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Weltschmerz: não tenho como expressar!

por: Saimo Arauxo

Saimo Arauxo · 2021-11-09 04:44 · 0 claps · 3.4 min read
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Weltschmerz: não tenho como expressar!

por: Saimo Arauxo

Ouvimos ou lemos, durante nossas vidas, lições e visões, digo superação, sobreviver depois que lanchou o pão que o diabo amassou. São as vítimas, sobreviventes de guerra, tragédias naturais ou artificiais. Posso dar-lhes dois exemplo do que vos digo. O primeiro, uma sobrevivemte de um tsunami na polinésia francesa e o segundo, uma pessoa que sobreviveu a um desengano médico.

Eis os eleitos a "super-heróis", os verdadeiros, os sobreviventes, o espelho nosso de cada dia.

Embora se veja um sorriso e alegria e. Seus rostos maquiados de super-herói, não se pode ver que sua alma, e essa, quase sempre atordoada.

Só quem sobreviveu conhece a dor da sobreviver, pois ao fechar das cortinas, das pálpebras, fim do grande espetáculo apoteótico e midiático, voltam a sua dor.

Mas o mundo precisa de heróis, nem que eles durmam a base Zolpidem. Quero dizer, o corpo sobreviveu, mas e a alma. Sabe-se lá se essa já não partiu.

Falando em sobrevivente, talvez você que está lendo meu jogo de palavras seja um desses, e ainda nem tomou consciência.

Na verdade, todos nós que ficamos para contar a história dessa pandemia, somos sobreviventes. Logo, ser super herói perdeu a graça. Os coringas irão começa a ganha vez. Vamos entender quem vive a margem? Eu acho uma excelente ideia.

Levando ao pé da letra o conceito de doença pela OMS, a ausência de doença não a constitui por si só, saúde.

Logo, não é difícil compreender, porque estamos todos a deriva.

A dor da Alma é um bicho curioso, pois cada um de nós desenvolvemos habilidades de a camalear. Esqueçam a palavra superação, a não ser que tenha um profissional de saúde mental o acompanhando e esteja progredindo.

E mesmo aí, por se tratar de biologia, tudo depende sabe-se lá do quê, não é verdade, já que 1 +1 é 3.

Para o sobrevivente, basta sorrir e não falar demais.

E aí está a doentia fábula que vivemos todos os dias. Quantas mulheres negam uma peridural em parto normal, não porque não querem sentir dor, mas para mostrar que são super heroínas para as outras na mesma condição. Como nos ensinou Eva Khatchadouria, no livro We Need to Talk About Kevin de Lionel Shriver, que ganhou as telas do cinema. Cá para nós, leia o livro é espetacular.

Bom, para os super heróis repousarem, lícito ou ilicitamente, recorrem à toxicomania, das bocas licenciadas do governo. E sendo todos cobaias das indústrias farmacêuticas, tudo e ainda se faz pouco para poder se manter a despersonalização dos traumas adquiridos, por isso sorriso escancarado.

Esses, nós e eles, se faz fantoches criado para reafirmar o blefe de que a esperança é a última que morre.

E sabe, meus caros, foi preciso engendrar, caso não, como já dizia o Dr. Spock: " A sociedade iria se degenerar em completa anarquia. Se bem que Bakunin discordaria, devido ao mal uso da palavra.

Embora nada seja voluptuoso aos humanos que a cultura do espetáculo. O Coliseu aí se faz necessário, como o Rossio e os pelourinhos. É o nosso pequeno grande defeito social, E a omissão de parte importante dos fatos se faz necessário, pois não largamos a mania binária de existência. E não contar toda história faz a epopeia dos vencedores sobre os desvalidos e perdedores.

Vez ou outra o sequelado, que sorri desdentado, entorpecido precisa aparecer para mostrar que não somos uma sociedade de castas.

E sobre os sequelados, não entra na minha cabeça porque é tão incompreensível entender que esses irão sofrer pelo resto de suas vidas pelo trato que lhes foram infligidas. Somos seres emocionais, se até o gato escaldado tem medo de água fria, quiçá vítimas de algum abuso físico ou psicológico?

Está aí um bom motivo para parar com a cultura do testemunho do sobrevivente e sua purificação. É deveras uma hipocrisia, e se perguntar: quais foram as cicatrizes que ficaram. Como podemos ajudar?

A psicanálise e a psicologia estão aí para mostrar como uma mesma situação ou estresse pode gerar impactos díspares sobre a personalidade de um ser humano.

Em algumas pessoas as sequelas são maiores, mas não quer dizer que em outras devem ser descartadas. Não se trata de um jogo. Todos perdem nessa competição.

E é preciso entender de onde vem a dor e sua intensidade antagonizar.

E no campo dos traumas, temos vítimas todos desgostos. Vítimas que fizeram suas próprias vítimas, engendraram. Passando a adiante sua falta de equilíbrio. E a sina dos oprimidos se tornam opressores, é como diz Jacques Salomé, curar a dor causando dor. É um coitado e miserável triunfo.

Falo nisso para que não esqueçamos dos esquecidos, das vítimas das vítimas de uma doença da alma.

É uma idiossincrasia, farmacologicamente que é tóxica em qualquer dose.

Embora se abra uma oportunidade para entender mais sobre quem somos e o porque nos permitimos, deixamos ferrar com nossa psiquê? Embora, mas não sem fazer você entender, quem puxou o gatilho foi você, eu, nós? Logo, é urgente entender nossa necessidade de procurar nossa culpa, pois ele se faz pedagógica, e garanto, se vê ruminada, nunca mais você aperta o gatilho pra você.

Eu espero muito que todos possamos assumir nossas dores e culpas, pois só é transformar como se reconhecer o erro. Pois para quem quer crescer limite é uma palavra sem muito claustrofóbica.


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