← Back to list

MAGNUM | Resenha

Um estudo de personagem focado no superator iônico da Marvel.

Palanque do Marvete · 2026-01-29 15:49 · 0 claps · 4.6 min read
#magnum #wonder-man #simon-williams #marvel #resenha
Open on Medium ↗

MAGNUM | Resenha

Um estudo de personagem focado no superator iônico da Marvel.

Simon Williams foi criado por Stan Lee, Don Heck e Jack Kirby e estreou na revista “The Avengers” #9, de outubro de 1964. Trata-se de um herdeiro de uma empresa concorrente das Indústrias Stark que investe em empreendimentos ilícitos para tentar salvar seu patrimônio. Movido pelo ódio contra Tony Stark, Simon aceita ser cobaia dos experimentos do Barão Zemo, adquirindo superpoderes e tornando-se o Magnum para se infiltrar nos Vingadores como parte dos Mestres do Terror. Porém, ele se redime no último instante e se sacrifica para salvar os heróis. Anos depois, Williams volta à vida, nutrido por energia iônica, e descobre que seus padrões cerebrais foram usados para a criação do sintozoide Visão. Eventualmente, ele se torna membro dos Vingadores.

Em “The Avengers” #181, por David Michelinie e John Byrne, de março de 1979, sentindo-se desconfortável com a vida de super-herói, Magnum deixa a equipe e decide tentar a carreira como ator de cinema em Hollywood. É essa decisão que serve de base para a adaptação do personagem no Universo Cinematográfico Marvel na ótima série ‘Magnum’, criada por Destin Daniel Cretton e Andrew Guest. A narrativa é focada em dissecar seu protagonista, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, em vez de se mover por uma trama mais elaborada, evitando a origem e as complicações das histórias em quadrinhos.

Pôster oficial de ‘Magnum’ (2026), da Marvel Television.

Pôster oficial de ‘Magnum’ (2026), da Marvel Television.

O enredo não apresenta nenhum plano de vingança, nenhuma experiência secreta ou mesmo grandes embates com superpoderes, o que seria esperado de uma típica produção de super-herói, especialmente nesta, tendo em vista o intricado histórico de Simon Williams nas HQs. O que se tem é uma trama simplificada — que se inspira no que de mais interessante foi feito com o personagem nos gibis –, na qual um ator tenta conseguir o papel principal em um remake do filme dos anos 1980 ‘Magnum’ e, para isso, precisa moderar seu método e controlar suas crises de ansiedade, a fim de não manifestar seus poderes e ser impedido de atuar.

A partir desse argumento, abordam-se a psicologia, as motivações e as falhas de Williams. Ele tenta há anos se inserir no show business, mas sem sucesso, sofrendo perdas constantes, seja de papéis, seja de parceira, porque ele é um ator metódico muito dedicado e, portanto, difícil de lidar; um defensor da própria visão criativa ante as imposições de roteiristas e diretores. Isso não é capricho, mas a pura paixão de uma alma sensível pela atuação. O roteiro constrói essa personalidade com muito cuidado, adicionando camadas a ela, em um ritmo lento que acompanha o cotidiano difícil da preparação para testes, da gravação de videotapes e das reuniões familiares. Simon é um ator obcecado, solitário, desacreditado e perdido — pelo menos até Trevor Slattery (Ben Kingsley) aparecer na mesma sala de cinema que ele, durante uma sessão de ‘Perdidos na Noite’ (1969).

Marcado por sua atuação como o terrorista Mandarim, da qual não se orgulha e tenta deixar no passado, Trevor surge não apenas como um alívio cômico controverso, conforme visto em suas aparições anteriores, mas como um artista mentor que entende a interpretação como um chamado, um espelho para a natureza. Sua sensibilidade dramática vai além da piada, sendo substancial para apoiar Williams em sua jornada pelo papel. Juntos, eles seguem para agarrar uma chance, após tantas oportunidades perdidas. A dinâmica entre eles é ótima de acompanhar, cheia de comentários e referências sobre nomes e obras de impacto no mundo do cinema. Há, porém, ambiguidade em Slattery, que, de fato, está trabalhando para o Controle de Danos, organização que caça indivíduos aprimorados na sociedade.

Deve-se mencionar o episódio dedicado ao obscuro personagem DeMarr Davis (Byron Bowers), o Porta, um porteiro de bar que, por acidente, adquire superpoderes, salva pessoas e alcança uma carreira meteórica na mídia. Por não conseguir se reinventar, seu engajamento cai, ele enfrenta o cancelamento e perde a relevância. Na tentativa de se reerguer, Davis protagoniza uma situação trágica com o ator Josh Gad (sua participação é hilária), o que provoca a proibição de pessoas aprimoradas em produções de cinema e televisão. A inserção desse episódio é pontual, mas muito inspirada, pois não somente enriquece o contexto, como também agrega qualidade ao conjunto da série. Entende-se muito das preocupações de Simon Williams devido a isso.

O filme ‘Magnum’ está sendo reimaginado pelo diretor Von Kovak (Zlatko Burić). Conferir importância a esse remake é um desafio filosófico, afinal, o que significa um filme de super-herói em um mundo onde super-heróis são reais? Para Simon, esse personagem é humano e espetacular. É o herói favorito de sua infância, que ele assistiu ao lado do pai e que despertou seu sonho de atuar. Há sátira ácida na abordagem dos bastidores, inclusive na conclusão, quando surge uma saída para encobrir os poderes do protagonista, na forma de um atentado terrorista contra Hollywood e seus opiáceos de lavagem cerebral, os próprios filmes de super-heróis. Mas apesar desse tom, a seriedade com que Williams percebe tudo isso é o que realmente se sobressai.

A série não dá explicações sobre a origem dos poderes de Simon, apenas revela que sua natureza é baseada em energia iônica, como nos quadrinhos, e os coloca na tela de maneira intrigante. Suas manifestações ocorrem em momentos de grande pressão, frustração e decepção, servindo como uma exteriorização visual de seus conflitos internos. É curioso como o enredo não cede à quase obrigatoriedade de colocar essas habilidades a serviço da proteção de outros em mais de um instante de necessidade, o que transformaria Williams em um super-herói por acaso. Isso não acontece. Todavia, me questiono se há futuro para esse personagem, da forma como ele foi explorado, se suas virtudes se manterão caso se torne um herói para além das telas de cinema. É uma questão que espero que a Marvel responda, pois o interesse despertado é verdadeiro — o que é ótimo, pois é exatamente isso o que deve justificar a existência de continuações dentro da narrativa maior do MCU.

‘Magnum’ simplifica o complicado e foca no que de mais relevante existe sobre Simon Williams nos quadrinhos para realizar um estudo de personagem e transformar a controvérsia em sensibilidade nesta ótima adaptação, que constrói um laço de amizade para o alcance de um sonho e serve como um exemplar do que de melhor a Marvel pode produzir para a televisão.

Ícaro Rodrigues

Não perca os demais textos sobre filmes, séries e quadrinhos da Marvel por aqui!

Siga o Palanque do Marvete no **X (antigo [Twitter](https://twitter.com/PalanqueMarvete?t=dQZC8iO3E1NmNsGHGSIo6A&s=09)**)!

Siga o Palanque do Marvete no **Instagram**!

*Para quem gosta do Palanque do Marvete, caso queira e possa fazer uma colaboração a fim de ajudar na continuidade da produção de conteúdo por aqui, o PIX é: *e50b9d4f-5f8d-40b1–99c8–7507d554b326

Ajuda muito também deixar um comentário e 50 aplausos nesta publicação, clicando no ícone de aplauso abaixo!

Tá falado!


메타데이터
post_id
a74ec18c99ff
slug
magnum-resenha-a74ec18c99ff
url
https://medium.com/@palanquedomarvete/magnum-resenha-a74ec18c99ff
canonical_url
https://medium.com/@palanquedomarvete/magnum-resenha-a74ec18c99ff
author_url
https://medium.com/@palanquedomarvete
status
ok
fetched_at
2026-07-13 06:23:13