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lobotomia acidental (suposta despedida)

Não sou bom com palavras

realitas in Revista Literária Mente · 2026-05-23 23:41 · 50 claps · 2.4 min read
#sincerity #poesia #surrealismo
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lobotomia acidental (suposta despedida)

Não sou bom com palavras

Quase tudo tento fazer

E não adianta nada

Aqueles cabelos

Aquela montanha

Eu sequestrar aquele velho navio?

Eu vou pegar aquele velho navio

Entrei num quarto claro

Que não posso sair

Espelhos quebrados

Aonde ir

Nem sei se mereço

Nem sei se valeu toda a andança

Me sinto uma criança

Num veludo azul num mar de adultos

Baby, baby

Paia, lacraia, escorpião

Belo casal

Paia, essa praia

Não sou bom com palavras

Nem sou original

Na verdade nada é

Mas é tão performático

E difícil tentar ser sincero

E deitar-se sonhando com aquela ilha

Aquela montanha

Aqueles olhos

Aquela laranjeira

Os olhos já não são os mesmos

Tortos como uma árvore

Chega de falar

É bem melhor

Falar com minha melhor amiga, a parede

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Prefiro viver dormindo

Mas tenho de acordar

E bater na minha cara

Minha intuição é selvagem

Será que isso não é bobagem, essa vassalagem

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Será se eu ainda vou lembrar

De fugir de mim

Que é uma faca apontada

Contra comigo

Contra você

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com vocês

Não sou bom com você

Parar de te esquecer

É a mesma tortura

Que ter que me perder

Deus me ajude no caminho

Mas a minha visão

Precisa de uma opinião

Emoção

Não sou bom com palavras (baby, baby)

A culpa é da razão, será?

Quero cavalgar sob aquele rio

Quero nadar naquele frio

E sair pela emergência

E se um dia te lembrar

Será uma caricatura falsa

De uma madrugada

Perdida sonhando no que fazer

Pensando em viver

Fazer algo maior

Algo maior que eu já fiz

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Eu vou tomar aquele velho navio

Eu vou tomar aquele velho navio

E morrer como um mártir na montanha sagrada

De um rio das cores

De uma lata velha e morta

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Nem sei se sou bom no que faço

Nem sei se conheço meus rastros

Eu não quero pisar na mesma bola duas vezes

Nesse chão escorregado

Pretendo me equilibrar

Pretendo me equilibrar

E se cair

Vou chorar sim

Vou chorar

E procurar por uma melancia

Uma alegria qualquer

Uma piscina

Na casa de uma amiga

Que só conheço

Pelo endereço de um bronze

De um déja vu

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Dessa sala eu entrei

E dela vou sair

Pela mesma porta

Que um dia

Um dia bati

Dessa sala eu entrei

E dela vou sair

Pela mesma porta

Que um dia

Um dia bati

O rosto de uma privada

Homem lata

Homem lata

Leão sozinho na sua saga

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Quero apagar

Esse apagador

Aquecedor

Manto escuro

Veludo azul

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com certas coisas

Nem em ser palhaço

Sem graça

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Esse peixe me entala todo tempo

Com espinhas

Esse é o poder da minha ira profana divina

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Não sou bom com palavras (baby, baby)

Nem sou bom com espelhos limpos.


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