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Mulheres na literatura de terror

10 autoras de diferentes etnias/nacionalidades que integram o gênero

Mídia Cult · 2025-11-07 23:29 · 0 claps · 4.0 min read
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Mulheres na literatura de terror

10 autoras de diferentes etnias/nacionalidades que integram o gênero

Por: Ana Iost e Letícia Vargas

É de senso comum que a indústria do terror sempre foi um gênero dominado por homens, principalmente na direção e escrita, refletindo nas personagens femininas das mais diversas obras. Quando olhamos, especialmente para a literatura, não é diferente, porém, a literatura de terror tem uma gama de escritoras mulheres que deixaram sua marca no gênero.

Compartilhamos, então, uma lista com 10 autoras do gênero, mesclando diferentes tipos de terror:

  1. Mary Shelley (1797- 1851)

Conhecida como a mãe da literatura de terror, Mary Shelley foi uma renomada autora britânica conhecida por escrever a obra atemporal “Frankenstein”. O livro é um misto de terror gótico e ficção científica mergulhados em reflexões altamente filosóficas sobre a vida, a morte e a auto identidade. Originado durante um desafio de escrita entre amigos, o livro se tornou um clássico que até hoje recebe adaptações cinematográficas, sendo a mais recente através dos olhos do diretor mexicano Guillermo Del Toro que acaba de sair na plataforma Netflix.

2. Octávia Butler (1947- 2006)

Octávia Butler foi uma autora afro-americana que utilizou de suas obras no gênero de ficção científica para debater questões raciais e feministas em suas obras. Mesmo assim, o terror foi o fio condutor da maior parte de suas tramas, como, por exemplo, na obra “Kindred: Laços de Sangue que aborda a violência da escravidão. O horror em suas obras, no entanto, não se restringe a essa temática, tendo Butler abordado horror corporal em “Clay’s Ark” e o mundo dos pesadelos em “Xenogênese”.

3. Carmen Maria Machado

Essa autora americana, de ascendência cubana encontrou no horror uma forma de lidar coma ansiedade. Carmen, como uma mulher latina e lésbica, usa seu corpo, sua identidade como “lente”, através da qual ela vê o mundo e escreve.

Em Her Body and Other Parties (2017), Carmen mistura terror, fantasia, erotismo e realismo mágico para explorar as experiências femininas em torno do corpo, do desejo e da violência, em uma coletânea de contos. Na obra In the Dream House (2019), a autora revisita um relacionamento abusivo entre duas mulheres, desconstruindo a ideia de que o amor queer está imune à violência.

4. Mônica Ojeda

Mônica Ojeda é uma autora equatoriana que vem se destacando no mercado literário pelo ousado estilo denominado de “gótico andino”. Em suas obras, Ojeda abre espaço para a exploração de um terror que aborda a violência, a sexualidade e a morte, misturando o realismo com o misticismo andino ao longo da sua narrativa. A autora mostra interesse pelo medo enquanto emoção ou força que pulsa através dos seus personagens, além de apenas se enquadrar em um gênero narrativo. Te convidamos a conhecer suas histórias “Mandíbula”, que aborda uma seita de adolescentes e “Xamãs Elétricos na Festa do Sol”, que nos guia por uma rave perigosa nos Andes.

5. Rin Chupeco

Uma escritora filipina que cresceu fascinada por histórias de fantasmas japonesas e por sentir-se “diferente”. Rin costuma usar seu contexto cultural como pano de fundo natural e busca dar protagonismo a mitologias pouco exploradas no mercado ocidental. Entre suas obras, The Girl from the Well (2014), traz uma atmosfera sombria e poética, combinando terror sobrenatural, mitologia japonesa e emoção trágica, numa narrativa sobre vingança, redenção e liberdade espiritual.

6. Ilana Casoy

A brasileira Ilana Casoy combinou sua carreira como criminóloga e sua paixão pela literatura como ingredientes para lançar uma série de livros que relatam casos criminais famosos do Brasil por meio da ótica de quem acompanhou o caso de perto. Com o sucesso cada vez maior do gênero true crime não só no país como mundialmente, atualmente Ilana também está envolvida em adaptações cinematográficas de suas obras mais famosas “Bom Dia, Verônica” que se transformou em uma série da Netflix e os filmes do caso Richthofen produzidos pela Amazon Prime, “A Menina Que Matou os Pais”, “O Menino Que Matou Meus Pais” e “A Menina que Matou os Pais: A Confissão”.

7. Mariko Koike

Escritora japonesa que aproveita bastante de elementos como espíritos, pressão familiar, bem presentes em contos de terror japoneses. Sua obra, The Graveyard Apartment é destacada pelo uso do ambiente doméstico aparentemente seguro que se transforma em horror, e pela exploração de culpa, negação e pressões sociais.

8. Shirley Jackson (1916–1965)

Muito conhecida no gênero por suas obras de horror e mistério, essa autora americana escreveu seis romances, dois livros de memórias e vários contos. Sua vida como mãe e esposa, numa época conservadora, influenciou no isolamento e inquietude que se percebe em suas histórias. Seu estilo focava no horror que se esconde no cotidiano, comunidades pacatas, casas velhas, rituais que revelam crueldade ou absurdo.

The Haunting of Hill House (1959), é um clássico do terror psicológico que acompanha um grupo que se junta para investigar supostos fenômenos sobrenaturais em uma mansão isolada e sinistra. Já The Lottery (1948), é um conto perturbador que, com ironia e sutileza, expõe a crueldade escondida sob a normalidade social, criticando o conformismo.

9. Daphne Du Maurier (1907–1989)

A britânica Daphne Du Maurier foi uma autora cujas obras frequentemente se debruçaram no terror gótico e no suspense psicológico. Em seu romance mais famoso, “Rebecca”, ela cria um ambiente de pavor e mistério criado a partir da paranoia da protagonista em lidar com o fantasma da falecida primeira esposa de seu marido.

Já no conto “Pássaros”, é um exemplo proeminente de terror sobrenatural ou apocalíptico, onde a natureza se volta inexplicavelmente contra a humanidade, criando uma sensação de desamparo e caos.

Ambas as obras foram adaptadas ao cinema pelo diretor Alfred Hitchcock que também nutria uma afinidade por temas sombrios, como o medo psicológico, a paranoia, a culpa e a desestabilização da vida cotidiana.

10. Nalo Hopkinson

Autora jamaicana-canadense, morou em países como Jamaica, Guiana, Trinidad e Canadá, cuja mistura de culturas caribenhas e língua/folclore (como histórias de Anansi) influenciou muito em sua escrita. Seu trabalho abrange temas de identidade, deslocamento cultural, oralidade.

Destaque para Brown Girl in the Ring (1998), uma ficção especulativa/fantasia/horror, que traz uma história de resistência, ancestralidade e poder feminino.


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