Porque Michel Temer não cai
O “Fora Temer” é, incorretamente mas merecidamente, associado ao “Volta PT”. E ninguém quer isso.
Porque Michel Temer não cai
O “Fora Temer” é, incorretamente mas merecidamente, associado ao “Volta PT”. E ninguém quer isso.

“Aguarda um pouco Temer, deixa só eu cagar o país inteiro que eu te dou a presidência de presente. Mas vou gritar um pouquinho que foi golpe, Ok?”
Data: 17 de maio de 2017. Era uma quarta-feira de outono típica. Ao final da noite, futebol. E, pra quem como eu e como a maioria dos Brasileiros, gosta de futebol, era uma noite especial: 4 times brasileiros disputando uma vaga na Libertadores. Dentre eles, o Flamengo, time de maior torcida do Brasil , jogando na Argentina por um empate contra o San Lorenzo. O Flamengo lutava contra a “Triste Sina” de eliminações vexaminosas em libertadores neste século — Das 7 edições disputadas neste século, apenas em 2, 2007 e 2010, o time não foi eliminado em alguma especie de vexame histórico ou momento tragicomico— e outra eliminação igual seria um desastre. A Chapecoense, que virou o 2º time de todo Brasileiro após o desastre de 2016, foi até Lanús, na Argentina, para um tudo-ou-nada contra um dos melhores futebois apresentados na edição. E o Santos foi até La Paz enfrentar o The Strongest que se não é forte como o nome sugere, sempre conta com a altitude boliviana para ganhar dos adversários. O Santos empatou e se classificou, a Chape venceu um jogo histórico, mas que teve resultado anulado na justiça, e o Flamengo mais uma vez sofreu uma eliminação traumática, com direito a virada no ultimo minuto, beneficiando assim o 4º time que jogava na noite, o Atlético Paranaense, que, tendo poucas esperanças, contou com a derrota do Flamengo e venceu a Universidad Católica no Chile com 3 gols nos ultimos 15 minutos, incluindo o final de um improvável Carlos Alberto, e avançou na competição.

William Arão lamenta a eliminação, enquanto jogadores do San Lorenzo comemoram o gol que classificou a equipe argentina.
Com uma noite histórica de futebol dessas, era improvavel que uma noticia fora do esporte virasse a principal noticia da noite. Apenas uma bomba nuclear ofuscaria tal noite dos times. E a bomba nuclear foi detonada, em Brasilia: Instantes após o começo do jogo do Santos, que começou mais cedo pela diferença de fuso horário entre Brasilia e La Paz, a Rede Globo faz um plantão especial, de vários minutos, aonde o então presidente Michel Temer aparece com o “empresário” Joesley Batista, investigado na Lava-Jato como Temer, autorizando a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Motivo suficiente para a renuncia do então presidente Michel Temer, ou de seu impedimento pelo congresso, correto?

E tá se mantendo até hoje.
Errado. Completamente errado. Em um pronunciamento no dia seguinte, o então presidente Temer deixou bem claro que não só não pretendia renunciar como ainda lutaria para se manter no poder. No congresso, teve 2 pedidos de impeachment confortavelmente rejeitados. E embora a reforma da previdencia, uma alteração fundamental e impopular, que mexe com poderosos lobbys que dizem defender o povo mas não defendem nada além de seus próprios interesses encontre uma resistência imensa na câmara, de um modo geral Temer tem avançado bem com sua agenda. O então presidente Temer, é, até hoje, o então presidente, e sua popularidade, que nunca foi nada além de muito baixa, exceto num primeiro momento em que o trauma com o PT era tão grande que até Satanás em carne teria uma popularidade boa caso assumisse, começou apresentar alguns sinais timidos de recuperação, depois de chegar a um piso de 3%— incluindo até mesmo 0% entre os jovens . Embora os institutos de pesquisas brazucas, com seus donos filiados a partidos politicos e metidos em todo tipo de tramoia não sejam as instituições mais confiaveis, era bem óbvio que a popularidade de Temer era nula. A pergunta é: Porque Temer não caiu?

“Não renunciarei; Repito: Não renunciarei”
Um erro comum é que o Discurso anti-golpe só começou a ser aplicado no contexto do impeachment de Dilma e da ascensão do PMDB e de supostas “forças conservadoras” —palavra de abuso da esquerda para “todo e qualquer que não faz parte do meu grupinho iluminado” — , para deslegitimar as atuações de certos parlamentares do PSDB e do PMDB, em especial Aécio Neves e Eduardo Cunha, na oposição a Dilma Rousseff. Esse engano é tão comum quanto fatal. O termo “Golpe” já era senso-comum no léxico do PT pelo menos desde o fim da era “Lulinha paz-e-amor” como basicamente sinonimo de “ser oposição ao Petê e ao Lula”. Basta lembrar aqui de um propagandista do PT em blog sujo, que eu não terei o desprazer de citar seu nome, se referindo na sua privadinha virtual a toda imprensa como o PIG- O “Partido da Imprensa Golpista”Além da afirmação rídicula que a imprensa “é um partido político de oposição que quer golpe de estado” — lugar comum na narrativa petista e que quer tratar todo o eleitorado como os seus militantes mais cegos e fanáticos — , isso revela um fato curioso: Nossa oposição, liderada pelo PSDB e pelo PFL/DEM/Centro Democratico (não sei quantas vezes o partido que se originou na finada “Frente Liberal” em 1985 vai trocar de nome até o final desse artigo tentando parecer “Moderno, moderado e descolado” e se relançar, mas ao mesmo tempo com medo de serem tachados de “pederastas”, mas não de “Demos”), é completamente inócua, medrosa, similar ideológicamente, incapaz de mobilizar qualquer pessoa séria e de ser algo além de um mero depositário de votos de quem consegue enxergar como o PT é aberrante, mas não vê ninguém melhor ou com mais chances de tirar o PT. O que diferenciou isso, de 2015 pra cá, foi o alcance do discurso.

Foto das “Jornadas de Junho”. Da paranóia com o golpe a paranóia com a imprensa, toda ideologia petista que veio a tona no impeachment de Dilma. 3 anos antes do impeachment.
Como exposto acima, o PT sempre preparou um discurso pro dia que sairia do poder. E ao sair do poder, já com um discurso pronto, “testado” entre seus militantes e aprovado por eles, já investiu pesadamente nele, usando sua imensa rede de militantes, espalhadas por sindicatos, funcionários de estatais e de agências governamentais inuteis (se lembra da oposição a reforma da previdencia citado acima?), universitários radicalizados, academicos com a vida ganha nos 14 anos do PT, setores da imprensa que não existiriam se não fosse o investimento maciço em publicidade entre 2003 e 2016 e principalmente, setores da tal “midia golpista” —me pergunto se alguém fora do mundo sombrio da extrema-esquerda acredita verdadeiramente nisso em 2017 — mais incisivos em seu petismo, como se aquilo dependesse de suas vidas.

Franklin Martins, criador da TV Brasil, a popular TV Traço. Comunista assumido e figura de importância do jornalismo da “Golpista Neoliberal” Rede Globo até ser acusado de corrupção, virou ministro de comunicações na Era Lula, viveu distribuindo verbas pra revistas e blogueiros dóceis e foi o pai do delirio comunista do PT de criar uma “TV estatal alternativa” que seria um contraponto a “midia hegemonica neoliberal”. Esse delirio custou 6bi aos cofres públicos nos ultimos 10 anos — suficiente para expandir o bolsa familia para mais 12 milhões de pessoas no mesmo periodo, não sai do traço de audiência(Menos de 1% dos telespectadores) e só serviu pra empregar jornalistas fieis ao regime petista. Não a toa, foi um dos principais feudos aonde o “anti-golpismo” fez residência.
Sem nem ao menos Temer ter vestido a faixa presidêncial, o “Fora Temer” virou um coro de uma esquerda que via Lula como uma espécie de “Deus” ou queria uma versão radical do socialismo, aonde as únicas coisas que o governo não controlariam eram quantos abortos você faz por mês e quantos “homi/branco/cis/cristão/hetero” você assassinaria em nome da justiça social. O resultado foi óbvio: A extrema-esquerda monopolizou o discurso de tal forma que hoje, ao ver “Fora Temer”, o publico em geral não associa ao honesto desejo de ver Temer fora, compartilhado por 90% da população, mas ao desejo de uma minoria que quer Lula de volta a qualquer custo ou uma versão de Fidel Castro que é trans, come soja e fuma maconha.

Você já viu um ser humano desses no tinder… o ser humano normalmente é até bonitinho e você se sentiu tentado/a a dar like, mas leu a descrição e deu X. Sabemos disso, não precisa mentir.
A tal impopularidade de Temer, fato real e notório, sempre pode contar com uma ajuda involuntária da esquerda pra se manter, pelo bem ou pelo mal. Pelo bem porque o niilismo politico da esquerda verde-amarela-e-vermelha (bem mais vermelha que verde-e-amarela) impede que Temer, um sujeito não só corrupto e desonesto, mas históricamente, uma figura de destaque do esquerdista (embora muito longe do radicalismo existente no PCB, PCdoB, PDT e PT desde sempre e até o final dos tempos) PMDB paulista dos anos 1980, com um histórico de apoio ao aborto, casamento gay, propagação erronea do conceito de laicidade, células-tronco embrionárias, aumentos de impostos, submissão da soberania nacional a organizações estrangeiras e além do mais, durante os 14 anos do petismo, em pelo menos 13 deles usou sua posição de destaque no PMDB para ser um fiador do Petismo com deputados dos demais partidos que viam, apesar de toda a corrupção, o PT com receio. Aliás, tal postura esquerdista não é incomum no PMDB: Fundado como um partido de oposição a ditadura, sempre obteve sucesso em atrair quadros da nova, da centro e da velha esquerda. Certas figuras reconhecidas como não simpáticas a esquerda (Paes, Katia Abreu ou Cunha, por exepmlo) se juntaram ao partido não por um suposta adesão ideológica, mas pelo motivo inverso: O PMDB, com sua ideologia de ônibus cata-corno, sempre serviu de abrigo pra qualquer um que perdesse suas batalhas internas com os seus correligionários ou quisesse apenas continuar no adesismo e no carreirismo politico.

FHC e Lula fazendo campanha juntos em 1982. O primeiro, uma figura chave do MDB/PMDB de São Paulo durante os seus primeiros 20 anos, do qual Temer já era um membro destacado. O outro, já como lider eterno do PT. Ambos foram aliados até FHC assumir o ministério da Fazenda em 1993 e o niilismo politico do PT os colocarem em lados opostos. Até então, a tendencia de ambos os partidos era uma fusão para combater o que ambos viam como um mal: A esquerda brizolista e a direita conservadora, vista como “simbolos do atraso”. Vendo o desenrolar da política até hoje, dificil é acreditar que tal fusão não aconteceu, pelo menos de fato.
Pelo mal que a tal esquerda, com a sua ideologia de “to com Maduro, to com o Lacre, to com Lula e Dilma, to com Fidel e to com o peladão do museu”, sempre serviu de uma especie de Rei Midas ao contrário — Os famosos “Rei Merdas”, em que destroem tudo que tocam. O Efeito que tal esquerda teve em destruir qualquer chance de Temer cair é algo que DEVERIA ser estudado por gente séria — e o fato de que isso não é estudado só da razão a tal “extrema-direita”, um ente fantasmagórico existente na cabeça de jornalistas, acadêmicos “anti-sistemas” prontos pra repetir qualquer coisa que o sistema lhe mande e politicos carreiristas tentando posar de “moderados” e “democratas”, de que as universidades e os intelectuais são todos de “esquerda” e devem ser desacreditados, não só pelo fato óbvio de que uma manifestação contra um presidente “corrupto e impopular” não dá pra ser liderada por um partido notório pela sua corrupção e impopularidade correntes, mas sim pela postura sectária, de a cada vacilo de Michel Temer começar com:
“CADÊ OS BATEDORES DE PANELA????!!!!11111 É TUDO COXINHA ELITISTA MANIPULADO PELA GLOBO QUE TIROU A PRESIDENTA HONESTA DO PODER E SEUS 54 MILHÕES DE VOTOS DOS POBRES QUE ELA TIROU DA MISÉRIA E COLOCOU NO AVIÃO ESSES SEGUIDORES DO PATO AMARELO COM A CAMISA DA FIESP PRA COLOCAR ESSE MAXISTA RAXISTA FAXISTA ELITIXISTA ENTREGUIXISTA HOMOFOBICOXISTA NO PODER VOLTA LULA ALMA MAIS HONESTA DO PAIS”

Fracasso auto-explicativo.
O Discurso acima parece eum exagero cômico. Mas não é. É tão real quanto trágico. É gente que se acostumou a viver fora da realidade. É gente que assumiu que um palhaço mentiroso como Lula tem algo a mais do que uma vontade infinita de poder e vê neles meros defensores cegos, em que ele está pronto pra sacrificar em nome do poder, assim como fez durante 8 anos, com muito sucesso. É gente que acha que tem algum batedor de panela satisfeito com Temer. É gente que acha que a Globo é de “Direita” —fale isso pra um coxinha que bateu panela e ele vai te achar um retardado completo pronto pra comer capim se o Lula mandar— , e que CartaCapital, Emir Sader e outras loucuras tipicas do submundo pós-comunista são “jornalismo de verdade”. É o cansaço com um falso nacionalismo, um falso patriotismo, aonde falam tanto de patria, nacionalismo, soberania, mas o entendimento de “nação” se resume a sindicatos, empresas estatais, fundo de pensão, xenofobia psicótica com os EUA, e o povo, algo tão importante para qualquer nacionalista, se resume a “quem pode ser vitimizado”. Um nacionalismo em que se perguntar quem é o maior lider que o Brasil já teve, grande parte responde “Fidel”, “Lenin” ou “Pepe Mujica”. As panelas podem não soar mais, é verdade. Mas não porque tem alguém satisfeito. É porque basicamente pedir Fora Temer virou um volta PT, volta Lula, vem PSOL. Quem bateu panela em 2015 e 2016 pode até estar quieto agora. Mas hoje está louco pra chegar agosto de 2017 e terem a confirmação que algum candidato honesto, cristão e Patriota vai chegar lá e endireitar o Brasil da corrupção e dos resquicios de esquerdismo. É melhor ja irem se acostumando com esse fato. E fazer uma campanha tão polarizada que eu arrisco a dizer que vai ser, de fato, a primeira campanha presidencial baseada em visões de mundo, e não visões administrativas diferentes ou o debate de qual o melhor caminho pra se chegar no mesmo lugar em pelo menos 30 anos —falar que Aécio, Serra e Alckmin polarizaram alguma coisa e que 2014 foi a campanha mais “polarizada” da Nova Republica é coisa de gente que se o Lula mandar andar pelado engatinhando de Salvador até São Paulo anda com prazer e chamando ele de “pai dos pobres que tirou 54 milhões da pobreza e pos no avião”.

Enquanto presidente, Lula autorizou que Evo Morales — um notório comunista terceiro-mundista com ódio visceral a tudo que vem dos EUA — roubasse uma refinaria da Petrobrás sobre a desculpa de “soberania nacional boliviana”. Depois veio dizer que o “Petróleo é nosso” e a “Pretobas(sic) é do povo Brasileiro” enquanto dilapidava a empresa na corrupção. A sugestiva imagem de uma aparente “encoxada” de Evo em Lula, com um sorriso alegre da alma mais honesta é uma sintese perfeita da política externa de Lula e dos “nacionalistas” do PT.
Temer não vai cair. As chances já se passaram. 1 de Janeiro de 2019 ele passa a faixa pra alguém. O Fora Temer perdeu o folego. Pode ser o Mito, pode ser a alma mais honesta do Brasil, pode ser o PrefeiTOP, pode ser a Melancia, pode ser o Chuchu ou o China Gomes. Temer passa a faixa pra um desses. Lula QUER que as reformas de Temer passem, porque passando, pode pegar um país de novo engrenado, pode voltar com seu velho jeito de distribuir dinheiro público pra todo mundo, crédito a balde e corrupção massiva. Alías, pega o país MUITO MELHOR que pegou de FHC em 2003, o que lhe amplia o arco de oportunidades, de terceirizar para Temer os “ajustes impopulares” e já começar com o velho jeito PT de governar assim que pegar a faixa. Embora o Brasil de 2019 não seja o mesmo de 2003, em que o adesismo não vai acontecer com a facilidade que aconteceu na era Lula — até o PMDB quer ser ideológico agora — , Lula calcula isso e quer usar isso como algo a seu favor, num eventual 4º mandato. E as reformas de Temer passando, Lula se vê numa posição confortavel, de lidar só com o bônus dela e não o ônus.

Não é mais hora de gritar Fora Temer, companheiro militante
O problema é: Chegamos em dezembro de 2017. Lula basicamente mostrou um teto de 30%, embora pesquisas suspeitas forcem que ele tenha mais que isso. Com o ressecamento do “Fora Temer”, possivel embalo da economia pós-natal e ano novo — Em anos comuns a economia pós-natal apresentam uma queda, mas vindo da situação presente, de pouco dinheiro em caixa nas empresas e um consumo muito abaixo da real capacidade, a situação se inverte — , sua possivel condenação e volta a midia negativamente — convenhamos, qualquer um que não é petista sabe que Lula esteve MUITO MENOS na midia esse ano que Temer e o PMDB — , a tendencia é esse apoio secar. Entretanto, fatores que hoje favorecem para o principal rival dele, como corrupção, violência e crise nos estados, tendem a se agravar ou não apresentar melhoras significativas. E boa parte da esquerda já demonstrou disposição pra fazer dele uma versão brazuca de Donald Trump. E de Lula, uma especie de Hillary Clinton. É aguardar pra ver e quem viver verá (ou não).

Este homem pode ser o seu Donald Trump. Com alguns bilhões a menos, mesmo numero de casamentos e divórcios e mais filhos envolvidos na política.
메타데이터
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