CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER — CAP. 31 — DOS SÍNODOS E DOS CONCÍLIOS
É inegável que sínodos e concílios podem ser úteis, mas superestimamos o papel deles.
CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER — CAP. 31 — DOS SÍNODOS E DOS CONCÍLIOS

Para melhor compreensão deste texto sugerimos que você leia o artigo “Confessionalismo e Credos”. Aquilo que estiver com equívocos ou erros por parte dos puritanos estará marcado em negrito na confissão, e comentaremos logo abaixo os motivos.
CAP 31:1
Para melhor governo e maior edificação da Igreja, deverá haver as assembleias comumente chamadas sínodos ou concílios. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição, pertence aos pastores e outros presbíteros das igrejas particulares, criar assembleias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja. Ref.: 1- At 15:2, 4, 6; 20:17, 28; Ap 2:1–6.
Não existe razão para discordarmos disso, pois é evidente que a Igreja primitiva se reunia e decidia suas questões desse modo. Aliás, essa é a única maneira sensata de se resolver coisas que ganham proporção grande demais para poderem ser resolvidas somente na igreja local. E isso não se trata somente de questões práticas, mas também doutrinárias.
Infelizmente, porém, algumas denominações acreditam que há um dever de reunião conciliar regular, o que apenas gera desgaste e debates desnecessários, além de divagações em coisas irreais. O ponto é que, como isso é algo de nível administrativo, não há razão para limitar a quantidade ou estabelecer um critério claro de quantas vezes uma igreja deve se reunir em um sínodo.
CAP 31:2
Aos sínodos e concílios compete decidir ministerialmente controvérsias quanto à fé e casos de consciência, determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo da sua Igreja, receber queixas em caso de má administração e autoritativamente decidi-las. Os seus decretos e decisões, sendo consoantes com a Palavra de Deus, devem ser recebidos com reverência e submissão, não só pelo seu acordo com a Palavra, mas também pela autoridade com que são feitos, visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus, designada para isso em sua palavra(1). Ref.: 1- At 16:4; 15:19, 24, 27–31; Mt 18:17,20
Ora, se presbíteros são autoridades instituídas por Deus, quando eles se reúnem, estão apenas discutindo com outros para que possam chegar a uma solução cabível considerando os vários conselhos. Dito isso, não há uma autoridade particular distinta no concílio, antes, ela flui diretamente do fato de serem autoridades constituídas que se reúnem para resolver uma causa ou demanda. Cabe, porém, notar, que os casos bíblicos que vemos de concílios não passam a decidir todo tipo de questão, mas apenas aquelas que perturbam os cristãos por perverterem a fé (como em Atos 15) ou para informar um grande ocorrido (como Atos 20), sem discussão específica. Portanto, para além disso, não vemos nenhuma decisão conciliar presente nas Escrituras ou que elas deem base ou sustentação.
A questão é que este tipo de coisa ocorre para que haja união na igreja: ora, se a igreja pode sempre conferir na escritura para saber se o que o concílio decidiu é bom então tal concílio é inútil. A questão é que a razão para o concílio existir é especificamente a dúvida da igreja, naquilo que ela não tem capacidade de decidir, tornando, assim, o concílio a reunião daqueles que resolverão essa crise. A utilidade do concílio de Jerusalém foi justamente esta: a lei ordenava a circuncisão, porém os apóstolos diziam ser ela desnecessária, então, o que deviam os crentes fazer? A conclusão é óbvia: não é necessário se circuncidar, pois isso é uma sombra da lei. A igreja precisa apenas guardar os mandamentos, não as sombras. Se os crentes tivessem capacidade de saber isso, logo, o concílio seria inútil por si (lembre-se de que também não haviam bíblias nas casas das pessoas para consultarem, o que torna a necessidade de concílios hoje mínima, exceto para definir o nível em que uma doutrina é ou não importante para as igrejas que se dividem por causa dela).
CAP 32:3
Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática, mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa(1). Ref. 1- At 17:11; 1 Co 2:5; 2 Co 1:24.
Nenhum texto citado pela CFW diz o que ela afirma neste capítulo, nem de longe. O problema é que a questão do sínodo é apenas circunstancial. Ora, temos autoridades, qual o problema de elas decidirem em conjunto a mesma coisa? Nenhum, afinal, são autoridades. A Escritura nunca tentou justificar o papel dos sínodos, pois é natural que autoridades busquem outras nas quais confiam para auxiliarem ou tomarem decisões em conjunto. Essa tomada de decisão em conjunto pressupõe erro possível das autoridades, ou seja, implica que elas se sentem incapazes de resolverem sozinhas os problemas que defrontam, quer por incapacidade de poder ou por incapacidade de entender completamente o que fazer.
Assim, se autoridades individuais podem errar, é óbvio que autoridades em conjunto podem, pois o que elas decidem em conjunto é apenas a soma das concordâncias individuais com as ideias individuais de quem conseguiu olhar sob um prisma diferente. E isso explica a razão do porque a CFW é criticável, já que, no fim, não foi um poder místico que decidiu o que nela está, mas foram opiniões particulares (algumas certas e outras erradas) que convenceram a maioria ou quem tinha poder — só isso. Este é o motivo que torna possível não só que discordemos dela, mas que apontemos erros sem medo, visto que aquele que se apega ao erro está, em conjunto, errado.
Obs.: muitos podem nos acusar de ‘nominalistas’, por supostamente reduzirmos a realidade. A questão é: desde quando acusar alguém de nominalismo é acusar de pecado ou erro? Não estamos propondo uma filosofia, que precisa verificar seu nível ou não de nominalismo. Estamos tratando de escritura e, a menos que se prove pela escritura o erro, podem nos chamar de qualquer termo filosófico que não fará diferença.
É evidente que dirão: basta não estar em uma igreja confessional, não acabe com a confessionalidade das igrejas. Mas não estamos querendo acabar com a confessionalidade, apenas querendo corrigir os erros. Aqueles que se opõem a isso o fazem por tolice e teimosia, não por crerem na escritura. Além disso, a mudança é justamente o que confessionalidades precisam esperar, pois é factível que os sínodos podem errar. Portanto, que orgulho é este que cerca estes homens que dizem “haver erros na confissão, mas nunca encontra-se nenhum”? É simples: eles pegam as escrituras e as comparam à confissão, e não a confissão às escrituras. Assim, sempre dirão, por certo temor, que a confissão possui erro, mas jamais assumirão nenhum erro porque não leem a confissão pela escritura.
CAP 31:4
Os sínodos e concílios não devem discutir, nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica; não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado, a não ser por humilde petição em casos extraordinários ou por conselhos em satisfação de consciência, se o magistrado civil os convidar a fazê-lo(1).Ref.: 1- Lc 12:13, 14; Jo 18:36; Mt 22:21.
Apesar de nenhum texto afirmar o que afirma a CFW aqui (pois isso é meramente administrativo), é evidente que se uma autoridade civil exigir um posicionamento de um grupo eclesiástico não há razão para negar. Não estamos contra os reinos do mundo, apenas somos um reino distinto e separado.
- Conclusão:
Confissões são boas, se apenas resumem o conteúdo da fé;
Porém, são falíveis e devemos apontar seus erros;
Sendo falíveis, podem mudar.
메타데이터
- post_id
- a3d86e57c2c6
- slug
- confissão-de-fé-de-westminster-cap-31-dos-sínodos-e-dos-concílios-a3d86e57c2c6
- url
- https://medium.com/@MagosXenos/confiss%C3%A3o-de-f%C3%A9-de-westminster-cap-31-dos-s%C3%ADnodos-e-dos-conc%C3%ADlios-a3d86e57c2c6
- canonical_url
- https://medium.com/@MagosXenos/confiss%C3%A3o-de-f%C3%A9-de-westminster-cap-31-dos-s%C3%ADnodos-e-dos-conc%C3%ADlios-a3d86e57c2c6
- author_url
- https://medium.com/@MagosXenos
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-06-15 20:49:13