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Rolling Stone: há 56 anos revolucionando o universo cultural

Conceituada como uma das revistas mais conhecidas no mundo, a Rolling Stone ganha destaque principalmente pelos temas que aborda sobre o…

Anthony Bernardo Baruffi Buqui · 2023-03-20 20:52 · 3 claps · 4.8 min read
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Wiki topics: CUL · Culture & Media

Rolling Stone: há 56 anos revolucionando o universo cultural

Conceituada como uma das revistas mais conhecidas no mundo, a Rolling Stone ganha destaque principalmente pelos temas que aborda sobre o universo musical

O sucesso que acompanha a revista Rolling Stone vem desde sua criação em 1967, quando foi fundada pelo editor e publicador, Jann Wenner e pelo crítico musical Ralph Gleason. O objetivo na época, era trazer à tona as características da contracultura hippie e usar a repercussão gerada pelo público como uma forma de impulsionar o movimento. O primeiro número da Rolling Stone circulou em novembro de 1967, ainda em papel de jornal no formato tabloide, com o artigo principal sobre o festival de Monterey e trazendo uma foto de John Lennon na capa.

John Lennon caracterizado como o cabo Gripweed, personagem da comédia de humor negro ‘Como Eu Ganhei a Guerra’, dirigida por Richard Lester na capa da primeira edição. (Foto: Reprodução).

John Lennon caracterizado como o cabo Gripweed, personagem da comédia de humor negro ‘Como Eu Ganhei a Guerra’, dirigida por Richard Lester na capa da primeira edição. (Foto: Reprodução).

A partir disso, temas sociais relacionados a música, a política e a cultura popular se tornaram destaque nas páginas da revista, que aos poucos, estendeu seu leque com a apresentação de resenhas de álbuns, notícias do mundo dos famosos e análises críticas de tudo o que envolve o cenário cultural dos Estados Unidos.

Com a expansão do consumo, o periódico passou a circular em outros países e conquistar abrangência internacional, com edições que circulam atualmente na Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, China, Colômbia, Espanha, França, Índia, Indonésia, Itália e México.

Billie Eilish na edição mexicana (2020), Sia na capa australiana(2020) e Rita Lee na edição brasileira(2022).

Billie Eilish na edição mexicana (2020), Sia na capa australiana(2020) e Rita Lee na edição brasileira(2022).

David Bowie na capa francesa(2017),BJork na edição argentina(2022) e Taylor Swift na edição alemã(2017).

David Bowie na capa francesa(2017),BJork na edição argentina(2022) e Taylor Swift na edição alemã(2017).

DESIGN

Apresentada ao mundo com cara de revista tradicional, a estrutura e identidade visual acompanhou a evolução da mídia e mudou várias vezes ao longo do tempo. A estética da marca passou de retrô, a efeito 3D e, posteriormente, mais moderna com pegada jovial. Em 2018, quando houve a última alteração, optou-se por trazer uma identidade visual mais clean e alinhada à nova era da informação.

O projeto gráfico da revista é construído tendo a base na composição tradicional, mas com visão futurística onde a facilidade da leitura das informações e a compreensão das imagens associadas a elas é o principal objetivo, além de que a construção e exposição de nada mais do que ARTE na sua essência pura. As reportagens são bem distribuídas, por meio da diagramação em três colunas na revista física.

Abaixo, o vídeo de divulgação do projeto gráfico reformulado — lançado em 2018:

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COMPOSIÇÃO E CONTEÚDO

Os textos são, em sua grande maioria, curtos e há um cuidado especial em relação às grandes reportagens. No processo de diagramação, há a distribuição da matéria associado a grandes imagens, que além de ilustrar a matéria, dão respiro para a construção narrativa. Por pautar o dia a dia das celebridades, valores-notícia como notoriedade e relevância são comuns no conteúdo apresentado pela Rolling Stone. A fotografia é bem distribuída e constitui grande parte do conteúdo já que cada artista é convidado a realizar um ensaio especial para a edição.

Lana Del Rey em reportagem central da Rolling Stone mundial(2023).

Lana Del Rey em reportagem central da Rolling Stone mundial(2023).

Pautas que estão em destaque no mundo são abordadas no periódico, e assuntos como as *trends que viralizam no TikTok por exemplo, são facilmente encontradas como pano de fundo* das matérias do site. Alias, a revista tem apostado nessa nova plataforma: possui uma conta com quase meio milhão de seguidores onde posta inúmeros vídeos relacionados aos cantores. As redes sociais são uma grande porta de entrada para os consumidores, especialmente o público jovem, interessado muito mais por elementos visuais do que pelos verbais. Ou seja, instigado por leituras sucintas e objetivas, além de imagens.

A revista carrega uma grande responsabilidade no quesito de informar adequadamente a população em virtude de ser seguida por mais de 20 milhões de usuários (entre Facebook, Instagram, YouTube e Twitter). Toda a cobertura de eventos da música, política e cinema são amplamente difundidos pelo órgão que se utiliza muito de vídeos curtos nas redes sociais para isso. Há também o espaço para as críticas musicais, tanto nas redes sociais, revistas impressas e portais da empresa.

Rolling Stone aposta na ampliação de seu conteúdo da revista física com a interlocução de entrevistas e bastidores completos disponibilizados no YouTube. Todas as personalidades que são capas da revista aparecem também nas mídias alternativas, o que potencializa o alcance das produções, chegando mais rapidamente aos consumidores. A ideia de trazer algo que seja “mais leve” e fora da diagramação formal da revista vem ao encontro do que pode ser chamado de infotenimento — que é a informação somada ao entretenimento.

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Aliás, algo que atrai muitos leitores é justamente as grandes listas divulgadas em momentos estratégicos para a indústria cultural. A Rolling Stone aposta na opinião de seus críticos para eleger as melhores músicas, filmes, livros e conteúdos de televisão, o que, de certa forma, faz com que haja discussões e a repercussão por meio do buzz da internet de quem concorda com ela ou não. No Spotify, a revista criou diversas playlists com as listas elaboradas — você pode conferir neste link.

No site oficial ainda há a aba “RS Recomenda” onde constam produtos e produções culturais que de acordo com a revista devem ser consumidos e comprados pelos leitores, por possuírem qualidade superior às demais. Essa, talvez seja uma forma da revista arrecadar mais dinheiro, “vendendo” esse espaço para empresas que queiram divulgar produtos, como é o caso da JBL e Samsung que possuem inúmeras recomendações.

O regionalismo evidenciado na revista foca mais em atrativos culturais estadunidenses e também da destaque maior a Europa. Apesar de possuir edições simultâneas em diferentes países e hemisférios (o que descentraliza um pouco os lançamentos), a Rolling Stone principal não da tanta importância a assuntos desses lugares e tende a focalizar a atenção em produções culturais dos países desenvolvidos.

Edição mais recente da Rolling Stone com Lana Del Rey na capa(2023). Foto: Divulgação

Edição mais recente da Rolling Stone com Lana Del Rey na capa(2023). Foto: Divulgação

Apesar das críticas, a Rolling Stone segue sendo uma das revistas mais importantes do mundo por trazer para dentro do ambiente cultural questões que envolvem política e entretenimento e que acabam perpassando continuamente o cenário social. A revista é referência em avaliações de trabalhos e em mais de cinco décadas conseguiu se firmar também como uma formadora de opinião popular, influenciando a forma como se consome música, teatro, TV, cinema e demais produtos.


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