Ata.
Uma história de romance no Bar Meretriz
ATA
Uma história de romance no Bar Meretriz
Bar. Madrugada paulista.
ELE — Ei, sabe me dizer o nome desse lugar? (Ele sabia, ia lá toda sexta-feira.)
ELA — Aqui, aqui mesmo, não sei. A gente chama a rua toda de “Meretriz”.
ELE — Ah… o nome da rua é “Meretriz”?
ELA — Não, não. O nome do rolê é “Meretriz”. A rua, eu nem sei.
ELE — Ata. Saquei. O rolê é ficar na rua enchendo a cara?
ELA — Não. Calma. *(Era isso sim, mas ela não queria parecer uma bêbada de rua.)
- — Quer dizer… depende. Se for isso, você gostaria?
ELE — Acho que sim. Acho que eu gostaria sim.
ELA — Ata. Pareceu que tinha um desprezo no “na rua, enchendo a cara”.
ELE — Ata, não é isso não. Parece divertido!
ELA — É sim!
ELE — E você gosta daqui?
ELA — Você não é daqui? De onde você é?
ELE — Sou daqui. SP.
ELA — Ata… Achei que era turista.
ELE — Que nada!
ELA — Você tá dando em cima de mim?
ELE — Não. Calma. *(Era isso sim, mas ele foi pego de surpresa.)
- — Quer dizer… depende. Se for isso, você gostaria?
ELA — Eu sou lésbica.
ELE — Ata. Pareceu que tinha um desprezo no “tá dando em cima de mim?”
ELA — Ata, não é isso não…
ELE — Calma… você disse que é lésbica?
ELA — Isso!
ELE — Ata. (Ele não tinha prestado atenção da primeira vez. Estava pensando em como seria legal se ela respondesse “Acho que sim. Acho que eu gostaria sim.” e repetisse um diálogo que tiveram anteriormente.)
ELE — E você gosta?
ELA — Quê? De mulher? Adoro.
ELE — Não… você gosta do Meretriz?
ELA — Ata. Eu gosto sim. Acho que tem lugares melhores, mas aqui dá bom!
ELE — Ata. Tá bom, então. Tchau!
ELA — Ata. Tchau!

메타데이터
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