Uma breve explicação dos primeiros cinquenta salmos: Salmo 1
1. Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos…
Uma breve explicação dos primeiros cinquenta salmos: Salmo 1

O justo e o ímpio
1. Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. 2. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. 3. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. 4. Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. 5. Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. 6. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.
Este Salmo ensina que nenhum homem ímpio é bem-aventurado, mas somente o homem piedoso, v. 1, 2. O que é provado por três razões: A primeira, porque Deus abençoa o piedoso mesmo nesta vida com graça para produzir boas obras proveitosas para si mesmo e para outros, em todo estado de vida, v. 3. Mas tudo quanto os ímpios fazem para se tornarem felizes será arruinado, e considerado mera vaidade, v. 4. Outra razão é, porque após esta vida os ímpios serão excluídos da presença de Deus, e da sociedade dos piedosos no dia do juízo, v. 5. A terceira razão, confirmando ambas as anteriores, é, porque Deus aprova o caminho dos piedosos, e fará o fim do caminho dos ímpios ser destruição, v. 6.
1. Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
Da declaração de que o homem piedoso é o homem bem-aventurado, e não o ímpio, podemos aprender que: 1. Embora o pecado e a miséria abundem entre os homens, todavia a bem-aventurança pode ser alcançada; pois aqui Deus declara alguns como bem-aventurados. 2. Em relação à busca da bem-aventurança, todos os homens, dentro e fora da Igreja visível, são divididos em homens piedosos, que procuram ser bem-aventurados no caminho de Deus; e homens ímpios, que buscam a bem-aventurança, mas não no caminho de Deus; pois assim todos aqui são classificados. 3. Determinar a questão de quem é o homem bem-aventurado compete somente a Deus, em cuja mão está exclusivamente fazer um homem bem-aventurado; pois aqui Ele toma para si declarar o homem piedoso como o homem bem-aventurado. 4. Os ímpios pensam ser muito sábios ao seguirem o conselho do seu próprio coração, e de outros semelhantes a si, para que sejam bem-aventurados; mas este não é o caminho do homem bem-aventurado, ele não anda no conselho dos ímpios. 5. Os ímpios continuam obstinadamente no curso do pecado, mas o homem bem-aventurado, se for surpreendido em algum pecado, não defende o seu pecado, nem persiste nele: ele não se detém no caminho dos pecadores. 6. Os ímpios podem chegar a tal grau, a ponto de zombar da piedade como se fosse loucura, e desprezar admoestações e repreensões; mas o homem bem-aventurado jamais endurece o seu coração a tal ponto, de zombar da piedade nos outros, ou da instrução que lhe é oferecida: ele não se assenta na roda dos escarnecedores. 7. O homem bem-aventurado faz da palavra de Deus na Sagrada Escritura o seu Conselheiro quanto ao remédio do pecado e da miséria, e a sua regra de conduta, até que a sua bem-aventurança seja aperfeiçoada; pois a Escritura, para ele, quanto à obediência da fé, é uma Lei, e esta cercada de suprema autoridade: é a Lei do Senhor. 8. Na medida em que um homem é piedoso e bem-aventurado, ele faz da palavra de Deus, que apresenta o caminho da reconciliação com Deus, por meio do Messias, Cristo, o caminho de crescimento na comunhão com Deus por meio dele, a matéria de seu principal deleite e contentamento; o seu deleite está na Lei do Senhor. 9. Na medida em que um homem se deleita na Lei do Senhor, ele se ocupa nela em todas as ocasiões: na sua Lei medita de dia e de noite.
3. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
4. Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
Esta é a primeira razão que prova que o homem piedoso é o único homem bem-aventurado, e não o ímpio: Pois podemos aprender: 1. Na medida em que um homem busca a santa Comunhão com Deus, deleitando-se e meditando em sua palavra, ele será firmado e provido com a influência da Graça proveniente de Cristo, para a manutenção da Vida Espiritual nele; ele será como uma árvore plantada junto a ribeiros de águas. 2. O homem que faz da palavra de Deus o seu deleite será tornado frutífero em toda boa obra, conforme a oportunidade lhe for oferecida; ele será como a árvore que dá o seu fruto na sua estação. 3. Este homem será capacitado a sustentar uma santa profissão de sua fé em Deus, e de obediência a Ele, na adversidade, assim como na prosperidade: a sua folha também não murchará. 4. Qualquer Dever ou Serviço a Deus que este homem empreenda não carecerá da assistência de Deus, nem de sucesso, nem de aceitação da parte dEle; tudo quanto ele fizer prosperará. 5. O homem ímpio (seja qual for a aparência que possa ter diante do mundo), contudo está destituído de toda Vida Espiritual, e é alheio à comunhão da graça de Deus, inapto para toda boa obra, pronto, quando fortemente tentado, a abandonar sua profissão fingida de Religião, e está debaixo de maldição em tudo quanto faz; pois aquilo que aqui se diz ser o homem piedoso bem-aventurado, o ímpio é o contrário; os ímpios não são assim. 6. Qualquer aparência de piedade, ou prosperidade temporal, ou esperança de felicidade que o homem ímpio pareça ter, será achada apenas como algo fingido, e não lhe servirá de nada em sua maior necessidade; os ímpios são como a palha que o vento espalha.
- Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
A segunda razão que prova que o homem piedoso é o homem bem-aventurado, e não o ímpio, é uma consequência da primeira: Medite nisso. 1. Não somente tudo quanto o homem ímpio semeia para a sua Felicidade carnal provar-se-á palha; mas também, por seus trabalhos, ele dará contas a Deus no dia do juízo, e ali será condenado; pois está dito: Portanto os ímpios não permanecerão no juízo. 2. Ainda que os piedosos não possam desfrutar da comunhão uns dos outros nesta vida, por muitas razões; todavia, ao fim, eles se encontrarão em uma Assembleia geral de todos os Santos, na plena comunhão de Deus; pois há de haver um dia de Juízo, no qual eles permanecerão, e não serão lançados fora nem condenados, mas serão plenamente absolvidos, e permanecerão na Congregação permanente dos Justos. 3. Ainda que agora os ímpios e os piedosos vivam juntos, misturados em um mesmo Reino, Cidade, Corporação, Igreja visível, Família, e Leito, possivelmente haverá, ao final, uma separação perfeita de um do outro; pois os pecadores (ou servos do pecado) não permanecerão na Congregação dos Justos.
6. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.
A terceira razão confirma as duas anteriores: Por fim, podemos aprender que. 1. Ainda que não haja homem que viva e não peque, todavia o homem piedoso, sendo justificado pela fé, e cuidadoso em produzir os frutos da fé, não é um pecador no conceito de Deus; pois aqui ele é chamado Justo. 2. Embora haja muitas imperfeições e falhas nas ações do homem piedoso, todavia o curso que ele mantém, e o caminho no qual se empenha por andar, é santo e aceitável a Deus; pois o Senhor conhece, ou aprova, o caminho dos Justos. 3. Ainda que os homens deste mundo se agradem de si mesmos, e aplaudam uns aos outros em sua conduta ímpia; todavia o fim do seu curso será destruição eterna; pois o caminho dos ímpios perecerá.
David Dickson
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