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Resíduos Sólidos de Saúde (RSS) são passíveis de reciclagem?

Simone Maria do Nascimento Ramos é técnica em enfermagem no Centro Cirúrgico da Unifesp. Formada em Farmácia e Bioquímica, pós-graduada em…

Unifesp • Universidade Federal de São Paulo · 2026-04-30 15:17 · 0 claps · 4.6 min read
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Resíduos Sólidos de Saúde (RSS) são passíveis de reciclagem? Reciclar dentro de salas cirúrgicas um sonho ou uma possível realidade?

Simone Maria do Nascimento Ramos é técnica em enfermagem no Centro Cirúrgico da Unifesp. Formada em Farmácia e Bioquímica, pós-graduada em Auditoria de Serviços de Saúde e discente no Mestrado Profissional em Tecnologia, Gestão e Saúde Ocular da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp)

Observando as salas cirúrgicas do Centro Cirúrgico do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) — Campus São Paulo, nota-se quantos materiais são abertos em uma única cirurgia. Todos os materiais são descartados como lixo infectante, mas nem todos o são.

Por exemplo: papéis usados, papéis com impressão errada, como prescrições médicas, aparas de papel, caixas de papelão, caixas de medicamentos, tampas de plástico, embalagens de fita microporosa, caixas de luvas, embalagens de almotolias de álcool, dentre outros, são descartados como lixo comum.

Os Resíduos Sólidos de Saúde (RSS) são resíduos produzidos em locais como hospitais, clínicas médicas, odontológicas, entre outros.

A diferença entre resíduo e lixo

Resíduo é todo o material que foi usado, com capacidade de reaproveitamento, que quando segregado corretamente pode voltar a fazer parte do ciclo de produção, economizando recursos naturais, diminuindo a extração de matérias primas e fornecendo empregos a catadores(as) e cooperativas que trabalham com reciclagem.

Lixo é tudo aquilo que não tem mais serventia para quem descarta. Então, nessa linha de pensamento, algo que não serve mais para mim, porém, pode ter um potencial reaproveitamento. Por isso, parte do que é lixo para alguns, pode ser reciclado ou transformado em outros produtos.

O rejeito, por sua vez, é o material que, mesmo após esgotadas as possibilidades de reaproveitamento e reciclagem, não possui alternativa técnica ou economicamente viável além da destinação final ambientalmente adequada, como em aterros sanitários licenciados. Quanto melhor for a separação realizada nas residências, escolas, empresas e órgãos públicos, menor será a quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final.

Os resíduos de saúde da cidade de São Paulo são coletados pela prefeitura por meio das concessionárias Loga e EcoUrbis Ambiental.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) organiza os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) em cinco grupos, identificados de A a E, sendo que o grupo A é subdividido em categorias de A1 a A5. Cada grupo possui um símbolo próprio e exige formas específicas de descarte, coleta e tratamento. Antes da destinação final em aterros, todos os resíduos passam por algum tipo de tratamento, que pode incluir métodos como autoclave ou incineração, conforme suas características.

Após a coleta em grandes e pequenos geradores, os resíduos dos grupos A2, A3 e B são encaminhados para incineração. Os demais resíduos de serviços de saúde seguem para a Unidade de Tratamento de Resíduos de Serviços de Saúde (UTRSS), da EcoUrbis, e para a Central de Tratamento de Resíduos de Serviços de Saúde Marcus Silva Araújo (CTRSS), operada pela Loga. Essas unidades possuem licenciamento ambiental adequado, assim como os aterros sanitários que recebem a destinação final dos resíduos já tratados ou incinerados.

Ao chegarem a essas centrais, os resíduos passam por tratamento térmico em autoclaves. Nesse processo, atuam conjuntamente quatro fatores: temperatura, pressão, tempo de exposição e a penetração do vapor no material. Assim, os resíduos são submetidos a calor intenso (podendo chegar a 150°C), umidade e alta pressão por tempo suficiente para eliminar microrganismos patogênicos e reduzir significativamente a carga microbiana.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a tecnologia de autoclave garante elevados níveis de inativação microbiana (nível III), conforme exigido pela legislação brasileira e reconhecido internacionalmente. Como resultado, o material é descontaminado, descaracterizado e triturado, o que diminui o volume de resíduos e contribui para a preservação ambiental ao prolongar a vida útil dos aterros, que constituem o destino final dos RSS.

A RDC nº 222/2018 da Anvisa organiza os resíduos perigosos do grupo A (infectantes) em cinco subgrupos: A1, A2, A3, A4 e A5. Já os resíduos perfurocortantes, classificados no grupo E, também podem apresentar contaminação por material com potencial infectante.

A Prefeitura de São Paulo cobra uma taxa sobre os RSS recolhidos por quilo.

No entanto, o Centro Cirúrgico do Departamento de Oftalmologia da EPM/Unifesp produz uma quantidade média de aproximadamente 45kg/dia. Caso os resíduos com potencial para reciclagem fossem separados adequadamente, passaria de 45kg para aproximadamente 18kg a 20kg/dia. Portanto essa taxa cobrada trimestralmente pela prefeitura passaria de 15.125,48 para R$ 475,07 . O centro cirúrgico sairia de grande gerador de resíduos sólidos para pequeno gerador de resíduos sólidos especial lll

Essa pesquisa foi realizada como parte do meu trabalho de mestrado, realizado no centro cirúrgico, onde foram pesados os resíduos durante dois meses, um mês sendo no seu total, sem separação, e no outro mês sendo com separação dos materiais com potencial de reciclagem.

Então é possível, sim, fazer a segregação dos resíduos em salas cirúrgicas do Centro Cirúrgico do Departamento de Oftalmologia da EPM/Unifesp, e acredito que em outros lugares de toda Unifesp.

Há uma preocupação quanto à contaminação desses resíduos. Acredita-se que todos os materiais estéreis que entram na sala cirúrgica passam a ser considerados contaminados. No entanto, na prática, o que se observa é a ausência de orientação adequada sobre a correta segregação desses materiais.

Os resíduos que não podem ser destinados à coleta seletiva são aqueles que, de alguma forma, entram em contato com materiais biológicos durante o procedimento cirúrgico, como sangue, entre outros.

Já existe em alguns lugares dentro da universidade essas coletas seletivas feita pela própria Unifesp, mas em outros ainda não é realizada, por ser administrada por outra gestão externa à instituição.

A coleta seletiva realizada pela a Unifesp é feita por cooperativas devidamente cadastradas, onde não é cobrado nenhum valor pela coleta. Os resíduos são retirados gratuitamente. Mais um motivo para incentivar a coleta seletiva.

As vantagens seriam exorbitantes, como lucro pelos resíduos que hoje são separados de forma incorreta, gerando ônus à instituição. Se fossem separados corretamente não teriam custo para serem coletados. E ainda promoveria a preservação do meio ambiente, diminuindo a quantidade de aterros sanitários.

Vale ressaltar que segundo os dados do IBGE, existem ainda, no Brasil, 3 mil lixões em atividade a céu aberto, que contaminam o solo e lençóis freáticos, produzindo gases de efeito estufa e espalhando doenças.

A adoção de práticas sustentáveis é essencial não apenas para garantir um futuro melhor, mas também para promover um presente mais consciente.

Links para consulta:

ABREMA https://www.abrema.org.br/2024/08/26/com-3-mil-lixoes-ativos-brasil-ainda-tem-dificuldades-no-descarte-adequado-do-lixo/

PREFEITURA DE SÃO PAULO https://prefeitura.sp.gov.br/documents/d/fazenda/trss-pdf

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA https://gestaoderesiduos.ufsc.br/o-que-sao-residuos-infectantes/

RECICLA SÃO PAULO [https://www.reciclasampa.com.br/artigo/veja-como-funciona-a-coleta-dos-residuos-de-saude-em-sao-paulo#:~:text=Os%20estabelecimentos%20est%C3%A3o%20devidamente%20licenciados,aterros%2C%20destino%20final%20dos%20RSS](https://www.reciclasampa.com.br/artigo/veja-como-funciona-a-coleta-dos-residuos-de-saude-em-sao-paulo#:~:text=Os estabelecimentos estão devidamente licenciados,aterros%2C destino final dos RSS)

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA https://www.ba.gov.br/meioambiente/noticias/2026-03/17365/lixo-residuo-ou-rejeito-entender-diferenca-e-o-primeiro-passo-para-reduzir

SP REGULA https://prefeitura.sp.gov.br/web/spregula/w/residuos_solidos/277273

*As opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade do(a) autor(a) e não expressam, necessariamente, a posição da universidade.


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