parte 10 — paralisia
Ultimamente minha mente anda a mil, com turbilhões de pensamentos que permeiam o raso e o profundo. Eles me envolvem como um manto quente…

parte 10 — paralisia
Ultimamente minha mente anda a mil, com turbilhões de pensamentos que permeiam o raso e o profundo. Eles me envolvem como um manto quente, que deixa apenas a ponta do meu pé de fora — gerando aquele friozinho que eu ainda não consigo decidir se é algo bom ou não.
Olhar para a vida de outra forma tem seus pontos positivos e negativos. A compreensão é uma benção em muitos aspectos, mas a compreensão sem a perspectiva de sair de onde estamos pode gerar um impasse.
Eu quero seguir em frente e não pensar mais no trabalho como um problema, e sim como parte do processo, da minha jornada. E não digo qualquer trabalho, mas aquele que exerço agora, dentro do sistema.
A palavra liberdade muitas vezes grita com força na minha mente, como se eu não fosse livre, como se estivesse presa aqui, olhando para esta tela do computador, matutando alternativas para contribuir com o CLT que eu escolhi. Mas, ainda assim, aquela parte de mim que está cansada — que não vê nenhuma realização nisso — me prende, me abraça, me sufoca… e me paralisa.
Eu sinto meu corpo perder as forças, e a mente que quer mudanças grita a plenos pulmões: FAZ ALGUMA COISA. Mas eu só consigo ficar aqui, parada, observando…
Claro que nem sempre é assim. Há momentos em que eu consigo destravar, consigo empurrar essa voz e essa paralisia para trás. Mas, como todo ciclo, ela volta. Aos poucos. E, quando dou por mim, estou dentro dela de novo.
A questão é que não é de todo ruim — porque ela demonstra que eu realmente preciso fazer algo a respeito. O problema é o não fazer nada. É se paralisar e enxergar isso apenas como algo negativo, e não como um aprendizado.
E eu me pergunto: se eu fizer algo a respeito… esse ciclo vai acabar? Ou é só questão de tempo para tudo começar de novo, independente da decisão que eu tome?
Porque parece que o padrão sempre se repete. E a pergunta é: de fato existe um fim?
Mesmo sem saber a resposta, eu me agarro à esperança de que um dia essa pressão e esse desgaste chegarão ao fim. Talvez eu ainda sinta momentos parecidos, mas serão outros dilemas, outras preocupações — menos angustiantes, talvez…
E eu sei que mudar a perspectiva dessas coisas depende apenas de mim. Porque, apesar de tudo, a vida é única e exclusivamente minha — e só eu tenho o poder de ditá-la.
— Renai Written in Portuguese. Quarto 19.
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