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O valor social do artesanato

Como o artesanato local contribui para a identidade cultural e o desenvolvimento econômico

Gabriela Silva de Lima · 2025-08-26 23:40 · 0 claps · 2.6 min read
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O valor social do artesanato

Como o artesanato local contribui para a identidade cultural e o desenvolvimento econômico

Você sabia que a prática de artesanato movimenta por ano aproximadamente R$ 100 bilhões no Brasil, o que equivale a 3% do Produto Interno Bruto (PIB)? Esse dado oficial publicado pelo Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), demonstra a importância desse ofício para o país. Entretanto, mesmo diante desse cenário, os artesãos comentam se sentirem desvalorizados em sua profissão.

A artesã Delonice Braga, 54 anos, reclama que as pessoas não valorizam os seus produtos: “As pessoas acham que por não ser uma marca famosa não tem muito valor”. Ela rebate: “Sendo que se você olhar por outro lado, se trata de um produto exclusivo, que outras pessoas não terão igual”. Delonice comenta que isso acontece porque as pessoas não veem o tempo gasto, a seleção de materiais e todos os outros processos até o produto final.

Na Feira de Artesanato Trianon, na Avenida Paulista, em frente ao Masp, a artesã Marcia Shanlete também comenta sobre o assunto. “Poucas pessoas dão valor à mão de obra”, disse. “Aí, mas é tão caro” ou “É você a mesma coisa que faz?” São frases que Márcia escuta constantemente quando expõe seu trabalho na feira. Infelizmente, pensamentos e falas como essas críticas para a depreciação do trabalho manual.

Apesar da desvalorização por parte de algumas pessoas, por outro lado, o artesanato possui grande importância para a identidade local. Como citado anteriormente, cada produto é artesanal e de diferentes maneiras ele pode representar um estilo, uma tradição ou uma cultura. Quando questionado sobre um dos efeitos da Feira de Artesanato Trianon, Lindolfo Santos, coordenador da feira, afirmou que pela Avenida Paulista é um ponto turístico importante da cidade de São Paulo, eles recebem muitas visitas de estrangeiros, e a feira se torna a vitrine do Brasil, pelos seus artigos.

Por ano, a cidade de São Paulo recebe cerca de 2,5 a 3 milhões de turistas internacionais e 12 milhões nacionais, sendo assim o destino mais visitado por estrangeiros no Brasil, de acordo com o Ministério do Turismo. E conversando com a professora e artesã, Ana Lúcia Prado, 63 anos, que expõe na Feira de Artesanatos Trianon, ela explica que percebe um interesse maior dos estrangeiros por produtos feitos à mão. “Eu acho que eles levam a criatividade e a diversidade de um produto em consideração”, afirmou ela.

Um dia de exposição na feira possui grande importância a depender do trabalhador. Lindolfo relatou que em 1997, quando a prefeitura encerrou as atividades da Feira de Artesanato na República, muitas famílias foram afetadas financeiramente. “Muita gente sem sustento e motivação, que depende da feira como renda”, comentou. Ele explicou que um dos benefícios das Feiras de Artesanato é uma oportunidade de trabalho e o lucro diário. “A maioria do pessoal daqui é idoso que recebe e usa o artesanato para complementar a renda”

Paralelamente às críticas das artesãs sobre a desvalorização por parte dos clientes, o coordenador aponta que falta incentivo por parte do governo. "O artesanato hoje não está sendo bem visto pelo governo. Entra governo e sai governo, eles falam que vão mudar, mas nunca mudam.", ele contornou, para em seguida explicar: "Hoje nas feiras, tem muitas vagas, o artesão querendo trabalhar e a prefeitura não faz a parte dela de abrir pros artesões, para complementar os que faltam".

Em contrapartida, esse dilema é próprio das feiras de artesanato municipais. E com a intenção de mudar a situação, em 2019, a Prefeitura de São Paulo criou o projeto “Mãos e Mentes Paulistanas”, que tem como objetivo apoiar e valorizar artesões e manualistas, promovendo sua inclusão produtiva, o acesso ao mercado e o desenvolvimento econômico local.

Atualmente, conforme o site da iniciativa, ela conta com aproximadamente 7.800 artes paulistanos credenciados e mais de R$ 2 milhões movimentados na economia da cidade. A artesã Delonice, vendedora da loja colaborativa no Shopping Light, declara com um grande sorriso em seu rosto ao explicar a importância que esse projeto teve em sua carreira. “É um apoio incrível, porque um artesão sem essa ajuda é muito difícil estar em uma loja ou shopping, por causa de capital”, explicou ela.


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