o TCC, mas a UFAM me deu um pé na bunda em 2016 por ter passado do período máximo em que podia cursar essa graduação lá. No dia em que julgaram meu recurso do jubilamento, uma das professoras disse que eu poderia fazer o ENEM e entrar novamente para aproveitar as matérias e terminar a graduação. Não fiz o ENEM naquele ano e nem no seguinte, mas no ano passado. Esse ano estou novamente matriculada em Letras.
Muita gente me pergunta o motivo de ter voltado pra lá. O curso é vespertino e eu vou ter que me virar MUITO nos trinta pra conseguir terminar essa graduação nos próximos anos. Eu já trabalho e tenho mestrado em outra área. Será que vou trabalhar com isso? A verdade é que eu gosto muito de Letras e quero muito aprender o que falta nessa graduação, mas, acima de tudo, EU NÃO DESISTO.

A idéia de pontas soltas, coisas por resolver, pontos seguidos me deixa louca. Me deixa ansiosa. O que ainda se pode alterar? O que se pode melhorar? Por qual motivo tal situação está empacada e o que fazer pra dar um fim “digno” pra isso? Não entra na minha mente que haja algo que o ser humano não consiga resolver, que não haja solução. “O que não tem remédio, remediado está” sempre me pareceu um argumento de quem não tem força ou criatividade pra arranjar uma saída. Sempre há uma saída. Ou não há?

Ultimamente tenho dado murros em ponta de faca numa situação da minha vida. Não importa o que eu faça ou queira, o impasse não se resolve. Talvez porque os demais envolvidos não querem. Talvez pelo destino da vida. Isso significa, na verdade, que já está resolvido. Que eu que tenho problemas pra entender que, apesar de querer tanto estar no controle de algo, nem tudo se resolve como eu quero. Nem tudo se resolve para o bem. Nem tudo se resolve. Às vezes as pontas ficam soltas, fins ficam abertos, não há uma conclusão dos diálogos. O hiato é a conclusão.

É difícil encontrar em si mesmo, pelo menos pra mim, a força de vontade de abrir mão de algo. Talvez eu acredite que é preferível morrer a bater a mão na lona pra indicar que perdi a luta. Só que às vezes você não está no controle pra escolher isso, outra pessoa está. E a você só resta aceitar.
Aceitar a perda. Aceitar a mudança. Encarar com a cabeça erguida a própria desistência. Seguir em frente.
E saber escolher batalhas que valham a pena serem travadas da próxima vez.

메타데이터
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