Nova greve, velhas reivindicações: os espaços estudantis sob ameaça
Paralisação reúne estudantes e servidores e retoma pautas históricas sobre permanência, condições de trabalho e sucateamento na…
Nova greve, velhas reivindicações: os espaços estudantis sob ameaça
Paralisação reúne estudantes e servidores e retoma pautas históricas sobre permanência, condições de trabalho e sucateamento na universidade
Na última quinta-feira (16), os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) demonstraram sua insatisfação com as primeiras medidas da gestão de Aluísio Segurado para a Reitoria, iniciando a primeira greve geral contra a nova administração da universidade. O movimento se une à greve dos trabalhadores técnico-administrativos da USP, iniciada na última terça (14).
Até o momento, 15 institutos, entre eles a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), a Escola de Ciências Humanas (EACH) e a Faculdade de Filosofia, Literatura e Ciências Humanas (FFLCH), já aderiram à paralisação por tempo indeterminado.

Imagem: Gabriel Albuquerque
Não é possível olhar para as mobilizações sem enxergar o passado. Há três anos, em 2023, os estudantes da USP também deflagraram greve geral e permaneceram por mais de 40 dias com as atividades paralisadas — ocasião, aliás, em que este jornal foi fundado. À época, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo) e a Adusp (Associação de Docentes da Universidade de São Paulo) aprovaram paralisações temporárias em solidariedade aos estudantes.
As lutas das três categorias — discentes, professores e funcionários — que compõem e constroem esta universidade são, e sempre foram, indissociáveis uma da outra.
No entanto, em meio à euforia da unidade dessas reivindicações, há um sentimento melancólico de, mais uma vez, se fazer necessária uma greve, tão semelhante àquela em 2023. Muitos anseios e denúncias permanecem os mesmos: precarização do trabalho dos servidores, falta de professores, péssimas condições de moradia no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), desincentivo à permanência estudantil, sucateamento de serviços da universidade — em especial no caso dos bandejões — e, talvez o que seja a novidade da greve atual, a ameaça descarada da reitoria contra os espaços estudantis.
A verdade é que a gestão da USP, que faz de tudo para que a universidade permaneça paralisada no tempo, enxerga a comunidade que a compõem com desprezo. Enquanto são aprovadas bonificações milionárias aos Docentes, os alunos são condenados a encontrar em suas refeições elementos indesejados, uma política de “Se não tem mofo, que comam larvas [do bandejão]”. Em uma universidade cada vez mais terceirizada e com menos concursos, a prioridade orçamentária não passa por aumentos reais para os funcionários de carreira da USP.
Numa disputa por direitos, seja ela sindical ou estudantil, cada um ajuda com aquilo no que é capaz, e é por isso que, após três anos, esse jornal retoma suas atividades em meio a um cenário diferente, mas ainda muito parecido ao deixado em 2023. Nesse momento, mais do que nunca, é preciso se ater à função principal do jornalismo, democratizar o acesso à informação, investigar e denunciar. O Jornal A Greve vem, em sua segunda encarnação, unificar as vozes da maior universidade da América Latina.
메타데이터
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