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QUINTA-FEIRA DE CINZAS

A cassação de um vereador em Amparo não deve ser motivo de comemorações, rojões aos céus e algo similar. A votação unânime de todos os…

Tito Psicólogo · 2020-02-29 03:15 · 0 claps · 6.7 min read
#quaresma #cassação #vereador #politica #violencia
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QUINTA-FEIRA DE CINZAS

A cassação de um vereador em Amparo não deve ser motivo de comemorações, rojões aos céus e algo similar. A votação unânime de todos os vereadores pela cassação nos revela algumas lições a serem assimiladas por todos os envolvidos direta ou indiretamente.

Foi na quinta-feira após o carnaval, então ‘de cinzas’ para a perda de um mandato.

1. BUSCA AOS CULPADOS

É natural por parte do condenado á cassação ‘sair’ em busca de culpados pelo ato final. Mas também este é um erro fatal para qualquer análise, pois diante do histórico de conhecimento público o primeiro e grande culpado pode ser facilmente encontrado.

É só dedicar uma atenção, com a mais profunda sinceridade, ao olhar no espelho e então terá um encontro necessário e importante se pretende resgatar novos caminhos com dignidade e credibilidade.

Esta busca não é fácil, porém é requisito para quem pretende evoluir de padrão comportamental. Se, ao contrário, não deseja mudanças, então que se quebre os espelhos.

2. OS ‘VIUVOS’ NAS CINZAS

Aqueles que debruçavam apoio incondicional ao cassado, agindo tal como numa idolatria, só enxergando um lado da moeda agora provavelmente sentem-se como que em uma viuvez, politicamente falando.

Seu ídolo foi alijado do poder e como tal poderá cair no ostracismo e esquecimento em breve. Então os ‘viuvos’ tal como torcedores do time perdedor ficarão durante uma quarentena de prontidão para acusações inúteis, pois o fato está consumado.

Estes aqui chamados de ‘Viúvos’ poderiam ter contribuído para outro encaminhamento se orientasse seu ídolo para um conjunto de posturas dignas de crédito. Mas em geral deram-lhe ‘parabéns’ como forma de apoio, ajudando assim na construção dos cenários favoráveis para esta deprimente cassação.

3. A DEMOCRACIA FERIDA

Outro momento inusitado que não pode ser deletado trata-se de uma manifestação ofensiva, quando uma Guarda Municipal veio a público e postou seu comentário a favor do cassado e rotulando de ‘politicagem’ que, segundo a mesma envolvia o ato da cassação.

Cabe registrar que um agente público, como um Guarda Municipal, mesmo sem legislação pertinente, não é cabível e nem aceitável a tomada de posição e principalmente o compartilhamento público (favorável ou contrário) a algum ato legislativo.

Se a servidora não conhece, existe um Estatuto da Guarda Municipal de Amparo que preza pela independência entre os poderes e prioriza o respeito pleno pelas decisões. Se de fato a Guarda Municipal desconhece seu Estatuto então cabe ao Comandante da Guarda Municipal reprimendas legais pela sua grave omissão.

Caso contrário, se a Guarda Municipal conhecia o Estatuto que regulamenta sua corporação, então lhe cabe, independente da sessão legislativa, uma ação corretiva, pois faltou com o respeito a um documento legal, abrindo-se assim um precedente para outras atitudes similares.

Adicione-se também que não cabe lógica alguma a servidora propor ameaças de levar à Justiça esta e outras declarações semelhantes em seu conteúdo, somente por ‘colocá-la’ diante da devida regra institucional aprovada pela Câmara Municipal de Amparo.

4. OS VENCEDORES QUE NÃO VENCERAM

Aos supostos opositores políticos cabem também reflexões quanto ao resultado final do processo de cassação. A oposição não ganhou nada com tal condenação.

Não que tal afirmação negue o direito de manifestação tal como ocorreu nas redes sociais e no corpo-a-corpo. Estas ações são pertinentes, necessárias e até saudáveis para a Democracia, pois quem só defende um lado é candidato a defender um sistema patológico chamado: ditatorial.

Ao dizer então que ‘não tiveram ganhos’ estou me referindo ás conquistas de novos espaços, de adeptos e de maior credibilidade; pois entendo que os cenários continuam os mesmos de antes da cassação. Cabe analisar que uma cassação legislativa não traz para o eleitor comum algum benefício objetivo e direto.

É desta forma que assim é percebido o ato de condenação.

A cassação que não diminui impostos, ou revela melhoria na circulação dos ônibus, ou a água fica mais barata. Ou quem sabe até em uma iniciativa ousada e inovadora, que poderia ser ‘milagreira’, mediante a oferta de gás pela administração com preços baixos, já que através de um processo licitatório iria comprar em grande quantidade por longo tempo.

A cassação, embora desejada pela maioria da população, não irá interferir na rotina cotidiana e dentro de alguns meses já cairá no esquecimento até dos bate-papos das mesas de bares.

5. AS VIÚVAS DA CASSAÇÃO

As senhoras que defendiam o vereador cassado certamente tem motivos para a frustração e relativa irritação ao terem que agora suportarem esta ‘derrota’. Mas faz parte do jogo democrático.

Se fizerem uma avaliação objetiva e sincera notarão que o próprio condenado é que foi construindo a sua ‘caveira’, com atos nada simpáticos, certo perfil de violência, um rol de comportamentos que eram percebidos como arrogante, grosseiro, torpe e nada democrático.

Até no meio politico de sua convivência certos integrantes sentiam-se incomodados com tal proximidade, pois a sua imagem como um todo contaminava parte do grupo político.

6. A VOLTA POR CIMA

As defensoras do ex-vereador então agora têm uma nova missão, a partir desta proposta oferecer ao condenado um apoio sim, mas no sentido de lhe convidar para esta reformulação comportamental e quem sabe, num futuro próximo, ‘dar a volta por cima’.

Esta ‘volta por cima’ poderá ocorrer desde que aprenda e apreenda sinais relativos á: humildade, simplicidade, respeito á adversidade, visão holística da realidade, melhorias na questão acadêmica (leitura-escrita), redução-eliminação de hábitos nada saudáveis (se por ventura os tenha), busca de apoio-orientação profissional, entre outros conteúdos importantes para o Ser Humano, antes mesmo do Ser Político.

Se por exemplo, na leitura deste texto, achar que não lhe serve, terá plena razão em assim concluir, pois não lhe servirá para nada mesmo.

Aliás, esta publicação não foi redigida para atender uma pessoa em especial, mas sim para reflexões de toda uma população de leitores.

7. A CULPA DO PREFEITO

Se podemos ousar apontar certa culpabilidade, creio que além do próprio condenado conforme já foi citado, temos a figura do Prefeito Municipal como ator crucial deste cenário. Como numa peça teatral na qual os atores devem seguir o script proposto pelo autor da obra, cabe á direção do espetáculo o encaminhamento de cada cena e ato para o sucesso do empreendimento.

O mesmo equivale para uma gestão municipal na qual o Prefeito Municipal municia seus secretários e afilhados políticos para ações, procedimentos e atos que venham consumar em resultados satisfatórios para a população.

Quando um Prefeito, que também é presidente do partido, dá retaguarda a um integrante de sua equipe, parecendo se omitir diante das falhas e erros que o mesmo comete publicamente, então pela omissão o dirigente municipal é culpado dada a sua conivência que determinou a presente condenação.

Por outro lado, se o Prefeito, embora ciente de todas as irregularidades, optou por ‘fazer de conta’ que estava tudo bem, mas de forma silenciosa até torceu para que a cassação viesse logo, então aí a culpa está consumada também com a falta de transparência.

Certo eleitor levantou até a hipótese, então mera hipótese do interesse de alguns dirigentes municipais quanto a cassação, pois a substituição do vereador cassado seria feita com a desejável posse de uma vereadora com melhor aceitação popular, oque não garante nada no futuro.

Então, se este jogo de xadrez político foi armado, conforme a hipótese deste eleitor, estamos diante de algo inusitado que não temos como confirmar, mas podemos suspeitar.

8. A INVEJA OU CIUMEIRA

Para assumir o lugar do cassado uma candidata suplente foi indicada para ocupar a vaga na vereança. Mal este ato tornou-se público, já no meio político surgiram comentários de que dentro da própria casa legislativa emergia sentimentos de ciumeira ou inveja por parte de alguns, temendo uma forte concorrência da vereadora, dada a sua popularidade.

Esta suposta democracia tem seus vieses, pois de acordo com os hábitos culturais e próximos das eleições municipais, não se pode descartar que a nova vereadora pretenda ascender em suas pretensões, embora se ficar ‘colada’ na imagem negativa do prefeito poderá pagar muito caro também por esta opção.

Ela já entra em cena como vereadora carregando um débito púbico de ter um parente em cargo de confiança ou comissionado. Se isto irá inibir sua liberdade de votação, não será com discursos que iremos conferir, mas sim com os posicionamentos públicos auferidos.

Eis mais um lance do ‘jogo de xadrez’ que dentro dos próximos sete meses onde os antigos e a nova vereadora terão pela frente com o desafio da baixa credibilidade política, o distanciamento da Câmara Municipal para com a grande maioria da população e as propostas nada aceitáveis como a do empréstimo de 16 milhões, da venda do SAAE, da ineficácia da administração, da inércia de muitos Cargos de Confiança, entre outros temas.

9. LEI DA COMPENSAÇÃO ?

Um outro foco adicional poderá se concretizar visando a compensação pela perda do cargo legislativo, se a administração municipal vier oferecer ao condenado um Cargo Comissionado. Esta seria uma tentativa de ‘agasalhar’ seu afilhado político devido ao ferimento do decoro parlamentar, então assim se concretizado estaremos diante de mais um ato nada moralmente digno.

Entende-se que Cargos de Confiança e/ou Comissionados em geral são ocupados por mera indicação ‘politiqueira’ conforme se pode verificar na cultura brasileira.

Este uso e abuso já convencionalmente praticado não valorizam os recursos públicos envolvidos nos pagamentos de honorários aos servidores contratados, e nem mesmo estabelecem relação objetiva de custo/benefício para com a população que é a responsável em gerar impostos que são revertidos nos salários dos servidores.

Esta distorção não deveria nem mesmo ser cogitada pelo ator principal deste cenário, pois estará também sendo conivente com um ato administrativo corrompido por uma imagem negativa perante a população.

Assim perderão a Administração Pública, o indicado ao Cargo de Confiança e a população com o desvio de seus recursos para mais um pagamento nada salutar.

E desta forma encerramos a QUINTA DE CINZAS, com muito glitter ainda espalhado pelas memórias da população, que agora aguarda a votação questionável dos 16 milhões de reais a serem pagos pelo povo, para um projeto de uma Cidade Digital, que ao invés disto poderia ser mais ousado na construção de uma CIDADE CRIATIVA com menor orçamento e maior compartilhamento junto com a população.

Tito, psicólogo CRP 06–1631–3

Autor do projeto “Uma Mensagem Pra Você” com mais de 3 milhões e 300 mil mensagens já distribuídas gratuitamente, desde 2010.


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