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Estrelas juvenis: o futuro do esporte mato-grossense já brilha nas mãos da nova geração

Muito além das medalhas, jovens atletas contam como disciplina, sacrifício e paixão moldam suas trajetórias no esporte levando o Mato…

Notas da UFMT · 2026-04-02 17:36 · 0 claps · 5.3 min read
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Estrelas juvenis: o futuro do esporte mato-grossense já brilha nas mãos da nova geração

Muito além das medalhas, jovens atletas contam como disciplina, sacrifício e paixão moldam suas trajetórias no esporte levando o Mato Grosso para novos horizontes

Davi Souza de Lima compete nos Jogos da Juventude CAIXA — Acervo

Davi Souza de Lima compete nos Jogos da Juventude CAIXA — Acervo

Por Ana Flávia Gomes e Gustavo Peçanha

A renovação do esporte brasileiro começa, muitas vezes, em ginásios escolares, pistas de atletismo e centros de treinamento onde jovens atletas constroem suas primeiras conquistas. Em Mato Grosso, promessas das categorias de base já começam a se destacar em competições estaduais e nacionais, revelando talento, disciplina e uma rotina intensa de preparação.

Entre esses nomes estão a judoca Ana Luísa Corrêa, campeã mato-grossense sub-18, e o atleta Davi Souza de Lima, destaque do salto triplo que alcançou a liderança do ranking mundial sub-18 após registrar a marca de 15,79 metros nos Jogos da Juventude de 2025 e que, hoje compete na sub-20. Apesar da pouca idade, ambos já acumulam resultados importantes e compartilham uma rotina de treinos marcada por dedicação e incentivo familiar.

Um tatame que começou dentro de casa

No caso de Ana Luísa, o judô não surgiu por acaso. Sua história com o esporte começou dentro da própria família: Foi o pai quem apresentou a modalidade e quem, hoje, também assume o papel de treinador. Segundo ela, o início da trajetória aconteceu em 2021, muito motivado pela história do pai no esporte. Com o tempo, porém, o que começou como incentivo familiar se transformou em gosto próprio.

“Eu comecei por causa do meu pai, que hoje é o meu sensei. Como ele lutou quando era mais novo, acabou passando meio que de geração. Mas eu continuei porque eu gostei do esporte.”

Entre os momentos mais marcantes da carreira até agora está o título de campeã mato-grossense juvenil. Segundo a judoca, a confiança antes da competição não era das maiores, ela lembra que chegou ao campeonato com dúvidas sobre o próprio desempenho, relatando sobre o desânimo no período e o sentimento de que não havia treinado o suficiente. Ainda assim, entrou no tatame.

A vitória veio após uma luta contra uma atleta do estado de Goiás. Quando percebeu que havia conquistado o título, a reação imediata foi de emoção.

“Quando eu vi que tinha ganhado, eu não consegui segurar. Eu chorei ali mesmo no tatame.”

A primeira pessoa que ela procurou foi o próprio treinador.

“Eu corri para o meu sensei e falei: ‘Meu Deus, sensei eu ganhei!’.”

Vencer também trouxe uma consequência simbólica dentro do judô: a troca de graduação. Hoje, Ana Luísa está na faixa laranja e segue avançando dentro do sistema de faixas da modalidade, continuando a participar das atividades do grupo Guardiões do Pantanal, onde treina algumas vezes por semana. O projeto é uma iniciativa baseada em Santo Antônio do Leverger, MT, focada no ensino de artes marciais para crianças, promovendo disciplina. Segundo a judoca, muitos deles veem no esporte uma oportunidade de ocupar o tempo e construir novos caminhos.

“Tinha muita gente da comunidade treinando. Todo mundo queria melhorar ou fazer alguma coisa diferente. O esporte ajuda muito nisso. […] Seria muito importante ter mais doação de kimono, principalmente para quem está começando. Muitas pessoas não têm e acabam treinando com a roupa que estão usando.”

Ana Luisa Correa representa dois projetos como judoca — Acervo

Ana Luisa Correa representa dois projetos como judoca — Acervo

Mesmo com as conquistas já alcançadas, Ana Luísa admite que a pressão emocional é uma parte constante da experiência competitiva. A situação se intensifica pelo fato de o próprio pai ser seu treinador.

“Tem muita cobrança, porque ele é meu sensei também. Na hora da luta a gente fica nervoso e acaba esquecendo até os golpes que aprendeu.”

A ansiedade antes das competições também é uma sensação comum, principalmente quando o adversário possui mais experiência ou uma faixa mais alta.

“É aquela sensação de borboletas no estômago. A gente fica muito nervoso antes de entrar no tatame.”

Um salto que ganhou o mundo

Se no judô a influência familiar aparece no início da trajetória, no atletismo ela também acompanha o dia a dia de Davi Souza de Lima. Especialista no salto triplo, ele ganhou projeção nacional após alcançar a marca de 15,79 metros nos Jogos da Juventude de 2025.

O resultado colocou o atleta na liderança do ranking mundial sub-18 da modalidade, um feito que chamou atenção no cenário esportivo. Segundo Davi, a notícia demorou um pouco para ser assimilada.

“A ficha demorou um pouco para cair. Liderar o ranking mundial era algo que eu não estava esperando. Foi uma alegria enorme poder representar o Mato Grosso em um lugar tão alto assim dentro do atletismo.”

Filho de um medalhista olímpico, o atleta cresceu em um ambiente onde o esporte e a ideia de competir sempre estiveram presentes, sendo construída aos poucos, desde a infância.

Apesar da influência positiva, o atleta reconhece que carregar o sobrenome da família também trouxe certa pressão no início da carreira, sentindo-se que precisava corresponder ao legado da família.

Com o tempo, porém, aprendeu a enxergar essa herança de outra forma.

“Eles sempre me disseram para construir a minha própria história.”

Hoje, a influência dos pais continua forte, inclusive no treinamento. Além de referência, eles também fazem parte da preparação técnica do atleta.

Preparação esta que exige horas de preparação: Davi treina em média entre duas e três horas por dia, alternando exercícios técnicos e físicos. O treinamento inclui sessões específicas de força, além de trabalho técnico voltado à execução correta do salto.

A preparação envolve também cuidados com alimentação, descanso e prevenção de lesões. Ele costuma repetir uma frase que aprendeu com a própria treinadora, que também é sua mãe: o corpo do atleta é seu instrumento de trabalho.

Davi Souza de Lima em campeonato brasileiro — Acervo

Davi Souza de Lima em campeonato brasileiro — Acervo

Nem todas as etapas da carreira foram marcadas por conquistas. O triplista lembra que já deixou escapar oportunidades importantes de representar o Brasil em competições internacionais. Em alguns momentos decisivos, o desempenho não foi o esperado. Essas experiências trouxeram frustração, mas também serviram como aprendizado.

“Isso é uma coisa que eu tenho que tentar trabalhar, que é realmente… buscar estar 100% e dar o meu melhor em todas as competições, todos os treinamentos, para que nenhuma oportunidade possa ser perdida.”

Apesar das conquistas recentes, Davi encara o futuro no esporte com cautela. Ele ainda está na categoria sub-20 e sabe que o caminho até o alto rendimento adulto pode ser longo. Entre as metas mais próximas está a busca por bons resultados em competições nacionais e a possibilidade de disputar campeonatos internacionais, como o Mundial Sub-20. Os Jogos Olímpicos também aparecem como um sonho possível, embora ainda distante.

Mais do que os resultados imediatos, o atleta acredita que o esporte tem desempenhado um papel essencial na construção da sua própria vida.

Ana Luisa em competição — Acervo

Ana Luisa em competição — Acervo

Enquanto conciliam escola, treinos e competições, Ana Luísa e Davi ainda vivem apenas o início de suas trajetórias no esporte. No judô ou no salto triplo, o futuro permanece aberto, com novos campeonatos, metas e desafios pela frente. Histórias como as deles mostram que Mato Grosso continua revelando talentos, mas também lembram da importância de ampliar oportunidades e incentivos para que mais jovens atletas possam treinar, competir e acreditar que seus sonhos também têm espaço para crescer.

Projeto Social Guardiões do Pantanal — Acervo

Projeto Social Guardiões do Pantanal — Acervo


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