O Último Azul, de Gabriel Mascaro
A produção vencedora do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, entre outras premiações, “O Último Azul”, estreia nos cinemas…
O Último Azul, de Gabriel Mascaro

A produção vencedora do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, entre outras premiações, “O Último Azul”, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28/08) cercada de grandes expectativas da crítica e do público. Ambientado em um Brasil distópico que remete à região amazônica, o filme impressiona pela fotografia deslumbrante, que transforma a própria Amazônia em uma personagem viva e pulsante. O roteiro, assinado por Tibério Azul, Murilo Hauser e Gabriel Mascaro — que também assume a direção — apresenta Denise Weinberg como protagonista, no papel da septuagenária Tereza.
Em um futuro que talvez já tenha começado, os idosos são afastados do convívio familiar para dar lugar às novas gerações, em um processo que apaga as memórias do passado. Denise, que há algum tempo já vinha perdendo autonomia, continua trabalhando de sol a sol em uma indústria frigorífica de abate de jacarés — atividade legalizada, mas devastadora para o ecossistema. Após receber uma “peculiar homenagem das autoridades”, é aposentada compulsoriamente e descobre que a própria filha havia antecipado os trâmites burocráticos, passando a receber seus benefícios e assumindo o controle sobre seu destino. Em breve, Denise seria exilada pelo governo em uma colônia para idosos, onde deveria “desfrutar” de seus últimos dias distante da família. No entanto, ainda cheia de energia e de vontade de viver, ela resiste à imposição e alimenta um sonho simbólico: voar de avião.
A busca por esse sonho leva Denise a fugir em uma jornada de autoconhecimento, descobrindo um mundo muito além das quatro paredes de sua modesta casa. No caminho, ela conhece o traficante Cadu (Rodrigo Santoro), em um dos papéis mais distintos de sua carreira. Cadu é um homem taciturno, marcado por um passado sombrio, que encontra na floresta e no rio uma forma de fuga e sobrevivência, ainda que ilegal. Suas crenças e o folclore local moldam seu modo de ver a vida. A distopia ganha contornos realistas ao abordar os direitos dos idosos e expor as profundas desigualdades de um Brasil vasto e fragmentado, onde ficção e denúncia se entrelaçam.
Crédito de Imagens: Desvia Filmes, Viking Filmes, Quijote Cine, Cinevinay/ Vitrine Filmes/Divulgação






O longa contou com pré estréias por todo o país nas últimas semanas e também foi apresentado no Festival de Gramado
Ao mesmo tempo, a narrativa aborda a liberdade e a autonomia do idoso, que mantém o direito de sonhar e não se resigna a viver seus últimos anos apenas com as tristes lembranças do que sua vida poderia ter sido. Tereza, cheia de vitalidade, enxerga no futuro novas possibilidades e conquistas. A trilha sonora, por sua vez, dá corpo e alma às belezas naturais da Amazônia, reforçando sua força quase mística dentro da obra.
O longa traz no elenco Adanilo, representante os povos originários da Amazônia, que interpreta Ludemir, personagem controverso, envolvido em trambiques e jogos de azar. A atriz Rosa Malagueta também integra o elenco e vem como muita representatividade indigena.
Trailer
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Ficha Técnica
Título Original e Ano: O Último Azul, 2025. Direção: Gabriel Mascaro. Roteiro: Gabriel Mascaro, Murilo Hauser, Tibério Azul. Elenco: Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás e Adanilo. Gênero: Drama, Distopia, Ficção Cientifica. Nacionalidade: Brasil, México, Países Baixos e Chiles. Trilha Sonora Original: Memo Guerra. Fotografia: Guillermo Garza AMC. Edição: Sebastían Sepúlveda, Omar Guzmán. Produção: Desvia (Brasil), Cinevinay (México). CoProdução: Globo Filmes (Brasil), Quijote Films (Chile), Viking Film (Países Baixos). Produtores: Rachel Daisy Ellis, Sandino Saravia Vinay. Coprodutores: Giancarlo Nasi, Marleen Slot. Financiamento: Ancine FSA, BRDE, SUAT, Funcultura, Fundarpe, Secretaria de Cultura de Pernambuco, Banco do Brasil, EFICINE, Actinver, Focine/Foprocine, Fondo de Fomento Audiovisual, Ibermedia, Hubert Bals/ Netherlands Film Fund/ Fundo de coprodução Brasil-México. Markets/Pitching: Cinemart, IFC. Distribuição: Vitrine Filmes. Duração: 01h25min.
“O Último Azul” é mais um reflexo do excelente momento vivido pelo cinema nacional, que vem ganhando reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, conquistando cada vez mais o público brasileiro.
Uma ótima oportunidade para assistir ao filme é durante a Semana do Cinema, quando todos os títulos estarão disponíveis pelo valor simbólico de apenas R$10,00.
28 de Agosto nos Cinemas
por Helen Ribeiro
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