Tá de boa
Será mesmo exagero pensar no coletivo? Será mesmo que o eu, o indivíduo, é mais relevante que a vida dos que estão a minha volta, digo, o…
Tá de boa
Será mesmo exagero pensar no coletivo? Será mesmo que o eu, o indivíduo, é mais relevante que a vida dos que estão a minha volta, digo, o coletivo? Será que os problemas que adoecem toda uma população não são da minha conta? E será da conta de quem? E parafraseando Renato: este mesmo Deus, que foi morto por vocês?
Começo meu pensamento em texto com estes questionamentos a respeito da vida e do que assisto ao meu redor. Note que se eu digo que assisto, também digo que não participo. Pessoas queridas (queridas mesmo, sabe?), têm tido esse comportamento e não tenho conseguido deixar isso pra lá. Penso, repenso, e penso novamente que algo não está certo. Que telejornal é esse que eu não tô assistindo e elas estão? Que algoritmo é esse que ainda não me atingiu? Gente, o que está havendo com alguns de vocês?
De acordo com Victor Lacombe da Folha de São Paulo, ainda em janeiro deste ano (2026), pelo menos 70 mil pessoas (lê-se palestinos) morreram em Gaza. Mas o que isso significa? Ainda em agosto de 2025, segundo o sistema de Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), houve um apontamento de mais de meio milhão de palestinos, cerca de um quarto da população de Gaza, estavam passando fome e que aumentaria para mais de 640 mil pessoas até o final de setembro do mesmo ano. Isso tá “ok” para você? O povo que se diz escolhido por “Deus”(aqui os chamaremos de sionistas), tem cometido um genocídio e… Têm mais fatos para pontuar nestes, sei lá, últimos 10 anos.
Posso ainda citar: genocídio silencioso do Congo, guerra civil no Sudão, guerra de Tigray na Etiópia, crise humanitária no Iêmen, crise dos Rohingya, guerra da Síria (desde 2011), epidemia de ebola na África Ocidental. Não sei vocês, mas não recordo ver alguma notícia ou qualquer manchete na mídia hegemônica sobre estes temas. E ainda assim, quando citados, não explicam o que de fato acontece ou que tenha acontecido. Quando explicam, distorcem. Se você soube de qualquer um destes eventos, provavelmente você não viu no telejornal daquela emissora do pastor lá ou aquela outra do “plim plim”.
E nem precisamos ir muito longe para levantar os problemas da desinformação ou falta dela. E ainda acrescento algo bem específico do brasileiro: falta de memória. Horrores internacionais parecem distantes, mas no Brasil, por exemplo, tivemos um presidente que teve a pior ação, no mundo inteiro, diante de uma pandemia. Não somente faltou oxigênio, mas vacinas (já existentes), chegaram atrasadas e pasmem, houve “campanha” de desinformação para que a população não se vacinasse. E o pior de tudo: ainda influenciou a comunidade tomar um “kit covid”, que tinha efeito nenhum contra o vírus da Covid-19. Este mesmo presidente foi julgado, incriminado e hoje tem sua pena no semiaberto (que cansativo isso, misericórdia), por tentativa de Golpe de Estado. Mas a responsabilidade pela morte de cerca de 700 mil pessoas? Isso, aparentemente, “tá de boa.”
Sei que hoje vivemos em bolhas, sei que dependendo do que você consome, o seu entendimento será totalmente diferente do entendimento do seu vizinho, por exemplo. Antigamente, quando o Jornal Nacional tinha 80% de participação de audiência, o que passasse ali era tomado como verídico. Hoje, a verdade pode ser comprada. Ou podemos dizer que omissão e silêncio são mais lucrativos? Enfim, continuamos vivendo tudo que há pra viver, a gente se permite, mas com aquele aperto no coração.
메타데이터
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