Jesus: Homem, Deus e o Único Caminho para a Salvação
Sermão temático-apologético exposto no dia 14/10/2023, na Igreja “Comunidade Cristã de Belém” para a conferência “Verdade Absoluta em um…
Jesus: Homem, Deus e o Único Caminho para a Salvação
Sermão temático-apologético exposto no dia 14/10/2023, na Igreja “Comunidade Cristã de Belém” para a conferência “Verdade Absoluta em um Mundo Relativo”
Então Jesus se voltou para os Doze e perguntou: “Vocês também vão embora?”. Simão Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna. Nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo de Deus”. João 6:67–69
Senhor Jesus Cristo, filho de Deus, tem misericórdia de mim, um pecador.
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INTRODUÇÃO
Permita-me começar o sermão com uma citação de um pensador cristão dinamarquês do século XIX:
“De fato, já se passaram mil e oitocentos anos desde que Jesus Cristo caminhou aqui na terra, mas certamente não é um evento como os outros que, uma vez ultrapassados, passam para a história e, como um passado distante, caem no esquecimento. Não, sua presença aqui na terra nunca se torna uma coisa do passado. Portanto, não se torna cada vez mais distante — isso se a fé pode ser encontrada na terra; caso contrário, bem, então faz muito tempo que ele viveu mesmo. Contudo, enquanto houver um crente, essa pessoa, para se tornar um, deve ser tão contemporâneo de Cristo quanto seus contemporâneos foram. Essa contemporaneidade é a condição da fé e a é a própria fé.
Senhor Jesus Cristo, gostaria que nós também pudéssemos nos tornar contemporâneos de você, que pudéssemos vê-lo em sua verdadeira forma enquanto você caminhava aqui na terra, não na forma em que uma lembrança vazia, sem sentido, irrefletida, romântica ou histórica o distorceu, pois não é a forma de humilhação que o crente o vê, e nem na forma de glória que ninguém ainda o viu. Quem dera o víssemos como é, era e será até a sua segunda vinda em glória, como sinal do escândalo e o objeto da fé. O homem humilde, mas salvador e redentor da raça humana, que por amor veio à terra para buscar os perdidos, para sofrer e morrer. Obrigado porque, mesmo assim, cada passo que você deu na terra, cada vez que você chamou os errantes, cada vez que estendeu a mão para fazer sinais e maravilhas e cada vez que você sofreu sem defesas a oposição das pessoas sem levantar a mão — por várias vezes preocupado — você teve que repetir: ‘bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim’ tomara que o vejamos dessa forma e não nos escandalizemos!”
Esse deve ser o desejo de cada um de nós, cristãos, hoje: que sejamos tão contemporâneos de Jesus como seus apóstolos foram. Nossas orações só fazem sentido se conseguirmos crer que os ouvidos de Jesus escutam tão bem quanto dois mil anos atrás. Não podemos ver a face do nosso mestre, mas podemos nos agarrar na verdade que o autor de hebreus deixou para nós: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8).
É a fé que nos mantém firmes na pessoa de Jesus Cristo, uma fé bem-aventurada que não se envergonha dele, mesmo nos momentos mais difíceis de crer. Essa fé nos mantém seguros na verdade e é o instrumento que nos leva à vida eterna através do único caminho, que é Cristo. Sem ela, não há vida eterna.
Entretanto, infelizmente, desde os tempos de Adão, existem aqueles que duvidam do todo-poderoso, mesmo tendo experimentado de coisas tão extraordinárias. Os israelitas tiveram a oportunidade de ver água virar sangue, cair fogo do céu, uma escuridão inexplicável devorar uma nação inteira e um mar se abrir por horas e mais horas. Mesmo assim, alguns dias depois, optaram por reclamar e louvar um bezerro feito por mãos humanas (Todos esses relatos estão presentes no livro de Êxodo). A história continua a se repetir: não nos são estranhos relatos de pessoas que passaram a vida toda na fé e a abandonaram. Vemos líderes que trocaram tudo por uma única noite de lascívia e imoralidade e antigos amigos que escolheram o dinheiro, o poder e a diversão no lugar dos tesouros no céu.
Em poucas palavras, da mesma forma que Jesus sempre foi e sempre será o mesmo, os seres humanos também. Os homens da época de Jesus são os mesmos de hoje em dia. Por isso lemos a Bíblia diariamente: ela mostra a verdade sobre nós, mesmo que ela seja dura.
O próprio mestre Jesus esteve cara a cara com uma situação de apostasia. Vemos isso no texto a ser explorado hoje:
TEXTO
²² No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar notou que ali havia apenas um pequeno barco e que Jesus não tinha entrado nele com os seus discípulos, tendo estes partido sozinhos. ²³ Entretanto, outros barquinhos de Tiberíades se aproximaram do lugar onde a multidão havia comido o pão depois que o Senhor deu graças. ²⁴ Quando aquela multidão viu que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram nos barcos e partiram para Cafarnaum à procura de Jesus. ²⁵ E, tendo-o encontrado no outro lado do mar, lhe perguntaram:
— Mestre, quando o senhor chegou aqui?
²⁶ Jesus respondeu:
— Em verdade, em verdade lhes digo que vocês estão me procurando não porque viram sinais, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. ²⁷ Trabalhem, não pela comida que se estraga, mas pela que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem dará a vocês; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.
²⁸ Então lhe perguntaram:
— Que faremos para realizar as obras de Deus?
²⁹ Jesus respondeu:
— A obra de Deus é esta: que vocês creiam naquele que ele enviou.
³⁰ Então eles disseram:
— Que sinal o senhor fará para que vejamos e creiamos no senhor? O que o senhor pode fazer?
³¹ Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: “Deu-lhes a comer pão do céu.”
³² Jesus lhes disse:
— Em verdade, em verdade lhes digo que não foi Moisés quem deu o pão do céu para vocês; quem lhes dá o verdadeiro pão do céu é meu Pai. ³³ Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.
³⁴ Então lhe disseram:
— Senhor, dê-nos sempre desse pão.
³⁵ Jesus respondeu:
— Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. ³⁶ Porém eu já disse que vocês não creem, embora estejam me vendo. ³⁷ Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. ³⁸ Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. ³⁹ E a vontade de quem me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. ⁴⁰ De fato, a vontade de meu Pai é que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
⁴¹ Então os judeus começaram a murmurar contra ele, porque tinha dito: “Eu sou o pão que desceu do céu.” ⁴² E diziam:
— Este não é Jesus, o filho de José? Por acaso não conhecemos o pai e a mãe dele? Como é que ele agora diz: “Desci do céu”?
⁴³ Jesus respondeu:
— Não fiquem murmurando entre vocês.
⁴⁴ Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. ⁴⁵ Está escrito nos Profetas: “E todos serão ensinados por Deus. “Portanto, todo aquele que ouviu e aprendeu do Pai, esse vem a mim. ⁴⁶ Não que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que vem de Deus; este já viu o Pai.
⁴⁷ — Em verdade, em verdade lhes digo: quem crê em mim tem a vida eterna. ⁴⁸ Eu sou o pão da vida. ⁴⁹ Os pais de vocês comeram o maná no deserto e morreram. ⁵⁰ Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. ⁵¹ Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.
⁵² Então os judeus começaram a discutir entre si, dizendo:
— Como é que este pode nos dar a sua própria carne para comer?
⁵³ Jesus respondeu:
— Em verdade, em verdade lhes digo que, se vocês não comerem a carne do Filho do Homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em vocês mesmos. ⁵⁴ Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. ⁵⁵ Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. ⁵⁶ Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu permaneço nele. ⁵⁷ Assim como o Pai, que vive,me enviou, e igualmente eu vivo por causa do Pai, também quem de mim se alimenta viverá por mim. ⁵⁸ Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os pais de vocês comeram e, mesmo assim, morreram; quem comer este pão viverá eternamente.
⁵⁹ Jesus disse essas coisas quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.
⁶⁰ Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram:
— Duro é este discurso; quem pode suportá-lo?
⁶¹ Mas Jesus, sabendo por si mesmo que os seus discípulos murmuravam a respeito do que ele havia falado, disse-lhes:
— Isto escandaliza vocês? ⁶² Que acontecerá, então, se virem o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? ⁶³ O Espírito é o que vivifica;a carne para nada aproveita. As palavras que eu lhes tenho falado são espírito e são vida. ⁶⁴ Mas há descrentes entre vocês. Ora, Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem iria traí-lo.
⁶⁵ E prosseguiu:
— Por causa disto é que falei para vocês que ninguém poderá vir a mim, se não lhe for concedido pelo Pai. ⁶⁶ Diante disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.
⁶⁷ Então Jesus perguntou aos doze:
— Será que vocês também querem se retirar?
⁶⁸ Simão Pedro respondeu:
— Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna, ⁶⁹ e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus.
⁷⁰ Então Jesus lhes disse:
— Não é fato que eu escolhi vocês, os doze? Mas um de vocês é um diabo.
⁷¹ Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, porque este, sendo um dos doze, era quem o haveria de trair.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Quem são essas pessoas que estavam com Jesus? Essa multidão que o deixou tinha acabado de ver um grande milagre acontecer através das mãos dele: a multiplicação de cinco pães de cevada e dois pequenos peixes. Esse mesmo povo, horas atrás, queria ter transformado Jesus em rei e adorava os benefícios que recebiam por acompanhá-lo. Por isso, o mestre adverte: “Jesus respondeu: “Eu lhes digo a verdade: vocês querem estar comigo não porque entenderam os sinais, mas porque lhes dei alimento. Não se preocupem tanto com coisas que se estragam, como a comida, mas usem suas energias buscando o alimento que permanece para a vida eterna, o qual o Filho do Homem pode lhes dar. Pois Deus, o Pai, colocou em mim seu selo de aprovação” (João 6:26,27)
Se você acha essa cena familiar, a Bíblia explica o porquê: não há nada de novo debaixo do sol. Assim como no episódio bíblico, milhões de pessoas seguem Jesus por conta do que viram ou pelas bençãos físicas que ele supostamente pode oferecer.
Hoje, no século XXI e em um país onde a fome foi [supostamente] erradicada, pode parecer estranho para nós a ideia de seguir alguém por conta de comida. Atualmente, o homem come, em média, mais calorias do que um rei riquíssimo da idade média. Encontramos água potável com relativa facilidade. Não conhecemos ninguém que tenha morrido de fome ou de sede.
Por outro lado, na época de Jesus, a segurança alimentar não era uma realidade: a maioria das pessoas eram muito pobres e precisavam contar cada “centavo”. Não é sem motivo que Jesus ensina, na oração do pai nosso, que devemos pedir pelo “pão nosso de cada dia” e a Bíblia sempre avisa para ter cuidado com a “ansiedade em relação ao que ter para comer”.
Sabendo disso, Jesus, de maneira sagaz, se identifica com o pão: o alimento mais básico, consumido diariamente e fonte essencial de nutrição. Não só isso, ele é o pão da vida, ou seja, o essencial que não pode faltar para que possamos viver de verdade. Em outras palavras, ele está afirmando que é mais importante que o próprio ato de comer.
Aqui vemos um Jesus diferente daquele que o mundo e os falsos crentes esperam: o Jesus que diz “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim; e quem ama seu filho ou sua filha mais que a mim não é digno de mim. Quem se recusa a tomar sua cruz e me seguir não é digno de mim. Quem se apegar à própria vida a perderá; mas quem abrir mão de sua vida por minha causa a encontrará.” (Mateus 10.37–39). Como pode um homem exigir tal coisa de alguém? Pode outro ser humano mandar outro o amar mais do que sua própria vida?
JESUS, UMA FIGURA HISTÓRICA
Talvez você possa dizer que Jesus não foi exatamente uma pessoa, mas uma ideia pela qual vale a pena viver e morrer. Não existiu alguém chamado “Jesus de Nazaré”, que nasceu no início de nossa era e que morreu com 33 anos. Se existiu, todas essas histórias foram invenções de seus discípulos para espalhar essa mensagem. Será mesmo que alguém pode ser cristão e afirmar tais coisas?
A própria Bíblia afirma diversas vezes que Jesus foi uma pessoa real no espaço e no tempo. Nesse mesmo capítulo, as multidões reconhecem que Jesus nasceu e cresceu em seu meio e que seus pais eram José e Maria (v. 42). Apesar de usarem isso para atacar a divindade de Cristo, eles admitem a existência humana dele. Jesus era um homem de carne e osso como nós, que foi em muito tentado, mas nunca pecou.
Um outro exemplo bíblico que mostra que Jesus existiu são alguns textos que costumamos sempre pular: as genealogias. Na época em que os Evangelhos foram escritos, as genealogias eram usadas para estabelecer “de onde alguém veio”. Portanto, ao incluir essas genealogias, os autores dos Evangelhos estavam afirmando que Jesus tinha uma linhagem humana verificável. É como ir em um cartório e ver a certidão de nascimento de alguém.
Essa mesma linhagem confirma uma coisa importante: Jesus de Nazaré é descendente legítimo de Abraão e do rei Davi. O Senhor prometeu que um dos descentes de Abraão abençoaria todas as nações da terra (Gênesis 22.18) e que Davi teria um herdeiro que iria reinar para sempre (II Samuel 7:12). Portanto, Jesus cumpre o requisito de ser descendente de Davi para ser o Messias.
Os evangelhos também dão algumas outras evidências que eles querem ser interpretados como documentos históricos e não mitológicos. Diferente de alguns mitos e lendas, vemos constantemente a citação de lugares físicos e figuras históricas. Como exemplo, vemos a citação do envolvimento de Pôncio Pilatos na crucificação de Jesus Cristo (cf. Mateus 27, Marcos 15, Lucas 23 e João 19). O historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo relata sua administração em suas obras “Antiguidades Judaicas” e “A Guerra dos Judeus”. Além disso, a arqueologia, em 1961, descobriu uma pedra antiga que faz referência ao tal governador e pode ser vista no Museu de Israel.
Inúmeros lugares reais são citados nos evangelhos. Em João 5.2 o autor diz: “Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Bethesda, o qual tem cinco alpendres.” (ACF) Essa é uma clara referência a um local que existia até o momento em que o texto foi escrito, mostrando que as histórias bíblicas têm conexão com a realidade. Exemplos como esse são inúmeros: o mar da Galileia e o rio Jordão podem ser facilmente visitados e o próprio tanque de Bethesda foi encontrado durante reparações e subsequentes escavações da Basílica de Santa Ana em 1888, no bairro de Bezeta, em Jerusalém, próximo da Porta das Ovelhas e da Fortaleza Antônia.
Além disso, a historiografia endossa a ideia de um Jesus que existiu. Além dos próprios evangelhos serem documentos históricos de alta popularidade na época e com fácil verificabilidade, as cartas dos apóstolos e dos pais da Igreja também atestam a existência de Jesus de Nazaré. Como provas fora da Bíblia, temos historiadores e figuras do primeiro e segundo séculos que citam Jesus de Nazaré.
Entre os judeus, vale a pena destacar o testemunho do Flávio Josefo. Flávio não era cristão, mas era popular entre alguns crentes por citar Jesus e Tiago em suas obras. Sobre Tiago, “nas Antiguidades”, ele descreve como um alto sacerdote de nome Ananias aproveitou-se da morte de Festo, governador romano, que também é mencionado no Novo Testamento, para mandar matar Tiago:
“Convocou então uma reunião do Sinédrio e trouxe perante ele um homem chamado Tiago, o irmão de Jesus, chamado o Cristo, e alguns outros. Ele os acusou de transgredir a lei e condenou-os ao apedrejamento”
Sobre Jesus, Flavio também escreve, apesar da grande possibilidade desse texto ter recebido acréscimos posteriormente:
“Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se, todavia, devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele mandou o crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome.”
Além disso, Flávio cita outras figuras históricas presentes no evangelho, como João Batista e Herodes.
Do lado gentio também temos outros testemunhos, como de Plínio, o Jovem, Celso, Luciano de Samosata e Tácito. Tácito, um ferrenho crítico do cristianismo, narrando a perseguição de cristãos do primeiro século diz:
“Para destruir o boato (que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infringiu tormentos requintadíssimos àquelas cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício. Reprimida incontinenti, essa detestável superstição repontava de novo, não mais somente na Judeia, onde nascera o mal, mas anda em Roma, para onde tudo quanto há de horroroso e de vergonhoso no mundo aflui e acha numerosa clientela”
A única forma de negar a existência de Jesus, então, é colocar em descrédito, de alguma forma, uma vasta gama de documentos.
JESUS, UMA FIGURA POLÊMICA
Então isso significa que existiu uma pessoa no oriente médio que exigiu de seus seguidores a vida deles? Um homem que disse ser Deus? Sim, esse homem existiu e ouso dizer que ainda está vivo, pois ressuscitou. Agora, diante de tudo isso eu te pergunto: quem é Jesus para você?
Considere bem a pergunta. Vamos colocar de uma maneira mais simples: um homem que disse que é o próprio Deus e que chama as pessoas para viverem e morrerem por seu nome. Que tipo de pessoa é essa? Se eu chegasse para você e te pedisse tais coisas, será que você me obedeceria? É extremamente provável que não a não ser que você tivesse a convicção de que eu sou o próprio Deus. Caso o contrário, ou você me acharia um louco ou um aproveitador. Novamente te pergunto e exijo honestidade: quem é Jesus para você?
Os discípulos que abandonaram Jesus entenderam muito bem esse dilema: ou esse homem é um blasfemador ou é o próprio Deus. Infelizmente eles optaram por acreditar na primeira opção.
Além de ser um homem blasfemo para os judeus, Jesus era uma pessoa extremamente ofensiva. Apesar de várias pessoas o considerarem o maior pregador do amor (e de fato é), ele também disse que não veio trazer paz ao mundo, mas divisão entre os amigos e até familiares mais íntimos.
Entretanto, podemos provar que o senhor Jesus não era qualquer um para estar afirmando essas coisas. Além de ser o descendente de Davi, ele cumpria os outros requisitos para ser o Messias, aquele que iria reinar o mundo todo para sempre. O profeta Isaías disse, 800 anos antes, que o Messias nasceria de uma virgem (Isaías 7.14). As pessoas sabiam que Maria tinha engravidado antes de se casar, como podemos ver em João 8.41 (“Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição [como você]; temos um Pai, que é Deus” — acréscimo meu). Isso mostra que as circunstâncias do nascimento de Jesus foram diferentes, reforçando a ideia do nascimento virginal. Além disso, o profeta Miquéias profetizou sobre o local de seu nascimento, que seria em Belém (Miquéias 5.2), como foi confirmado pelos evangelhos.
A morte de Jesus também condenaria mais tarde o julgamento de seus opositores. Apesar de sua crucificação dar a entender que ele perdeu para seus inimigos, ela mostra que tudo estava sobre o controle de Deus. Aqui vão alguns textos que mostram como isso: Salmos 22:18: “Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançam sortes.”; Salmos 34:20: “Ele lhe preserva todos os ossos; nem sequer um deles se quebra.”; Isaías 53:5: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.” Salmo 16:10: “Pois tu não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.”
Com essa mesma autoridade, Jesus é a pessoa que diz que a humanidade está falida. Distante de Deus, o ser humano foi entregue aos seus próprios prazeres e maldades do coração. Cremos que estamos caminhando bem e que um dia a ciência irá nos trazer a luz, mas ela que traz o avião para conectar pessoas ao redor do mundo é a mesma que constrói bombardeiros para destruir vidas e famílias. As redes sociais que nos conectam são uma plataforma para a disseminação de ódio e mentiras. O dinheiro que pode ser usado para trazer alívio ao pobre é usado para comprar outros pobres ao redor do mundo. Tudo o que o ser humano toca ele corrompe.
O ser humano está tão distante de Deus que não pode sequer se aproximar do Pai sem que Jesus e o Espírito Santo intervenham. Jesus deixa isso claro quando diz que “só poderão vir a mim aqueles que forem trazidos pelo Pai, que me enviou, e eu os ressuscitarei no último dia” (v. 44). Jesus também diz que não há uma alternativa para a salvação: “se vocês não comerem a carne do Filho do Homem e não beberem o seu sangue, vocês não terão vida” (v. 53).
Como isso ofende nossos corações! “Como é possível Deus me recusar mesmo eu sendo uma pessoa que cuida da minha família! Eu pago todos os meus impostos e nunca maltratei ninguém! Sou íntegro em todos os meus compromissos, não minto e doo aos pobres! Como pode um Deus amoroso me recusar diante de todas as minhas boas obras, só porque não creio em Jesus Cristo?”
Amigos, não nos enganemos: a sinceridade de um coração não garante salvação. Podemos muito bem viver crendo em uma mentira com um coração sincero, mas isso não nos livra das consequências de viver fora da verdade. Como um exemplo ridículo, uma pessoa pode crer de todo o coração que comer tijolos o fará viver por mais tempo, mas esse hábito só irá destruir seus dentes e, ironicamente, acabar com sua saúde. Somente a verdade liberta o homem.
O mundo diz: “a verdade é relativa”. Não se engane, não existem várias verdades: como podem estar corretos ao mesmo tempo o budista que crê que Deus não existe e o cristão, que sabe que há um juiz vigiando nossa conduta? O mundo diz: “toda religião é válida”. Você crê mesmo nisso, mesmo olhando para alguém que sacrifica seus filhos recém-nascidos como culto ao seu deus?
A Bíblia diz que a lei de Deus e a eternidade estão escritas no coração do homem, mesmo que o ateu negue. Existe religião em todas as sociedades do mundo, assim como leis como “não matarás” e “não furtarás”. Não há lei contra o que Senhor Jesus pede: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22). Além disso, você acha mais razoável crer que somos frutos do acaso com o mesmo valor que minhocas ou seres feitos à imagem de um Deus?
Mesmo assim, os falsos discípulos escolhem ir embora. Como o Senhor Jesus reagiu? Ele reafirma cada uma de suas palavras e apresenta um desafio final aos seus discípulos: “vocês também não desejam ir embora?” (v. 67). Para o Jesus não existem termos médios. Não existe ficar em cima do muro quando o assunto é Jesus, ou você o abraça, ou o rechaça. Os falsos discípulos ao menos foram honestos com eles mesmos. Você é?
Os falsos discípulos não o aceitaram porque ele não era o Messias que eles esperavam: Não havia nada de belo nem majestoso em sua aparência, nada que nos atraísse. Ele não era como o rei Saul, que enchia os olhos. Foi desprezado e rejeitado, homem de dores, que conhece o sofrimento mais profundo. Não tinha a glória e o poder de Salomão. Por isso, eles deram as costas para ele e desviaram o olhar; ele foi desprezado, e não nos importamos. Como poderia o rei dos judeus, aquele que iria tirar o povo das mãos dos romanos e dominar o mundo ser assim? Os judeus não entendiam que o reino dele não era desse mundo, mas que ele fará tudo novo no futuro.
JESUS, UMA FIGURA QUE TE CHAMA
Entretanto, ao verdadeiro discípulo, a resposta é óbvia: a quem iremos? Diante de todas as duras verdades, para sobreviver não resta nada senão abraçá-las e se render aos pés da cruz, tudo entregando. Apesar de que existem muitas filosofias e autoridades autoproclamadas, só Jesus tem palavras de vida eterna. Todos as religiões dizem mostrar o caminho para Deus, mas só Jesus afirma ser o próprio caminho e a porta para Deus.
Amigo, você precisa sobreviver! Desista dos seus vícios! Largue seus sonhos mesquinhos! Abandone aquilo que te atrapalha e derruba e corra para Jesus!
Esse mesmo homem ressuscitou! Você crê mesmo que os discípulos roubaram o corpo de Jesus para criar uma mentira, mesmo com Pedro sendo crucificado de cabeça para baixo por não ter negado Jesus? Acha mesmo que Paulo, mesmo sendo tão rico em conhecimento, sabedoria e prestígio, iria trocar tudo e ser decapitado por conta de uma malandragem? Tiago foi apedrejado e espancado até a morte. Bartolomeu foi esfolado vivo. Cada um dos discípulos morreu de formas cruéis. Não só eles, mas vários fiéis, desde o império romano até hoje deram suas vidas por conta de uma verdade: Jesus Cristo está vivo e voltará para julgar vivos e mortos e resgatar seus irmãos.
Esse mesmo Jesus de Nazaré está aqui! Ele escuta sua oração, conhece seu coração e diz “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.28–30) Jesus não está aqui te chamando para viver em uma camisa de força, usando uma muleta e se escondendo do escuro. Ele está aqui para dar vida e vida em abundância (João 10.10). Ele cumpriu tudo o que foi predito milhares de anos atrás antes de ele vir à terra e morreu para que seus irmãos fossem salvos (cf. 1 Coríntios 15.3,4).
Se você se sente tocado e chamado, não temas, ele mesmo acaba de dizer que ele não te lançará fora (v. 37). Se você quer conhecê-lo e dar sua vida por ele, é porque você faz parte daqueles que ele diz que o pai traria para ele. Creia nessas realidades, creia em Jesus Cristo e seus pecados serão cancelados e tu serás salvo! Não deixe para outro dia, pois o amanhã pode ser tarde demais. Lembre-se, não há para onde correr: ou ficarás a salvo debaixo dos braços amorosos de Jesus ou viverás segundo teu coração mau que deseja te enganar e te destruir.
Você será como os Israelitas que viram tudo, mas duvidaram e não alcançaram a terra prometida ou como Josué e Calebe, que entraram na alegria de seu Senhor, mesmo com a desaprovação dos outros? Assim diz o SENHOR: mais felizes são aqueles que não viram e creram (Mateus 20.29)!
Em nome de Jesus, amém.
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