A ciência é feminina: mulheres representam cerca de 62% da programação presencial do ALAIC
O XVII Congresso Latino-Americano de Pesquisa em Comunicação realizou suas atividades presenciais na Unesp Bauru
A ciência é feminina: mulheres representam cerca de 62% da programação presencial do ALAIC
O XVII Congresso Latino-Americano de Pesquisa em Comunicação realizou suas atividades presenciais na Unesp Bauru
Por Samara Meneses
Entre os dias 20 e 22 de agosto, a Unesp Bauru sediou o XVII Congresso ALAIC 2024 cujo tema foi “Desinformação, automatização e democracia: os desafios da comunicação”. A programação foi diversa, incluindo grupos de trabalho, painéis, oficinas, lançamento de livros e atividades culturais. De acordo com o planejamento divulgado dos grupos de trabalho e interesse, aproximadamente 62% dos expositores listados para os eventos presenciais eram mulheres.
A perceptível presença feminina em ambientes científicos não é de agora, entre 2002 e 2022 o percentual de mulheres como autoras de produções científicas passou de 38% para 49%. Essas informações estão disponíveis no relatório “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”, da Elsevier e Agência Bori, que também destaca o Brasil como o terceiro colocado em maior participação feminina na ciência, de uma lista com 18 países mais a União Europeia.
Kátia Bizan, doutora em Comunicação Social pela FAM, apresentou seu grupo de pesquisa sobre a representação de gênero na divulgação científica. Utilizando a Revista Superinteressante como estudo de caso, a análise identificou uma disparidade significativa: de 320 artigos publicados em 2023, apenas 26 foram assinados por mulheres.
Dados do grupo de pesquisa: “A representação de gênero na divulgação científica e o estudo de caso da revista Superinteressante: compreendendo a construção da equidade na produção jornalística”.
“Quando falamos em ciência, as mulheres estão disparadas na frente, mas, quando olhamos para o mercado de trabalho, como no caso da revista, os homens conseguem mais emprego”, destaca Kátia.
Kátia Bizan, doutora em comunicação social — foto por: Samara Meneses
A participação expressiva de mulheres em eventos tão relevantes no meio acadêmico, como o ALAIC, também é ressaltada pela pesquisadora: “É muito importante para nós, porque é um dos congressos mais significativos na área da comunicação. E quando o nosso nome está incluído, tem um peso muito grande”.
É o que também afirma a docente e pesquisadora do curso de jornalismo na Unesp, Aline Cristina Camargo, atualmente com seis orientandas de iniciação científica, todas mulheres, no âmbito da Graduação e do Ensino Médio.
“É muito gratificante ver que, cada vez mais, as mulheres mais jovens estão se interessando pela pesquisa e considerando a academia como uma possibilidade de trajetória profissional. A ciência não é um espaço democrático no que diz respeito à perspectiva de gênero, mas me alegro em saber que, ainda que tenhamos dificuldades, as pesquisadoras seguem engajadas e representaram, visivelmente, a maioria dos participantes do ALAIC.”
Luisa Tabchoury, coordenadora geral da ACI FAAC (Assessoria de Comunicação e Imprensa da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design) e estudante de graduação em jornalismo na Unesp, também pôde apresentar sua pesquisa ao lado de sua orientadora, Karina Woehl de Farias, e descreveu sua experiência no evento como uma oportunidade marcante para conhecer pesquisadores de comunicação de toda a América Latina.
“Eu sou a segunda geração da minha família como pesquisadora mulher, então eu fico ainda mais feliz que haja uma participação majoritariamente feminina no congresso, porque são referências muito importantes para mim. Precisamos que as mulheres ocupem o espaço da ciência porque às vezes a visão masculina não consegue trazer todos os aspectos que as compõem”, afirma.
A estudante também ressaltou a importância de estudos, como o de Kátia Bizan, sobre equidade e representatividade dentro da comunicação, apresentados durante o ALAIC. “É muito importante ter mulheres na ciência falando sobre temas de gênero. Espero que o que eu vi no Congresso se reflita ao redor do mundo, com mais mulheres de diferentes países ocupando espaço na ciência”, finaliza.
메타데이터
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