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A BÍBLIA VEM DO CÉU? A TERRA É UM GLOBO? — CAPÍTULO 3

Por: Alex Gleason — Tradução: Bruno Sukkān

Bruno Sukkān · 2026-05-14 22:09 · 5 claps · 26.1 min read
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A BÍBLIA VEM DO CÉU? A TERRA É UM GLOBO? — CAPÍTULO 3

Por: Alex Gleason — Tradução: Bruno Sukkān

Geologia da Bíblia

Chegamos agora às seguintes questões: 1. A geologia invalida o relato mosaico da criação? 2. A Bíblia se baseia na ciência geológica? 3. Ou a ciência se baseia na Bíblia?

Para ilustrar essas questões, o autor não conhece plano melhor do que apresentar, em essência, um diálogo do qual participou durante uma conversa informal com um amigo em Toledo, Ohio. O Sr. S____, como chamaremos o cético e aspirante a geólogo e cientista, diz: “Vocês, cristãos, não leem a Bíblia corretamente; é claro que a leem como ela é e a entendem como lhes foi ensinada.”

Realmente, Sr. S, é a educação que forma a mente comum. Assim como o galho se dobra, a árvore se inclina. Mas, Sr. S, o que há de errado em nossa compreensão do registro mosaico?

“Vocês, cristãos, entendem que a Terra e tudo o que existia na época de Adão foram criados em seis dias literais de vinte e quatro horas, enquanto a geologia demonstra que isso é falso; e prova ainda que esses dias foram imensos períodos longos; existem árvores petrificadas na Califórnia, cujos grãos contam mais anos do que o registro mosaico permite; com a sua versão do assunto.”

Bem, Sr. S____, suponho que o senhor acreditava em algum tipo de inteligência que criou o homem em sua totalidade?

“Sim.”

Ele o criou como um homem adulto? Ou ele era um bebê que finalmente cresceu até atingir a estatura de um homem?

“Não acredito na teoria de Darwin; portanto, acredito que quando o homem surgiu, ele era tão completo em todos os aspectos quanto é atualmente.”

Senhor S____, o senhor não acha que seria mais maravilhoso, ou um milagre maior para o Criador fazer uma árvore de tamanho normal, com seus numerosos grãos, folhas diversificadas e frutos, do que foi fazer o homem?

“Não. Pois foi no terceiro período que Deus disse: ‘E disse Deus: Deixe a terra trazer a relva, a erva produzindo semente, e a árvore frutífera produzindo fruto segundo a sua espécie; cuja semente esteja em si mesma, sobre a terra. E assim foi.’ Gênesis 1:11. E, além disso, se esses dias fossem longos períodos de milhares de nossos anos, então haveria tempo suficiente para todas essas ervas e árvores amadurecerem e produzirem frutos segundo a sua espécie.”

Então, Sr. S____, suponho que o senhor não admitiria que esses períodos fossem inferiores a mil anos cada um?

“Muito bem.”

Para sermos breves ao abordar os pontos, leremos apenas o último versículo, ou uma parte dele, começando em Gênesis 1:5. “E chamou Deus à luz Dia, e às trevas ele chamou Noite. E houve a tarde e a manhã, o primeiro dia.”

Oitavo versículo. “E Deus chamou ao firmamento Céu. E houve a tarde e a manhã, o segundo dia.”

Décimo terceiro versículo. “E houve a tarde e a manhã, o terceiro dia.”

Mas passemos agora ao sexto e sétimo períodos. Verso 31. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã os seis quinze mil anos.” = 90.000.1

Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há. E no sétimo “quinze mil anos, Deus terminou a Sua obra que fizera”; e descansou no sétimo quinze mil anos de toda a Sua obra que havia feito. E Deus abençoou os “sétimos quinze mil anos” e os santificou, porque neles descansou de toda a Sua obra que Deus criou e fez.

Estas são as gerações (relato ou genealogia) dos céus e da terra quando foram criados, no dia (ou tempo) em que o Senhor Deus fez a terra e os céus”, Gênesis 2:1–4, inclusive.

Agora, para determinar definitivamente o que determinava a duração desses dias, basta consultarmos a declaração final de cada período ou dia: “a tarde e a manhã”.

O que Deus chamou de trevas e luz? Gênesis 1:5. Resp.: Dia e noite.

O que Deus deu para governar e reger o dia e a noite? “E disse Deus: Haja luzes no firmamento do céu para dividir o dia da noite; e que sejam por sinais, e para estações, e para dias, e anos; e que eles sejam por luzes no firmamento do céu para dar luz sobre a terra. E assim foi. E fez Deus duas grandes luzes; a luz maior para governar o dia, e a luz menor para governar a noite; ele também fez as estrelas.” Gênesis 1:14–16.

Agora, deve ficar evidente para toda mente imparcial de que tipo de dia ou período o Senhor está falando. Recorremos a Êxodo 20:11 e encontramos o mesmo tempo apresentado. “pois em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e descansou no sétimo dia. Portanto, o SENHOR abençoou o dia do shabat e o santificou.” (“Santificar” significa separar para um propósito sagrado — Webster.)

Mas o que Deus vem fazer ao homem em relação a esses dias em que o Criador trabalhou? Nono versículo: “Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.” Um longo período de trabalho antes do descanso — 90.000 anos!

E quanto ao descanso, dado ao homem, que deveria comemorar a obra do Criador? Leíamos o décimo versículo: “mas o sétimo dia é o shabat do SENHOR teu Deus, nele não farás obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu gado, nem teu estrangeiro que está dentro das tuas portas.” Assim vemos que o descanso que foi designado ao homem, se os dias forem entendidos como afirmam os geólogos, se estenderia muito além da idade do homem. Um descanso muito longo!

Talvez existam algumas pessoas hoje em dia que já nasceram cansadas e gostariam de um descanso assim.

Assim, podemos ver o objetivo de Satanás em derrubar o registro mosaico da criação e do sábado — a memória das obras do Criador. Mas o esforço é um fracasso. Deus diz: “Eu não mudo”.

Geologia e Astronomia: Sua Popularidade Versus a Bíblia.

Acreditamos ter dito o suficiente em favor da infalibilidade da Bíblia para que possamos usá-la livremente como referência para evidências sobre qualquer assunto que a Palavra possa tratar. Mas, caso o cético ainda precise de mais, sabemos que não há melhor maneira de testar a infalibilidade da Palavra do que ele tomar a profecia de Daniel, capítulos dois, sete, oito e nove, referente aos quatro reinos universais, com muitos detalhes a respeito deles; também a profecia referente à primeira e à segunda vinda de Jesus Cristo. Compare isso com a história e, se você tem desejo pela verdade, poderá encontrá-la em abundância.

Propomos agora apresentar algumas das visões populares sobre Geologia e Astronomia, conforme geralmente acreditadas e ensinadas pelo suposto mundo científico e cristão, após deixarmos a Palavra falar.

A Bíblia não foi dada para ensinar a ciência da geologia nem da astronomia, nem faz tais afirmações; contudo, quando ela diz, “fazemos bem em prestar atenção”. “SSabendo isto primeiramente: Que nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação. Porque a profecia não veio no tempo antigo por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram à medida que eram movidos pelo Espírito Santo.” 2 Pedro 1:20,21.

Criação do Mundo, etc., Segundo Cientistas Populares.

“Criação do mundo, 4.000 anos antes de Cristo, Julius Africanus diz 5.508; Pentateuco Samaritano, 4.700; Septuaginta, 5.872; Josefo, 4.658; Talmudistas, 5, 344; e outros dão tempos diferentes, mas a tradição e a história chinesas reivindicam uma antiguidade de 100.000 anos antes de Cristo. A partir de formações geológicas e do funcionamento de rios como o Niágara e o Danúbio através do Portão de Ferro nos Alpes, pode-se estimar uma idade de milhões de anos. A própria criação, ou o acúmulo de enormes quantidades de matéria nos grandes planetas, deve ter exigido milhões de anos. Nenhum corpo, por menor que seja, foi criado instantaneamente. [Proibindo o poder do Todo-Poderoso.] A criação é a obra que consiste nos três elementos físicos — força, movimento e tempo — pelos quais os corpos crescem como uma árvore, ou pelo acúmulo gradual de matéria. Esses três elementos físicos constituem a Trindade que governa o universo material. Toda criação, ou ação de qualquer tipo, seja mecânica, química ou derivada de luz, calor, eletricidade ou magnetismo — tudo o que foi e será feito ou desfeito — é realizado por esta função Trina. Ela é Onipotente, ubíqua e eterna.” — Nystrom’s Mechanics, p. 498.

Este é o resultado e a conclusão a que milhares são levados a seguir o sistema newtoniano de gravitação, geologia ou astronomia. Você pode dizer que o acima é uma infidelidade absoluta; assim diz qualquer verdadeiro amante da Sagrada Palavra de Deus. Mas vejamos as palavras de um “Pastor de Connecticut,” Ecce Coelum ou Paróquia Astronomia, por Burr. Esta obra popular e extremamente eloquente, publicada pela American Tract Society, 150 Nassau Street, Nova York, cerca de sete ou oito anos após a presente escrita, 1893, havia chegado à sua vigésima edição. Na página 183, ele diz: “Todas as leis de Kepler e Newton são tão operativas hoje como sempre foram desde a sua descoberta. Os planetas orbitam o Sol e são circundados por suas próprias luas, em órbitas elípticas substancialmente iguais, nos mesmos tempos, e com os mesmos princípios de alternância de desaceleração e aceleração de antigamente.” Novamente, na página 185: “Repetidamente, a Terra foi inundada e despedaçada. Foi coberta com neve e gelo de polo a polo. Foi toda incendiada e fundida. E não é na ideia de tal conflagração que podemos melhor explicar as novas estrelas que às vezes brilharam repentinamente à vista com todo o esplendor de Vênus em seu brilho máximo e, após alguns meses de mudança de cor e decadência gradual, finalmente desapareceram.”

Mas e quanto ao fato de a Terra ter sido repetidamente inundada? E quanto à aliança de Deus com Noé? Gênesis 9: 11–15: “E eu estabelecerei o meu pacto convosco; não será mais destruída toda carne pelas águas de um dilúvio, nem haverá mais dilúvio para destruir a terra. E Deus disse: Este é o sinal do pacto que fiz entre mim e vós, e toda criatura vivente que está convosco, para as gerações perpétuas. Eu ponho o meu arco na nuvem, e isto será por sinal do pacto entre mim e a terra. E acontecerá, quando eu trouxer uma nuvem sobre a terra, que o arco será visto na nuvem. E eu lembrarei do meu pacto, que está entre mim e vós e toda criatura vivente de toda a carne; e as águas não mais se tornarão um dilúvio para destruir toda a carne.”

E notaremos outra demonstração de sublimidade insana, página 189: “A geometria declara que nenhum elemento de decadência, internamente, põe em risco a estabilidade do sistema do mundo. O ano que circunscreve nossas estações tem apenas trezentos e sessenta e cinco dias; mas a Terra tem outro ano para o qual isso é um mero ponto — seu polo oscila pelo espaço em um círculo que leva vinte e cinco mil anos para percorrer. O que você pensa de um planeta cujo inverno dura mais do que quarenta dos nossos anos, de um cometa cujo ano dura mais do que trinta dos nossos séculos, de um sol cujo ano dura mais do que dezoito mil dos nossos milênios (ou milhares)? Todas as órbitas planetárias passam por ciclos de mudanças, variando em duração de alguns séculos a nove mil, a setenta mil e até muitos milhões de anos; mas o maior desses ciclos finitários não é nada comparado com aqueles enormes períodos que delimitam as perturbações e expressam as equações seculares do sol e das estrelas fixas — períodos que incluem mais anos do que a imaginação jamais conseguiu conceber. Que longevidades incríveis! Que numerais portentosos! Eles são hieróglifos do eterno. Eles nos elevam entre os picos mais vertiginosos do sublime.” Sim, e muito além. Satanás elevou o homem, em sua própria avaliação de sabedoria, a uma altura muito maior do que a que elevou o Salvador quando o colocou no pináculo do templo, ou quando o “levou a uma montanha extremamente alta e lhe mostrou todos os reinos do mundo em um instante de tempo.” Quando Satanás eleva o homem, ele está pronto para exclamar: “Tudo isso eu consegui pelo poder da minha força.” Mas quando Deus faz o homem contemplar as glórias do Eterno, ele exclama em humildade: “Vi coisas que não é lícito ao homem proferir”; ou, como Daniel: “Pois a minha formosura se transformou em corrupção, e não me restou força alguma.” O plano de Deus é: “O orgulho precede a destruição, e o espírito altivo, a queda”; “antes da honra vem a humildade.” A seguir, notaremos o contraste entre a visão popular, o sistema “newtoniano e keperiano” e o registro mosaico da criação e da longevidade do homem.

O registro mosaico da criação em contraste com as visões populares.

Que se lembre sempre que o registro mosaico da criação não é um tipo, sombra ou símbolo de qualquer ato; nem qualquer parte do registro da criação é assim reivindicada pelos teólogos, exceto em alguns casos, como no caso do sétimo dia, ao examiná-lo descobriremos que foi instituído como um memorial ao homem do ato realizado pelo Criador.

Lembremo-nos também de que “Porque a profecia não veio no tempo antigo por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram à medida que eram movidos pelo Espírito Santo.” 2 Pedro 1:21.

Acreditamos ter dito o suficiente e apresentado citações suficientes de uma fonte confiável para estabelecer a evidência infalível do livro chamado Bíblia; contudo, pode ser interessante e proveitoso observar outras objeções muito comuns, aquelas ensinadas universalmente por cientistas renomados e, portanto, acreditadas pela maioria. Propomo-nos agora a prosseguir, usando tão livremente quanto os limites desta obra permitirem, citações do referido livro sobre o qual construímos e fundamentamos nossa fé e esperança. Parece-me que o ato criativo é a mais alta demonstração de poder onipotente que os mortais podem conceber. Verdadeiramente, “Os céus declaram a glória de Deus; e o firmamento mostra o trabalho das suas mãos. Dia a dia profere discurso, e noite a noite mostra conhecimento. Não há discurso nem linguagem onde sua voz não seja ouvida.” Salmo 19:1–3. Quando personificamos a poderosa obra do Criador, somos levados a exclamar com Paulo: “Ó profundidade das riquezas, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” Romanos 11:33.

Se a memória de Deus tivesse sido universalmente observada, a adoração do homem teria sido voltada para o Criador, como o principal objeto de Sua adoração e os resultados inevitáveis teriam sido que nunca teria existido um idólatra, um ateu ou um infiel.

Empreender a busca pelos caminhos do Todo-Poderoso seria um ato pior do que a loucura de qualquer uma de Suas criaturas, mas o que Ele se agradou em revelar em Sua palavra, Ele nos deu e a todas as gerações. (Veja Deuteronômio 29:29.)

Davi nos informa que “As obras do SENHOR são grandes, buscadas por todos os que têm prazer nelas.”. E ainda diz: “Ele fez suas maravilhosas obras para serem lembradas.” Salmo 111:2, 4. E na conclusão de Suas obras de criação, Ele estabeleceu um memorial dos atos que realizou. “E Deus abençoou o sétimo dia, e o santificou, porque nele ele havia descansado de todo o seu trabalho que Deus criou e fez.” Gênesis 2:3. E estas são as palavras que Ele proferiu, de Sinia, em meio aos trovões, relâmpagos e fumaça, que causaram uma impressão inesquecível. E este é o Seu memorial: “Lembra-te do dia do shabat, para mantê-lo santo.” Êxodo 20:8. E por que devemos nos lembrar dele? “pois em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e descansou no sétimo dia. Portanto, o SENHOR abençoou o dia do shabat e o santificou.” Êxodo 20:11. Você pergunta quanto tempo duraria este memorial da criação, e não haveria nada para ocupar o seu lugar? Deixe a Palavra inspirada responder. Cristo diz: “Até que o céu e a terra passem, nem um jota ou

um til jamais passará da lei.” “Teu nome, ó SENHOR, dura para sempre, e o teu memorial, ó SENHOR, através de todas as gerações.” Salmo 135:13. “A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre.” Salmo 119:160. “Meu pacto não quebrarei, nem alterarei o que sai dos meus lábios.” Salmo 89: 34. “Sabei vós que o SENHOR é Deus; é ele quem nos fez, e não nós mesmos.” Salmo 100:3.

Ao apresentar as evidências referentes à Palavra inspirada, sinto que, sabendo o que faço, “ai de mim” se não as apresentar corretamente. As diferenças honestas de opinião que os homens possam ter em relação aos ensinamentos da Palavra de Deus devem ser resolvidas entre eles e seu Deus. Não me cabe dizer, nem anunciar a vocês o que Deus quer dizer quando fala, mas se provarmos que Deus falou, então provamos que Ele falou a vocês, assim como a mim, “ao qual é necessário que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio do mundo.” (Atos 3:21), pois esta palavra é para nós e para nossos filhos para sempre. Cremos que a Palavra de Deus é sua própria intérprete e, se outros pensam diferente, têm o mesmo direito inalienável que o autor e o mesmo juiz a quem devem prestar contas. Nosso propósito é, e será, provar a Palavra e dar a Palavra; e nos esforçaremos para fazer isso “dividindo corretamente a Palavra da verdade”; sem “acrescentar nem tirar nada” (Apocalipse 22:18, 19), e deixaremos os resultados para o leitor.

Os princípios científicos de “Todos os Tempos Passados”, os registros de todos os eclipses e trânsitos em ciclos, cada um em sua ordem, desde o registro do homem na Terra, serão apresentados no futuro progresso desta presente obra; não com o propósito de estabelecer um credo nem a fé declarada de qualquer credo ou grupo de homens, mas para o benefício e interesse de todos aqueles que possam ser beneficiados pelos fatos — sejam eles judeus, gentios ou historiadores infiéis.

Entendemos que, se nossos pecados e erros forem confessados, eles são tomados por nosso Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, nosso advogado, e que são colocados de volta sobre a cabeça do bode expiatório antitípico, o diabo, e ele sofre a pena. Mas se nós carregarmos nossos próprios pecados e erros, nós mesmos seremos responsáveis por eles; assim, diminuímos a punição de sua majestade satânica ao assumirmos a responsabilidade pelos resultados sobre nossos próprios ombros.

Como o Mundo Foi Criado? De Que Foi Feito?

O capítulo onze de Hebreus é um registro das maravilhosas obras da fé. “Através da fé entendemos que os mundos foram moldados pela palavra de Deus; de modo que as coisas que são vistas não foram feitas das coisas que aparecem.” Hebreus 11:3.

Aqui se declara enfaticamente que Deus criou os mundos a partir daquilo que não existia anteriormente. É impossível para nossas mentes finitas compreenderem esta maravilhosa declaração.

Para compreender isso, ou como um poder infinito poderia realizar tal feito, só podemos retroceder cerca de seis mil anos no passado e, a partir dessa data, em nossa imaginação, contemplar o vasto abismo do espaço etéreo, as “trevas exteriores”, o vazio agora preenchido pelas luzes do Céu. O que podemos ver? Simplesmente o vazio — nada. A hoste celestial, as estrelas, não existiam então. “Sem forma e vazio (Gênesis 1:2), como foram feitos os céus?” Resposta: “Pela palavra do SENHOR os céus foram feitos; e todo o exército deles pelo fôlego de sua boca. Porque ele falou, e foi feito; ele comandou, e firmou-se.” (Salmo 33:6, 9). O mais elevado ato de fé que podemos conceber é um Ser que chamou à existência o universo a partir do nada. Para crer nesta grande verdade, devemos dar crédito às Sagradas Escrituras; pois Paulo nos diz que “Assim então, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” Romanos 10:17. O mundo está cheio de infidelidade e ateísmo. Estes não têm fé no registro mosaico da criação. Para estes, o dia de descanso do Criador, como memorial, não tem importância alguma. Mas para aqueles que creem no registro mosaico, e suas obras correspondem à sua fé, será, e sempre é, diferente. Aqueles que creem, e suas obras não correspondem à sua fé, têm simplesmente uma fé morta. “Os demônios creem e tremem.” Se acreditarmos que os seis dias da criação foram longos períodos de milhares de anos cada, então a inconsistência do Deus dos cristãos se manifesta ao ateu e a todos os outros ao exigir que o homem descanse um ou trabalhe seis desses períodos ou dias. Mas se você estiver inclinado a “limitar o Santo” e disser que “um dia de vinte e quatro horas é insuficiente para a tarefa de qualquer uma das obras que foram realizadas dentro dos períodos específicos”, nós diremos, sim, que é verdade. Se a obra da criação for obra da Natureza, toda a eternidade seria insuficiente para a obra. Mas se considerarmos o registro acima: “Ele falou e tudo se fez, ele ordenou e tudo se firmou”, então o tempo seria suficiente. Basta voltarmos duas ou três páginas neste capítulo para obtermos o contraste das “visões populares”.

Propósito da Criação.

“Deus, ele mesmo, que formou a terra e a fez. Ele a tem estabelecido, ele não a criou em vão, ele a formou para ser habitada. Eu sou o SENHOR e não há nenhum outro.” Isaías 45:18.

E o Salmista diz: “O céu, até os céus são do SENHOR; mas a terra ele a deu aos filhos dos homens.” Salmo 115:16. Deus não será frustrado em Seu propósito; quando a terra for redimida da maldição, ela não será então habitada por uma raça de rebeldes, mas pelos justos. “Pois aqueles que forem abençoados por ele herdarão a terra; e aqueles que forem amaldiçoados por ele serão cortados fora.” Salmo 37:22.

Agora, perguntamos se Deus especificou em particular para que propósito Ele criou o sol, a lua e as estrelas? “E disse Deus: Haja luzes no firmamento do céu para dividir o dia da noite; e que sejam por sinais, e para estações, e para dias, e anos; e que eles sejam por luzes no firmamento do céu para dar luz sobre a terra. E assim foi. E fez Deus duas grandes luzes; a luz maior para governar o dia, e a luz menor para governar a noite; ele também fez as estrelas.” Gênesis 1:14, 15.

Mas Deus não fez com que alguns destes lugares fossem habitados? Em qual devemos acreditar? No Registro Mosaico, escrito pelo homem de Deus, que chama a lua de luz (Gênesis 1:14–16), ou no pagão Pitágoras, que morreu antes de Cristo em 506 a.C., que era um idólatra — um adorador do sol? E quanto à fonte comum da natureza como a essência da Divindade, com base na autoridade de Pitágoras, Newton disse que a lua não tinha luz própria; também que o dia era causado pelo sol. Moisés diz que a luz foi separada das trevas no primeiro dia, e o dia e a noite foram ambos criados no primeiro período ou dia. Gênesis 1:4, 5. Esses períodos ou duração dos dias eram governados por essas luzes.

Parece que Deus foi específico ao especificar para qual propósito essas luzes foram feitas, e esse propósito era, pelo menos, duplo: Primeiro, para luzes no firmamento do céu para separar o dia da noite; e segundo, “para sinais e para estações, e para dias e anos”. Como entendemos, para a medição e regras do tempo, algo, por assim dizer, pelo qual o homem pode calcular seu tempo e o marinheiro sua localização aproximada nos grandes mares.

Outros mundos além deste.

A este pensamento não deve haver objeção razoável enquanto houver evidências positivas e demonstradas de que existe um ou mais mundos, e que eles são habitados por pessoas na forma de homens e à imagem do Criador, a imagem Daquele que disse que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:3). Esses seres foram vistos e tocados, hospedaram-se e comeram com mortais, e retornaram aos seus lares de onde vieram. (Veja Gênesis 18:1, 2, 8; também Gênesis 19:1, 3, e muitos outros poderiam ser citados). Não há, portanto, objeções à existência de outros mundos acima, suspensos no nada, ou girando ou viajando pelo espaço etéreo; ou fundada sem movimento e estabelecida no espaço etéreo, sustentada pelo poder majestoso de Deus. Negar esses fatos seria violentar a Palavra e limitar o Santo. da terra: O salmista diz ao falar: “Porque ele a fundou sobre os mares, e a estabeleceu sobre as inundações.” Salmo 24:2.

Nada é dito no Livro Sagrado sobre os limites do dilúvio, ou as fronteiras das “águas”. (Gênesis 1:2). Elas podem ser tão ilimitadas quanto o espaço etéreo, devemos saber, com outros mundos no mesmo plano ou as mesmas águas divididas pelas montanhas eternas de águas congeladas; e regiões de gelo como os limites que Deus, em Sua sabedoria, colocou entre os raios do nosso sol e os mundos aquecidos por outros corpos. “Há um caminho que nenhuma ave conhece, e que o olho do abutre não viu. Os filhotes de leão não o pisaram, nem o feroz leão passou por ele.” (Jó 28:7–8). “Cercou as águas com fronteiras, até que o dia e a noite cheguem ao fim.” Jó 26:10.

Viaje do norte em qualquer linha meridiana, ou em qualquer direção, a partir do Polo Norte está o Sul, e o fim são os eternos campos de gelo. Vá mais longe, se possível, e lá o aguarda, além dos limites dos raios solares, o Anjo da Morte.

As Escrituras Ensinam Que a Terra é um globo?

Nós agora nos propomos a apresentar algumas evidências nas escrituras de que a terra não é um globo, após o que propomos apresentar, na segunda parte deste trabalho, algumas evidências científicas, mostrando que os dois não se antagonizam quando vistos em sua própria luz, ou demonstrados na prática.

Que as Escrituras não foram dadas para ensinar astronomia, geologia ou outras ciências, não acreditamos. Elas foram dadas para ensinar o verdadeiro e único caminho da salvação. Afirmar que a Bíblia não tinha a intenção de ensinar ciência com sinceridade seria declarar que o próprio Deus declarou e autorizou Seus profetas a ensinar o que é totalmente falso! Ao apresentar o que se segue, citaremos em grande parte um escritor inglês, Parallax, sobre quem falaremos mais antes de encerrarmos este trabalho.

“Se a Terra fosse um globo, é evidente que em todos os lugares as águas de sua superfície, os mares, lagos, oceanos e rios deveriam ser sustentadas ou mantidas pela terra, que deveria estar sob a água; mas sendo um plano ‘fundado sobre os mares’, e a terra e as águas distintas e independentes uma da outra, então as águas das ‘grandes profundezas’ devem sustentar a terra como sustentam um navio, uma ilha de gelo ou qualquer outra massa flutuante, e necessariamente deve haver águas abaixo da Terra.” Na astronomia newtoniana, continentes, oceanos, mares e ilhas são considerados como formando juntos um vasto globo de 25.000 milhas de circunferência. Esta afirmação será vista como totalmente falsa, contrária aos ensinamentos claros, literais e manifestos da Palavra de Deus.

“E disse Deus: Deixe as águas sob o céu em um lugar, e apareça o solo seco. E assim foi. E chamou Deus ao solo seco de Terra; e ao ajuntamento das águas ele chamou Mares. E Deus viu que isto era bom.” Gênesis 1:9–10.

Seria um insulto a um juiz ou jurado inteligente, ou a uma plateia, afirmar perante eles que o relato manifesto da Palavra de Deus e esta teoria aceita eram, em essência, iguais,

As Escrituras Ensinam Que a Terra e os Mares Constituem a Terra.

Em vez da palavra “terra” significar tanto terra quanto água, apenas a terra seca é chamada de terra (nas Escrituras), e os mares, o ajuntamento ou coleção das águas em vastas massas. A Terra e as grandes massas de água são descritas como duas regiões distintas e independentes, e não como formando juntas um único grande globo, que os astrônomos modernos chamam de “Terra”. Esta descrição será confirmada por diversas outras passagens das Escrituras: “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a estabeleceu sobre as inundações.” Salmo 24:1,2.

“Àquele que estendeu a terra sobre as águas; pois a sua misericórdia dura para sempre.” (Salmo 136:6) “E nisto eles são voluntariamente ignorantes, que pela palavra de Deus os céus existiam desde a antiguidade, e a terra, que permanece fora da água e dentro da água.” 2 Pedro 3:5.

“Aquele que com sua força fixou os céus e fundou a terra sobre as águas.” — Hermes, Novo Testamento.

“Que a superfície da água é horizontal”, diz Parallax, [e pretendemos provar isso cientificamente em nossa segunda parte] “é uma questão de verdade absoluta, e como a Terra está fundada sobre os mares e estendida sobre as águas, ela é necessariamente plana; e sendo uma massa concreta de elementos variáveis e compostos, com diferentes densidades específicas, ela deve ser uma estrutura flutuante, entrando e saindo das águas, assim como vemos um navio ou um iceberg.”

Já ouvi diversos argumentos, por diferentes pessoas, sobre a seguinte passagem das Escrituras, supondo que ela ensine a ideia da Terra como um globo suspenso no espaço vazio: “Ele estende o norte sobre o lugar vazio; e suspende a terra sobre o nada.” Jó 26:7.

Analisamos a opinião do Dr. A. Clark sobre esta passagem, e ele, sendo um filósofo newtoniano, diz que a tradução literal é: “Sobre o deserto oco ou vazio”; e ele dá a versão caldeia como sua preferida, que diz: “Ele colocou a terra sobre as águas, sem nada a sustentar.”

A representação transmitiria essa ideia. Ele a deposita sobre as águas que antes estavam vazias ou desocupadas pela terra; nada visível.

“Não farás para ti nenhuma imagem esculpida, ou qualquer semelhança de alguma coisa que está em cima no céu, ou que está embaixo na terra, ou que está na água abaixo da terra.” Êxodo 20:4.

Mas vejamos mais algumas citações das Escrituras:

“Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz durante o dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz durante a noite, que divide o mar quando as suas ondas rugem: O SENHOR dos Exércitos é seu nome. Se aquelas ordenanças desviarem-se de diante de mim, diz o SENHOR, então a semente de Israel também deixará de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim diz o SENHOR: Se o céu acima pode ser medido, e os alicerces da terra explorados abaixo, eu também rejeitarei toda a semente de Israel, por tudo o que eles fizeram, diz o SENHOR.” Jeremias 31:35–37.

Diz Parallax sobre o que foi dito acima: “É certo que as promessas de Deus ao Seu povo não podem ser quebradas, assim como não se pode medir a altura do céu, nem sondar ou determinar as profundezas das águas poderosas — os fundamentos da terra.”

O caráter insondável das profundezas abaixo, sobre as quais a terra está fundada, e a infinitude do céu acima, são aqui apresentados como emblemas da imensidão do poder de Deus e da certeza de que todas as Suas ordenanças serão cumpridas.

O poder de Deus pode ser limitado; o céu acima não será mais infinito; e as “águas poderosas”, o “grande abismo”, o “alicerce da terra” podem ser sondados. Mas as Escrituras nos ensinam claramente que o poder e a sabedoria de Deus, as alturas do céu e as profundezas das águas sobre a terra, são igualmente ilimitados e insondáveis.

A Terra se Move ou Gira?

A Terra é estacionária, e em nenhum lugar das Escrituras a Terra é mencionada como móvel, exceto por um milagre ou em um sentido relativo. E, por outro lado, o Sol não é mencionado nas Escrituras como parado, fixo ou tendo estabelecido posições, exceto por um milagre de Deus. O movimento concêntrico e progressivo do Sol sobre a Terra é em todos os sentidos praticamente demonstrável; no entanto, os astrônomos newtonianos insistem que o Sol apenas parece se mover, e que essa aparência surge do movimento da Terra; que quando, como afirmam as Escrituras, “o Sol parou no meio dos céus”, foi a Terra que parou e não o Sol; que as Escrituras, portanto, falam falsamente, e os experimentos da ciência e as observações e aplicações de nossos sentidos nunca devem ser considerados confiáveis! Daí surge esta negação ousada e arrogante do valor dos nossos sentidos e do nosso discernimento, bem como da autoridade das Escrituras? Uma teoria que é absolutamente falsa em sua fundação e ridiculamente ilógica em seus detalhes exige que a Terra seja redonda e se mova em torno de um eixo, e em várias outras direções (como mostraremos adiante), e que esses movimentos sejam suficientes para explicar certos fenômenos sem exigir que o Sol se mova; portanto, o Sol não se move, mas é um corpo fixo — seu movimento é apenas aparente! Tal raciocínio é uma vergonha para a filosofia e, na melhor das hipóteses, terrivelmente perigoso para os interesses religiosos da humanidade. Algumas passagens das Escrituras aqui serão suficientes para confirmar as afirmações acima:

“Neles ele pôs um tabernáculo para o sol, Que é como um noivo vindo de sua câmara, e regozija como um homem forte para correr uma corrida. Sua saída é desde o fim do céu, e seu circuito até os fins dele; e não há nada escondido de seu calor.” Salmo 19:4–6.

“O sol nasce, e o sol se põe, e apressa-se de volta ao seu lugar de onde nasceu.” Eclesiastes 1:5.

“Que aqueles que o amam sejam como o sol, quando desponta no seu poder.” Juízes 5:31.

“Assim, o sol permaneceu imóvel no meio do céu, e não se apressou a se pôr quase um dia inteiro.” Josué 10:13.

“Grande é a terra, alto é o céu, veloz é o sol em seu curso, pois ele circunda os céus ao redor, e retorna ao seu próprio lugar em um dia.” 1 Esdras 4:34.2

De Importância Para o Mundo Religioso.

Para o mundo religioso, esta questão é da maior importância — torna-se uma questão sagrada de vital relevância; encontra plena confirmação em todas as Escrituras, sempre que estas são mencionadas.

O Sol se Move?

Diz Parallax, p. 366: “Nos poemas religiosos e mitológicos de todas as épocas e nações, o fato do movimento do sol é reconhecido e declarado.” Os cristãos, em especial, de todas as denominações, estão familiarizados e frequentemente leem e cantam com deleite poemas como os seguintes:

“Meu Deus, que ao sol faz saber

A sua hora de erguer,

E dar ao mundo todo o ser

De luz ao seu alvorecer.

“Quando, das câmaras do Leste,

Sua corrida vai começar,

Não se cansa, nem para, reste —

Mas, ao redor do mundo, a brilhar.

“Deus da manhã, cuja voz faz subir

O alegre sol com pressa a nascer,

E, qual gigante, nele há de rir

Ao passar os caminhos do céu a correr;

Ele manda ao sol seu círculo traçar

Para a seara animar e a terra aquecer.”

Os versos isolados acima são meramente exemplos do que pode ser encontrado em todos os hinários e coleções de poesia sacra em todo o mundo. Os livros sagrados de todas as nações, e as percepções e instintos de toda a raça humana concordam plenamente em relação ao movimento do sol e à convexidade da Terra; e a astronomia teórica não apresenta um único fato ou experimento para sustentar a conclusão contrária.

Ministros, professores e comentaristas cristãos e judeus consideram uma tarefa extremamente desagradável conciliar a filosofia clara e simples das Sagradas Escrituras com os ensinamentos monstruosos e contraditórios da astronomia teórica moderna. O Dr. A. Clark, em uma carta ao seu amigo, o Rev. Thomas Roberts, de Bath, respondendo a perguntas sobre o progresso do comentário que estava escrevendo e seus esforços para conciliar as declarações das Escrituras com a astronomia newtoniana, diz:

“O sol e a lua imóveis de Josué me mantiveram ocupado por quase três semanas! Aquele capítulo me causou mais aborrecimentos do que qualquer coisa que eu já tenha enfrentado e mesmo agora estou apenas parcialmente satisfeito com minha própria solução para todas as dificuldades, embora esteja confiante de que removi montanhas que nunca foram tocadas antes. Devo dizer que estou profundamente cansado do meu trabalho — tão cansado que mil vezes desejei nunca ter escrito uma página sequer, e estou repetidamente pensando em desistir?” Life of Dr. A. Clark, 8ª edição.

O Reverendo John Wesley, em seu Diário, escreve o seguinte: “Quanto mais os considero, mais duvido de todos os sistemas de astronomia. Duvido que possamos saber com certeza a distância ou a magnitude de qualquer estrela com precisão; caso contrário, por que os astrônomos divergem tanto, mesmo em relação à distância do Sol à Terra? Alguns afirmam que é de apenas três milhões de milhas e outros, noventa milhões de milhas.” Extracts of Works of Rev. J. Wesley, terceira edição, 1849, por Moses London, p. 392, Vol. 2. No Vol. 3 da mesma edição, p. 293, ocorre a seguinte entrada:

1º de janeiro de 1765.

“Esta semana escrevi uma carta acalorada publicada na London Magazine; o autor ficou muito descontente por eu presumir duvidar da astronomia moderna. Não posso evitar isso; aliás, quanto mais reflito, mais minhas dúvidas aumentam, de modo que, no momento, duvido que algum homem na Terra saiba a distância ou a magnitude, não direi de uma estrela fixa, mas de Saturno ou Júpiter — sim, do Sol ou da Lua.”

No volume 13, página 359, referindo-se novamente à astronomia teórica, ele diz: “E assim toda a hipótese de inúmeros sóis e palavras girando ao redor deles desaparece no ar.”

Na página 430 do mesmo volume, aparecem as seguintes palavras: “Conhecemos as revoluções dos planetas, mas quem é capaz até hoje de demonstrar sua magnitude ou distância, a menos que prove, como é usual, a magnitude a partir da distância e a distância a partir da magnitude.”

No mesmo parágrafo, falando sobre o movimento da Terra, ele diz: “O Dr. Rogers demonstrou evidentemente que nenhuma conjunção das forças centrífuga e centrípeta pode possivelmente explicar isso, ou mesmo fazer com que qualquer corpo se mova em uma elipse.”

“Há várias outras observações incidentais em seus escritos que mostram que o Rev. J. Wesley estava bem familiarizado com o sistema newtoniano de astronomia e que via claramente seu caráter não contraditório e antibíblico. A suposição de que os corpos celestes são sóis e sistemas de mundos inabitados é comprovadamente falsa e impossível na natureza, e certamente não tem paralelo ou fundamento nas Escrituras.” Parallax.

1O texto bíblico, em verdade, diz o seguinte: “E Deus viu todas as coisas que ele havia feito; e eis que era muito bom. E houve a tarde e a manhã, o sexto dia.” Parece que Gleason não teve o mínimo pudor em acrescentar sua “equação teológica” à letra sagrada. Chegar a números exatos foi, por muito tempo, uma meta de diversos teólogos e religiosos cristãos. Podemos pegar o exemplo do cálculo feito pelo arcebispo Ussher, no século XVII, o qual concluiu que a Terra teria 4.004 anos de idade. Alex Gleason, por sua vez teria substituído a palavra “dia” por 15.000 anos, multiplicando por 6 (sexto dia). Entretanto não se sabe como chegou aos “15.000”. Especula-se que poderia ter concluído seu cálculo através do que está escrito em Salmos 90:4. “Porque mil anos à tua vista são como o dia de ontem, quando é passado, e como uma vigília à noite.”, inserindo alguma outra interpretação numérica desconhecida. Os adventistas de sua época, comumente, entendiam que 1 dia equivalia a mil anos, justamente por conta do texto do salmo. Por isso diziam que a Terra tinha 6 mil anos (mas isso não era só uma teoria dos adventistas). A teoria do dia-ano foi aplicada sobretudo a profecias apocalípticas (como as 70 semanas de Daniel ou os 1260 dias de Apocalipse), não propriamente aos dias da criação do Génesis. Alias, essas interpretações numéricas exatas sobre profecias ainda assim são muito temerárias! Afinal, não existe nenhum texto bíblico que forneça uma cronologia explícita para o futuro nem um código matemático oculto que, uma vez decifrado, revele uma data exata. E mais! O próprio Jesus Cristo, aparentemente, desautorizou esse tipo de cálculo: “Mas daquele dia e hora nenhum homem sabe, não, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.” Mateus 24:36 (Marcos 13:32). Claro que os “70 anos” de Daniel são mais específicos pois nos contam sobre a vinda de Cristo, porém, mesmo quando alguém usa o princípio dia-ano, o resultado é um período (ex.: 1.260 anos, 2.300 anos) e nunca um dia exato como “10 de março de 2037”. A fixação de um dia específico sempre exige uma série de pressupostos extrabíblicos (quando começa a contagem, qual calendário usar, etc.).

2Livro deuterocanônico/apócrifo


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