Eva comeu a maçã.
Mulher, a grande culpada
Mulher, a Grande Culpada
Eva comeu a maçã. E por culpa dela, todos nós existimos. E como castigo por ter comido a maçã, ela e todas as mulheres sofreram, sofrem e sofrerão dores terríveis. Sangram. Sofrem as dores de trazer a este mundo, uma nova vida para ser evangelizada. Eva que foi feita para que Adão não se sentisse sozinho. Foi feita de uma costela e com uma vagina, para que Adão entrasse em sua própria costela. E com útero também, para que viesse a povoar a terra. Terra que precisa ser evangelizada. Tudo isso fazia parte do plano de Deus: um grande pecado, para que Eva levasse a culpa junto à serpente, sua falsa amiga, que lhe prometeu o conhecimento do bem e do mal. Mas ela era Lúcifer. E tal conhecimento pertence ao homem, uma mulher não pode querê-lo. Ainda assim, sendo a menstruação e o parto um castigo, a maior maldição de uma mulher é ser estéril. Pobre Rute. Era ela a estéril? São tantas com essa história... Sem pagar pelo pecado de Eva, uma mulher é incompleta, vazia e não serve ao seu marido. Não serve ao plano de Deus. E Deus é um homem. Um pai. Um salvador. O mais forte, digno de toda glória e poder. E um homem deve querer um filho homem, para continuar o seu trabalho com força e vigor. O seu legado. Para levar o seu nome adiante. Essa é a sua maior honra: alguém com pênis e músculos. E cabeça. Porque uma mulher é um corpo. Um corpo é pecado. Um corpo sozinho não é capaz de liderar, não se não houver uma opção melhor: um homem. Se Deus te der uma filha, é para que ela sirva a outro homem. Um homem que dará a vida por ela, se por exemplo, for para defendê-la de um tiro de revólver. Enquanto isso não acontece, quem o serve, quem é submissa, quem é bela, recatada e do lar, é ela. Quem dá a sua vida para que o plano de Deus se concretize, é ela. E o lugar dela é atrás de um grande homem. Bonita como uma gazela, uma pomba. Nunca como uma leoa, uma fera, nunca como a grande prostituta do apocalipse montada numa besta. Na natureza selvagem, nas tribos indígenas matriarcais, a história é diferente. Porque entre os pássaros, os machos é que devem fazer a dança com as suas penas exuberantes e coloridas. Os peixes betas e pinguins é quem cuidam dos ovos. Os cavalos marinhos são quem gestam. Lembro agora Maria Madalena, quase apedrejada até a morte por ser uma prostituta. Por ser a personificação do tal pecado. O pecado que era um plano de Deus. Um homem que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério em seu coração. Então a saída é cobrí-la com uma burca, para que sirva somente ao seu marido. Porque todo o seu corpo é um convite ao erro, jamais pode ser admirado ou contemplado com respeito. Um homem não pode ter uma amiga. Não pode desabafar os seus problemas com uma mulher. Não pode estar sozinho com ela numa sala. Não pode admirar uma mulher como admira o seu time de futebol, cheio de músculos e pênis. E Maria, coberta com o seu véu, e sua imagem que lembra uma vagina gigante, essa sim é um exemplo. Ela aceitou ser engravidada pelo Espírito Santo, e sofrer o julgamento de toda uma sociedade. Como um vaso, um receptáculo, apenas. Intercessora? Jamais, pois ela não tem o mesmo valor do tesouro que carregava dentro de si mesma. Jesus Cristo, o salvador do pecado. O pecado que é a mulher. O pecado que serve ao plano de Deus. O que é de fato, uma mulher então? Para onde vai o seu desejo? O que ela é ensinada a ser tem a ver com o que ela é, ou o que ela quer? O valor que ela busca é a aprovação dos homens, enquanto compete com outras mulheres por ser a mais digna dessa aprovação? O que grita dentro dela, além de toda essa culpa, esse fardo? Uma mulher é um ser independente de rótulos, é uma força natural, é o que pode haver de mais místico e intuitivo no mundo. Uma mulher deve ser livre, digna de honra, glória e adoração. Óh santíssima Maria mãe de Deus, rogai por nós. Para que possamos dizer o que sentimos e pensamos. Para que não tenhamos medo da verdade. Óh virgem santíssima que concebeu o seu filho sem pecado, e por isso és santíssima, por ser virgem. Me livre do teu próprio fardo, de tamanha dor e sacrifício. Não do fardo de gestar e parir, mas do fardo de ser vista como tu. Pois quem nos vê assim, nos aprisiona.













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