lobotomia acidental (suposta despedida)
Não sou bom com palavras
lobotomia acidental (suposta despedida)
Não sou bom com palavras
Quase tudo tento fazer
E não adianta nada
Aqueles cabelos
Aquela montanha
Eu sequestrar aquele velho navio?
Eu vou pegar aquele velho navio
Entrei num quarto claro
Que não posso sair
Espelhos quebrados
Aonde ir
Nem sei se mereço
Nem sei se valeu toda a andança
Me sinto uma criança
Num veludo azul num mar de adultos
Baby, baby
Paia, lacraia, escorpião
Belo casal
Paia, essa praia
Não sou bom com palavras
Nem sou original
Na verdade nada é
Mas é tão performático
E difícil tentar ser sincero
E deitar-se sonhando com aquela ilha
Aquela montanha
Aqueles olhos
Aquela laranjeira
Os olhos já não são os mesmos
Tortos como uma árvore
Chega de falar
É bem melhor
Falar com minha melhor amiga, a parede
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Prefiro viver dormindo
Mas tenho de acordar
E bater na minha cara
Minha intuição é selvagem
Será que isso não é bobagem, essa vassalagem
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Será se eu ainda vou lembrar
De fugir de mim
Que é uma faca apontada
Contra comigo
Contra você
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com vocês
Não sou bom com você
Parar de te esquecer
É a mesma tortura
Que ter que me perder
Deus me ajude no caminho
Mas a minha visão
Precisa de uma opinião
Emoção
Não sou bom com palavras (baby, baby)
A culpa é da razão, será?
Quero cavalgar sob aquele rio
Quero nadar naquele frio
E sair pela emergência
E se um dia te lembrar
Será uma caricatura falsa
De uma madrugada
Perdida sonhando no que fazer
Pensando em viver
Fazer algo maior
Algo maior que eu já fiz
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Eu vou tomar aquele velho navio
Eu vou tomar aquele velho navio
E morrer como um mártir na montanha sagrada
De um rio das cores
De uma lata velha e morta
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Nem sei se sou bom no que faço
Nem sei se conheço meus rastros
Eu não quero pisar na mesma bola duas vezes
Nesse chão escorregado
Pretendo me equilibrar
Pretendo me equilibrar
E se cair
Vou chorar sim
Vou chorar
E procurar por uma melancia
Uma alegria qualquer
Uma piscina
Na casa de uma amiga
Que só conheço
Pelo endereço de um bronze
De um déja vu
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Dessa sala eu entrei
E dela vou sair
Pela mesma porta
Que um dia
Um dia bati
Dessa sala eu entrei
E dela vou sair
Pela mesma porta
Que um dia
Um dia bati
O rosto de uma privada
Homem lata
Homem lata
Leão sozinho na sua saga
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Quero apagar
Esse apagador
Aquecedor
Manto escuro
Veludo azul
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com certas coisas
Nem em ser palhaço
Sem graça
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Esse peixe me entala todo tempo
Com espinhas
Esse é o poder da minha ira profana divina
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Não sou bom com palavras (baby, baby)
Nem sou bom com espelhos limpos.

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