Dilma Rousseff
Dilma Rousseff é uma economista e política brasileira, nascida em 14 de dezembro de 1947 em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff é uma economista e política brasileira, nascida em 14 de dezembro de 1947 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma das principais instituições de ensino superior do Brasil. Ela se formou em 1977 e, logo depois, começou a trabalhar como assessora do governo estadual do Rio Grande do Sul.
Antes de ingressar na UFRGS, Dilma Rousseff estudou na Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser, também no Rio Grande do Sul. Depois de se formar em economia, ela fez uma pós-graduação em teoria econômica na mesma instituição.
A formação acadêmica em economia foi importante para a trajetória política de Dilma Rousseff, pois ela se tornou uma das principais responsáveis pela formulação da política econômica do governo brasileiro nos anos 2000, quando foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, e posteriormente, quando se tornou presidente do Brasil em 2011.
Militante torturada durante a Ditadura
No entanto, durante a sua juventude, no Brasil, estava ocorrendo a ditadura militar no Brasil, que durou de 1964 a 1985. Dilma Rousseff foi uma militante de esquerda e participou da luta armada contra o regime. Ela se juntou ao Comando de Libertação Nacional (COLINA) em 1967 e, mais tarde, ao Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Na época, a presidente Dilma Rousseff era uma das líderes do movimento e foi presa em janeiro de 1970, pela Operação Bandeirante.
Ela foi levada para o centro de tortura conhecido como “Tortura Nunca Mais”. Lá, ela foi torturada e interrogada por semanas antes de ser transferida para a prisão feminina de Tiradentes, em São Paulo. Durante o período em que esteve presa, Dilma Rousseff foi acusada de diversos crimes, incluindo atividades subversivas e porte ilegal de armas.
Em relato para a Comissão Estadual de indenização às Vítimas de Torturas de Minas Gerais, em 2001, Dilma relatou as torturas que sofre e como teve um dente arrancado, translocação do maxilar, hemorragias, choques elétricos, foi levada ao pau de arara e a palmatória.
Abaixo estão alguns trechos das entrevistas de Dilma sobre seu período como presa política durante e ditadura militar brasileira.
Na foto acima, que é uma memória incrível para ser revisitada pela História do povo brasileiro, é possível ver Dilma Rousseff sendo interrogada durante a ditadura militar. Enquanto ela está serena, com o rosto a mostra, os militares se escondem para não serem reconhecidos. A vergonha eram daqueles que torturavam e não dos torturados.
“Fiquei presa três anos. O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente o resto da vida.”
“A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar”.
“Uma das coisas que me aconteceu naquela época é que meu dente começou a cair e só foi derrubado posteriormente pela Oban. Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz completou o serviço com um soco arrancando o dente”.
“Acho que nenhum de nós consegue explicar a sequela: a gente sempre vai ser diferente. No caso específico da época, acho que ajudou o fato de sermos mais novos, agora, ser mais novo tem uma desvantagem: o impacto é muito grande. Mesmo que a gente consiga suportar a vida melhor quando se é jovem, fisicamente, mas a médio prazo, o efeito na gente é maior por sermos mais jovens. Quando se tem 20 anos o efeito é mais profundo, no entanto, é mais fácil aguentar no imediato.”
“Quando eu tinha hemorragia — na primeira vez foi na Oban — pegaram um cara que disseram ser do Corpo de Bombeiros. Foi uma hemorragia de útero. Me deram uma injeção e disseram para não me bater naquele dia. Em Minas Gerais, quando comecei a ter hemorragia, chamaram alguém que me deu comprimido e depois injeção. Mas me davam choque elétrico e depois paravam. Acho que tem registros disso até o final da minha prisão, pois fiz um tratamento no Hospital de Clínicas.”
“Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro”, relata.
Dilma Rousseff foi solta em 1973, em um acordo de troca de prisioneiros políticos entre o governo brasileiro e o Movimento de Libertação Nacional (MOLINAS), um grupo guerrilheiro argentino. Após ser solta, ela se exilou no Chile e, posteriormente, na França.
A participação de Dilma Rousseff na luta contra a ditadura militar no Brasil é vista como uma das suas principais experiências políticas e uma parte importante da sua biografia.
Aqui está um vídeo dela falando sobre a sua experiência durante a ditadura e os vestígios deixados por ela: https://www.youtube.com/watch?v=FupRtchCB1A
Após a redemocratização do Brasil, Dilma Rousseff se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) e assumiu diversos cargos no governo. Em 2003, foi nomeada Ministra de Minas e Energia pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2005, assumiu o Ministério da Casa Civil, tornando-se uma das principais assessoras de Lula.
Presidenta do País e o Golpe
Em 2010, Dilma Rousseff concorreu às eleições presidenciais pelo PT e foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil, com 56% dos votos. Durante seu mandato, Dilma Rousseff enfrentou diversos desafios, incluindo a crise econômica mundial de 2008 e as manifestações populares que ocorreram em 2013. Em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita para um segundo mandato.
Em 2016, Dilma Rousseff foi afastada da presidência pelo Congresso Nacional em um processo de impeachment. Ela foi acusada de cometer crimes de responsabilidade fiscal que já era realizados anteriormente por outros líderes políticos. A presidente sofreu um golpe político.
O golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff no Brasil é um assunto controverso e polarizador. Muitas pessoas foram vítimas da manipulação de massas para apoiar o golpe de tal maneira que ele logrou o sucesso. Ele foi um movimento político para remover Rousseff do poder.
Houveram interesses econômicos por trás do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no Brasil. O impeachment foi um movimento político liderado pelos setores mais conservadores do país e apoiado por grandes empresas e investidores que estavam insatisfeitos com as políticas econômicas do governo de Rousseff. Essas políticas incluíam a introdução de medidas de controle de preços e a criação de programas de redistribuição de renda.
Para boa parte da imprensa internacional, a divulgação do áudio das conversas entre o ministro Romero Jucá (PMDB-RR) o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado reforça a tese de que o processo de impeachment de Dilma Rousseff teria sido arquitetado. A imprensa nacional estava dividida e ela foi um grande pivô no golpe contra Dilma.
Os jornais britânicos “The Guardian” e “Financial Times”, assim como o americano “New York Times”, o alemão “Deutsche Welle” e o argentino “Página 12” na época escreveram que haviam indícios de conspiração contra a presidenta eleita Dilma Rousseff como artífice para abafar mais facilmente denúncias de corrupção contra empresários e políticos associadas a operação lava jato.
Esses são os trechos da conversa entre o ministro e o empresário comprovando tal teoria (áudio completo em https://g1.globo.com/politica/noticia/2016/05/leia-os-trechos-dos-dialogos-entre-romero-juca-e-sergio-machado.html):
ROMERO JUCÁ — Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO — Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ — Sim.
MACHADO — Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ — Eu acho que…
MACHADO — Tem que ter um impeachment.
JUCÁ — Tem que ter impeachment. Não tem saída.
[…]
JUCÁ — Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[…]
MACHADO — Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ — Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

Esses áudios deixam evidente que o golpe contra a presidenta Dilma foi arquitetado por diversos outros políticos que não tinha interesse em deixar ela no poder no Brasil.
Liderança nos BRICS
Durante o seu mandato como presidente do Brasil, Dilma Rousseff teve uma importante participação na criação do Banco do BRICS, que é uma instituição financeira multilateral formada pelos países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A ideia de criação do banco foi apresentada pela primeira vez em 2012, durante a 4ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, na Índia. Em 2014, durante a 6ª Cúpula do BRICS, realizada em Fortaleza, no Brasil, foi assinado o acordo para a criação do banco e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), que é um mecanismo de apoio financeiro mútuo entre os países membros do BRICS.
Dilma Rousseff teve um papel importante nas negociações para a criação do banco e do ACR, defendendo a necessidade de uma maior cooperação financeira entre os países emergentes e em desenvolvimento. Como resultado, o Banco do BRICS (ou também chamado de Novo Banco de Desenvolvimento) foi oficialmente inaugurado em julho de 2015, em Xangai, na China, com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos países membros.
Desde então, o Banco do BRICS tem financiado diversos projetos em áreas como energia, transporte, telecomunicações, entre outras, em diferentes países do bloco. A participação de Dilma Rousseff na criação do banco é vista por muitos como uma das suas principais realizações enquanto presidente do Brasil, e um exemplo de como a cooperação entre os países emergentes pode ser benéfica para o desenvolvimento global.
A ex-presidente da República Dilma Rousseff foi eleita em março de 2023 como presidente do Banco do Brics. Dilma presidirá o NDB até julho de 2025, quando acaba o mandato do Brasil no comando da instituição financeira, que tem sede em Xangai, na China.
Além disso, Dilma Rousseff tem se dedicado a atividades políticas e sociais, participando de debates e palestras em diversos países.

Dilma Rousseff é uma figura importante para o feminismo da atualidade com seu posicionamento político e econômico fortes e íntegros. Ela foi a primeira Presidenta do país. Dilma é um exemplo de luta, superação e coerência, e uma figura de destaque na contemporaneidade como uma mulher que foi de frente contra as estruturas opressivas e promoveu políticas de equidade socioeconômicas durante o seu governo.
Referências:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-03/dilma-rousseff-e-eleita-presidente-do-banco-do-brics#:~:text=A%20ex%2Dpresidente%20da%20Rep%C3%BAblica,posto%20desde%20julho%20de%202020.
https://pt.org.br/imprensa-internacional-repercute-audios-que-comprovam-conspiracao/
https://g1.globo.com/politica/noticia/2016/05/leia-os-trechos-dos-dialogos-entre-romero-juca-e-sergio-machado.html
https://www.brasildefato.com.br/2016/05/26/audios-vazados-comprovam-tese-do-golpe-afirmam-movimentos-populares
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