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O avanço tecnológico, nos últimos anos, está sendo conduzido por uma aceleração galopante, com as…

Nessa onda das inovações tecnológicas, a IA (Inteligência Artificial) tem despertado a atenção de muitos, pois, por intermédio de…

José Luiz de Paula Neto · 2023-04-06 23:53 · 0 claps · 3.9 min read
#tecnologia #inteligencia-artificial #ético
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por José Luiz de Paula Neto

por José Luiz de Paula Neto

O avanço tecnológico, nos últimos anos, está sendo conduzido por uma aceleração galopante, com as inovações se tornando cada vez mais frequentes e impactantes. A Lei de Moore, que previu que a capacidade de processamento dos computadores dobraria a cada 18 meses, mostrou-se correta, e estamos presenciando um crescimento exponencial da tecnologia. Por exemplo, a internet foi criada há menos de 30 anos, mas já se tornou uma parte fundamental da vida moderna. A tecnologia de smartphones, que tornou possível acessar a internet a partir de qualquer lugar, surgiu há aproximadamente 15 anos, mas já transformou a forma como as pessoas se comunicam, trabalham e se divertem.

Nessa onda das inovações tecnológicas, a IA (Inteligência Artificial) tem despertado a atenção de muitos, pois, por intermédio de aplicativos como ChatGPT, a máquina não apenas reproduz dados e informações criados pelo homem, mas também é capaz de gerar respostas para perguntas e fornecer informações sobre uma ampla variedade de tópicos.

Hoje, a IA é capaz de entender e interpretar a linguagem humana, tanto falada quanto escrita; consegue identificar e categorizar objetos, pessoas e lugares em imagens e vídeos e pode, ainda, tomar decisões com base em análise de dados e algoritmos. É capaz de automatizar muitas tarefas que antes eram realizadas por seres humanos, o que pode levar à substituição de algumas profissões ou a mudanças significativas nas tarefas que esses profissionais realizam.

Alguns exemplos de profissões que podem ser afetadas pela IA incluem: 1) Operadores de caixa: a automação de transações comerciais pode levar à redução da necessidade de operadores de caixa em supermercados e lojas; 2) Motoristas de veículos: com o desenvolvimento de carros autônomos, a necessidade de motoristas de veículos pode ser reduzida; 3) Trabalhadores de fábrica: a automação de tarefas de montagem e produção pode levar à redução da necessidade de trabalhadores de fábrica; 4) Contadores: a IA pode automatizar muitas tarefas de contabilidade, como a reconciliação de contas e a preparação de relatórios financeiros; 5) Advogados: a IA pode ser usada para pesquisar leis e jurisprudências, o que pode reduzir a necessidade de advogados para realizar essas tarefas; 6) Médicos: a IA pode ser usada para auxiliar em diagnósticos e análises de imagem, o que pode reduzir a necessidade desses profissionais.

É enorme o potencial de a IA alterar a posição de poder no mundo contemporâneo, pois, em se mantendo esse ritmo acelerado das inovações tecnológicas, haverá uma mudança no domínio do poder político. É certo que o avanço da IA irá provocar uma mobilidade social, com o surgimento de uma nova elite, formada por aqueles que conseguiram entender como explorar essas aplicações. É por isso que até mesmo o bilionário Elon Musk assinou uma carta pedindo uma pausa temporária no desenvolvimento da IA. (In.: https://exame.com/future-of-money/elon-musk-assina-carta-pausa-desenvolvimento-inteligencia-artificial/. Acesso em 06/04/2023)

Richard Susskind, professor de direito na Universidade de Oxford, escreveu em seu livro “The Future of the Professions: How Technology Will Transform the Work of Human Experts” sobre como a IA pode afetar a distribuição de poder político. Ele argumenta que a tecnologia tem o potencial de transformar as profissões e, por consequência, a forma como a sociedade se organiza e governa. Em relação à distribuição de poder político, Susskind explica que a IA pode desafiar a autoridade dos especialistas e profissionais que tradicionalmente detêm o poder nas democracias ocidentais. Ele sugere que a IA pode aumentar a transparência e a prestação de contas no governo, o que pode levar a uma maior participação e engajamento do público nas questões políticas.

No entanto, Susskind também alerta que a IA pode ser usada por regimes autoritários para reprimir a dissidência e manter o poder nas mãos de uma elite governante. Ele argumenta que, para garantir que a IA seja usada para promover a democracia e a justiça, é necessário um compromisso firme com a transparência, a responsabilidade e os direitos humanos (Richard Susskind and Daniel Susskind. The Future of the Professions: How Technology Will Transform the Work of Human Experts. First Edition. Oxford, United Kingdom, 2015)

A filósofa Susan Schneider, especialista em filosofia da mente e filosofia da tecnologia, argumenta que a IA pode eventualmente se tornar consciente, e que isso terá implicações profundas para a sociedade. Schneider também discute a possibilidade de uma singularidade tecnológica, na qual a IA se torna tão avançada que ultrapassa a inteligência humana (Susan Schneider. Artificial you AI adn the future of your mind. Princeton University Press. 2019).

As informações aqui expressas não são apenas elocubrações filosóficas e roteiros de filmes de ficção científica, mas sim contextos da vida real. Para quem nasceu na década de 1980, há apenas 40 anos atrás, era impensável uma tecnologia como o ChatGPT, capaz de criar textos e tomar decisões, muitas das quais com maior eficiência do que seria capaz o ser humano.

Diante de todo esse movimento, as discussões éticas devem considerar que a IA tem limitações e não pode substituir completamente o pensamento humano ou a tomada de decisões éticas. O filósofo Derek C. Schuurman enfatiza a importância da ética na construção e no uso da IA. Ele argumenta que é importante considerar os impactos sociais, ambientais e éticos da IA, e desenvolver sistemas que levem em consideração essas questões (Schuurman, Derek C. Artificial Intelligence: discerning a christian respons. In.: https://www.csca.ca/uploads/18Jan20SchuurmanDiscerningAI.pdf. Acesso em 06/04/2023).

Embora a IA possa ser usada para nos ajudar a resolver muitos problemas complexos, é importante reconhecer que ela não poderá substituir completamente o pensamento humano e a tomada de decisões éticas. O ser humano precisará tomar as rédeas desse avanço vertiginoso e fixar os parâmetros éticos para o desenvolvimento responsável dessa tecnologia.

José Luiz de Paula Neto é Advogado especializado em Direito Constitucional, Gestão Pública e Inovação Governamental, com atuação em políticas de desenvolvimento econômico, Lei de Liberdade Econômica, Smart Cities, consórcios públicos e Parcerias Público-Privadas (PPPs)


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