O que “A Nova Era” do Bonde da Stronda nos ensina?
Se você era “jovem” por volta de 2012 com certeza você ouviu falar do Bonde da Stronda. Meu primeiro contato com o grupo foi no seu auge…
O que “A Nova Era” do Bonde da Stronda nos ensina?

Playsson Raiz, debaixo das lentes um mar de angústia
Se você era “jovem” por volta de 2012 com certeza você ouviu falar do Bonde da Stronda. Meu primeiro contato com o grupo foi no seu auge, o clipe de “Mansão Thug Stronda” com o falecido Mr. Catra, Deus o tenha. Já nesse primeiro contato notei que não se tratava de um grupo qualquer, eles vinham como percursores de um movimento, o movimento Playsson, algo que eu não vi decolar, mas se você por acaso tinha um amigo Playsson, por favor me conta!
Pouco se fala sobre o Bonde da Stronda e menos ainda sobre o Álbum “A Nova Era” que pelo nome gera altas expectativas, uma coleção de músicas que quebra com os paradigmas da indústria fonográfica brasileira de até então, algo que abre caminho para a nova era.
Infelizmente não consegui encontrar a mídia física a venda, talvez já se antecipando à nova era os artistas perceberam que já nem fazia sentido lançá-lo em mídia física, ou talvez a tiragem foi extremamente limitada afim de se tornar de fato um item raro de colecionadores fanáticos pela banda. De qualquer forma o álbum está inteiro disponível no Spotify.
“A nova era” é constituída de 19 canções (1 é bônus com participação do DH da banda Cine). O ponto alto da obra é o contraste entre as músicas aonde há exaltação aos valores da dita cultura Playsson e músicas de paixão adolescente.
O tom de toda a obra se alterna entre “O pegador” e “O apaixonado”:
Diferente do seu mundo estagnado, fraco, pau mandado Eu mantenho minha vida com várias mulher ao lado Eu sei que às vezes é foda, dá vontade de parar Mas se eu parar quem vai ter história pra poder contar? “Mansão Thug Stronda”
É você e não é mais ninguém Nenhuma me faz me sentir tão bem Eu te amo de verdade, sem exagero Seu amor pra mim me completa por inteiro “Nossa Química”
Essa dicotomia não se deve ao anseio de conseguir sucesso de qualquer forma (atirando para vários lados), mas sim uma mensagem. Os protagonistas da obra se vêem em uma grande contradição, eles sabem em algum grau que seu estilo de vida “Playsson” é vazio, mas isso lhes confere status social dentro do grupo que fazem parte, aonde beber com os amigos, “pegar” muita mulher e praticar surf o dia inteiro é o ápice da vida.
Mas, no fundo eles anseiam por uma vida a 2 monogâmica, filhos, cerveja no final de semana e dia de jogo, um netflix, etc. O estilo de vida anterior não é nenhum empecilho para esse novo sonho, aqui talvez eles deixem de ser Playssons e passem a ser Playffathers, possivelmente de meninas, aí quem sabe eles preferissem fazer releituras de músicas como XXT aonde ao invés de se referir à XXT como “objeto de desejo” passe uma mensagem mais de Pussy Power por exemplo.
A questão é que nós só vemos o primeiro estágio da paixão dos Playssons, nós não sabemos como isso se desenvolve e nem como eventualmente acaba. Eles deixaram a história pela metade, propositadamente, para nós preenchermos as lacunas, será que o amor os transformou? Será que os relacionamentos acabaram rapidamente porque os protagonistas preferiam voltar a seus velhos hábitos quando o primeiro estágio da paixão cessava?
Será que o movimento Playsson nunca foi pra frente devido à sua grande complexidade?
Talvez nunca saberemos.

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