Ser liderança é ser o rosto da comunidade
Queridos irmãos, queridas irmãs em Cristo, graça e paz. Gostaria de saudar a cada um e cada uma com o versículo que encontramos na Primeira…
Ser liderança é ser o rosto da comunidade
Queridos irmãos, queridas irmãs em Cristo, graça e paz. Gostaria de saudar a cada um e cada uma com o versículo que encontramos na Primeira carta de Pedro, capítulo 4, versículo 10, onde diz:
“Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus.”
O chamado ao servir: a vocação do presbítero
Estimados e estimadas, quando falamos em sermos lideranças na IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), isso significa que não estaremos ocupando um cargo de honra ou mesmo de poder, mas sim que estamos aceitando um chamado ao serviço.
O reformador Martinho Lutero, ao redescobrir o sacerdócio geral de todas as pessoas batizadas, ensinou que cada cristão e cada cristã tem uma vocação (do alemão Beruf ). Sendo assim, o presbitério é aquele que coloca seus dons a serviço do corpo de Cristo (a igreja), zelando pela doutrina e pela ordem da comunidade.
- Fundamento bíblico: “Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus.” (1 Pedro 4.10)
- Na perspectiva luterana: a liderança luterana trata-se de participação. Não somos donos da igreja, mas administradores e cooperadores de algo que pertence ao Senhor Deus. Nossa autoridade, portanto, nasce do servir e de ser exemplo, e não do título ou status.

Uma liderança eficaz começa no dobrar dos joelhos, pois, antes de qualquer decisão, seja administrativa, financeira ou relacionada a grupos o líder deve buscar a luz de Deus. Antes de qualquer coisa, a gestão de uma comunidade é uma tarefa espiritual.
- Ter como prioridade a vida de oração: antes de sairmos de casa, seja para irmos a uma reunião de presbitério, encontro da JE (Juventude Evangélica) da Jumirim, culto infantil ou o culto da comunidade, devemos reservar um momento de oração, pedindo ao Espírito Santo que guie nossas palavras e silencie nosso orgulho.
- O testemunho da presença: o líder convida para o culto por meio de sua própria presença. Participar de modo ativo dos estudos bíblicos oferecidos pela comunidade de fé, das celebrações e dos eventos que a igreja promove não se trata de um procedimento formal, mas da base sobre a qual se sustenta a autoridade da liderança.
Cuidar do Corpo de Cristo, Desafios dos relacionamentos
Viver na comunidade de fé é um exercício diário de paciência, amor e cuidado. No entanto, muitas vezes permitimos que problemas como fofocas, mágoas acumuladas, ressentimentos e frustrações permaneçam entre nós.

- A transparência: No Evangelho de Mateus, capítulo 18, versículo 15 está escrito: “Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular. Se ele ouvir, você ganhou o seu irmão.”
Jesus nos ensina a resolver os conflitos diretamente com nosso irmão ou irmã. Quando guardamos mágoas e ressentimentos “debaixo do tapete”, criamos um ambiente de desconfiança no qual todos acabam tropeçando.
- A ética da reconciliação: como lideranças, devemos ser os primeiros a buscar promover a paz. Ignorar um problema não faz com que ele desapareça; ao contrário, pode torná-lo mais perigoso para a unidade do corpo de Cristo.
O poder da língua: palavra que edifica, ou palavra que destrói.
Efésios capítulo 4.29 nos traz a seguinte palavra: “Não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça.”
A liderança deve ser agente de ânimo e também de esperança. Aquele que foca apenas no erro ou cria contendas desnecessárias enfraquece o trabalho ministerial e desagrega a comunidade de fé.
Devemos direcionar o olhar para os bons frutos. Enquanto lideranças que receberam o chamado, falemos bem de nossa igreja, da comunidade onde estamos congregando e também dos projetos que ela realiza.
Nunca devemos usar nossa influência para “fazer a cabeça” dos membros contra as iniciativas do presbitério da comunidade ou da igreja como um todo. A divergência deve ser tratada com honestidade nas reuniões, mas, uma vez tomada a decisão, o líder a sustenta com lealdade.
O líder fora do espaço litúrgico: o espelho da comunidade
Seja onde estivermos , em um aniversário, no supermercado, no ambiente de trabalho ou numa roda de amigos, ali carregamos o nome da IECLB. Pode-se dizer que você é a vitrine ou o espelho da sua comunidade.
- O rosto da comunidade: nossas críticas em público, bem como comentários desmotivadores nas redes sociais, desvalorizam o trabalho de todos os voluntários. Quando somos positivos fora do ambiente eclesiástico, também promovemos uma forma de evangelização.
- Proteção mútua: ser liderança é assumir como responsabilidade proteger a honra daqueles que servem junto com você. Não permita que falem mal de outras lideranças ou ministros na sua presença sem que você intervenha em favor da verdade e da paz.

Ética digital: Numa era digital e conectada o tempo todo, aquilo que separava o público e o privado acabou desaparecendo, tudo aquilo que escevemos nas redes sociais reflete nossa maturidade como pessoas cristãs.
- Cuidado nas redes sociais: lembrem-se de que “o que se escreve, fica”. Evite discussões acaloradas, polêmicas políticas agressivas e o compartilhamento de conteúdos que propagam crenças que não condizem com o cristianismo ou que desonrem o próximo. Ao compartilhar mensagens de cunho religioso, procure verificar se elas condizem com a teologia de nossa igreja.
Confidencialidade: o valor do Sigilo e da Ética
Quando falamos de sigilo e confiança, devemos ter em mente que eles são a base para qualquer área. Sem compromisso com o sigilo, os membros de determinado grupo não se sentirão seguros para expor dúvidas ou preocupações.
Saber ser sigiloso é ter caráter: tudo aquilo que é discutido em reuniões do presbitério, da diretoria ou de grupos de trabalho permanece naquele círculo. Como se costuma dizer: “morreu aqui este assunto”. Quando levamos assuntos internos para conversas de corredor ou para o âmbito familiar, ferimos gravemente a ética do presbitério e geramos inseguranças. Ser confiável é, sem dúvida, uma das maiores virtudes que um líder pode ter.
Coerência e sustentabilidade
A liderança também se estende à vida financeira e administrativa da pároquia.
- Contribuir com alegria: a liderança não estimula as pessoas a deixarem de fazer sua contribuição; pelo contrário, é a primeira a manter suas contribuições em dia, entendendo que contribuir é um ato de gratidão pelas bênçãos recebidas.
- Zelar pelo patrimônio: cuidar dos bens da igreja é cuidar dos recursos que Deus colocou sob nossa guarda para a missão.
Liturgia e a postura a ser mantida nos encontros

O respeito ao espaço sagrado demonstra reverência e também educação cristã.
O respeito à Palavra de Deus: durante a pregação, oração, canto ou qualquer outro momento do encontro ou celebração litúrgica, a liderança deve dar exemplo de atenção. Circular pela igreja ou espaço destinado ao estudo e à proclamação da Palavra, mexer no celular fora de hora, entre outras atitudes, retira a atenção do público e desvaloriza a proclamação do Evangelho.
Ordem nas reuniões: valorize o tempo de todos. Se chegou atrasado, entre discretamente, deixando os cumprimentos calorosos e as conversas para o final do encontro. O serviço no Reino de Deus pede concentração e respeito ao processo do trabalho.
Para refletirmos:
- Tenho sido agente de ânimo e de esperança, ou de reclamação e discóridia na minha comunidade?
- Tenho sido sigiloso à aquilo que me foi confiado?
- Resolvo os conflitos com transparência, ou jogo tudo embaixo do tapete?
Concluindo
Que o seu, o nosso serviço de liderança não nos seja um fardo, mas sim uma resposta de amor ao amor de Cristo Jesus.
Oração final:
Senhor Deus, nosso Pai, nós te agradecemos pelo chamado que nos fazes para servir em tua igreja. Tu nos convidas a colocar nossos dons a serviço da comunidade e a cuidar do teu povo com responsabilidade e amor.
Ensina-nos que a liderança, na tua igreja, é caminho de serviço. Guarda-nos da busca por honra ou reconhecimento, e dá-nos um coração disposto a ajudar, ouvir e caminhar junto com os irmãos e irmãs.
Concede-nos sabedoria para tomar decisões justas, paciência para lidar com as dificuldades da comunidade e humildade para reconhecer quando precisamos aprender e corrigir nossos caminhos.
Guia nossas palavras e atitudes, para que possamos edificar e não ferir, animar e não desanimar aqueles que caminham conosco.
Que em tudo o que fizermos possamos lembrar que servimos a ti e ao teu povo. Fortalece-nos em nossa vocação e ajuda-nos a exercer a liderança com fidelidade, responsabilidade e espírito de serviço.
Nós te pedimos isso por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Amém.
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