Nascer, viver e morrer na pandemia
São Paulo (Rua João Moura, Pinheiros), 12/03/2020 — NASCER, VIVER E MORRER NA PANDEMIA
Nascer, viver e morrer na pandemia

São Paulo (Rua João Moura, Pinheiros), 12/03/2020 — NASCER, VIVER E MORRER NA PANDEMIA
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No dia de meu aniversário, celebração à vida, fui à capital num day off. Foi quando a Unicamp foi a primeira instituição no Brasil a suspender suas atividades. No dia anterior, a OMS havia declarado a pandemia.
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Grimes, a Miss Anthropocene, fazia propaganda de seu novo disco na capital da covid-19 no hemisfério austral. Novamente vi os cartazes com a intrigante afirmação — “Aquecimento global é bom”. “Bom para as florestas”, disse Aziz Ab’Sáber certa vez. Bom para despertar, de algum modo, uma consciência coletiva que levaria à revisão de toda nossa existência? O fato é que o aquecimento global em pouco tempo passou a ser um tema secundário, inclusive na agenda de pesquisas científicas, com a emergência pandêmica. As mudanças ecológicas e sociais previstas para a próxima geração são urgentes hoje mesmo. Mas mesmo assim não seria adequado dizer que “coronavírus é bom”. Viver é bom.
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Elon Musk, namorado de Grimes, 31º na lista de bilionários da Forbes, foi pioneiro em incentivar o uso da hidroxicloroquina para tratamento da covid-19 pelo twitter, em 16 de março. Não foi tão taxativo em dizer que usar cloroquina é bom, disse que “talvez valesse a pena considerar seu uso”. Depois vieram Trump, Bolsonaro e seus seguidores que trataram esta como a cura da nova doença e a solução para a crise.
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- Narrativas distópicas voltaram à moda e uma das minha favoritas é Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón. Sem explicação, a humanidade em 2027 é infértil e o Reino Unido se converteu em um estado policial com campos de concentração para refugiados. Não há perspectiva de futuro. Nas distopias, assim como na vida real, a corda sempre aperta com mais força para os de baixo. Nesta história, a esperança ressurge quando se descobre, também sem explicação, que uma refugiada está grávida. A portadora da esperança é uma mulher preta.

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Durante a distopia muito menos emocionante da quarentena de 2020, reajustamos nossas noções mais básicas de viver, e também de morrer e de nascer. Imagens de valas abertas são reproduzidas o tempo todo, gestantes e puérperas estão no grupo de risco da doença sem cura e sem vacina. Surgem recomendações variadas, como restrição no contato com a criança e amamentação com máscara. Em abril nasceram 199.063 crianças no Brasil, conforme o Registro Civil, que também atesta que entre os meninos nascidos nestes dias, os nomes mais comuns remetem a arcanjos: Enzo Gabriel, João Miguel e Miguel.
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Há notícia de que na Índia há um casal de gêmeos recém-nascidos chamados Covid e Corona; lá também já teria um bebê nomeado LOCKDOWN. Nas Filipinas, nasceu Covid Bryant. No Brasil, circulou a notícia falsa do nascimento de um certo Alquingel no Espírito Santo. Nada comparável a X Æ A-12 Musk, filho de Elon e Grimes nascido durante a quarentena, sendo A não de Alquingel, mas de Archangel.
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- Não esqueçamos que Gabriel é o protetor das crianças e das mãezinhas. São Miguel Arcanjo é lembrado também por ter intercedido pelo fim da peste que assolou Roma em 590 em uma procissão do Papa São Gregório Magno com a imagem de Salus Populi Romani, que o Papa Francisco usou na benção urbi et orbi. Em Monte Sant’Angelo, na Itália, onde ocorreu sua aparição, sua espada foi invocada contra o coronavírus. No Brasil, as autoridades políticas nos recomendam oração e jejum para o fim da crise. De preferência, que a oração se faça de joelhos no meio da rua, para que todos vejam, e que o #jejumnacional seja registrado em postagens com hashtags.

- A atriz Leandra Leal, também no twitter, observou que “Com o respeito que os bons homens merecem, seria melhor passar por essa pandemia com uma mãe no poder”.
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- Então, feliz dia das mães!
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