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sobre a crise dos 20 anos, a crise dos 25 e a crise de crescer

Psicóloga Caroline Quinderé · 2026-09-01 23:30 · 5 claps · 3.6 min read
#psychology #adulthood #adulting #growth #quarter-life-crisis
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Wiki topics: PSY · Psychology

sobre a crise dos 20 anos, a crise dos 25 e a crise de crescer

algumas reflexões de uma psicóloga de 25 anos sobre a crise dos 20 e poucos, ser adulto e descobrir que ninguém tem tanta certeza assim do que está fazendo

Eu adoro esses termos de “crise dos 20”, “crise dos 25”. Como psicóloga que atende principalmente jovens nessa faixa etária, e sendo uma mulher de 25 anos, eu vejo essa crise se desenrolando do outro lado do link do Meet todos os dias. Mas se engana quem pensa que é a mesma crise para todo mundo. Na verdade, uma grande parte da crise é o fato de ela ser completamente diferente para cada um.

Há quem chegue à clínica perguntando: “Como ser adulto e ver os meus amigos com frequência?”. E nós passamos 50 minutos, ou 57…, falando sobre a habilidade de manter um nível de socialização que agrade, sentir-se pertencente a um grupo e não se perder na rotina, virando somente um trabalhador.

E então chega a paciente das 15h: “Todo mundo está avançando e eu estou parada”. Escutamos Vienna, do Billy Joel, e conversamos sobre “o que é estar avançando para você? E o que é estar parada?”. A verdade é que eu não conheço ninguém que não se sinta como ela. Nesse mundo de Instagram, ainda existem pessoas de 25 anos que sentem que estão onde deveriam estar? Se sim, por favor, me apresente! Ou não. Acho que eu preciso me entender melhor antes de entrar em contato com essa realidade.

E então chega a paciente do atendimento presencial e diz: “Como ser independente emocionalmente dos pais, mesmo morando com eles?”. Investigamos mais sobre a infância dela. O que é ser independente emocionalmente? Que espaço ela tem para ser quem é dentro de casa? Será que emancipar-se da sua família de origem significa deixar todos eles para trás?

Eu poderia passar horas escrevendo aqui sobre todas as queixas e demandas que eu já recebi na clínica e como elas se relacionam com a crise dos 25. Eu também poderia passar dias falando sobre a influência das redes sociais nisso tudo e sobre como, antes, o nosso escopo de comparação era minúsculo e a prima que passou no concurso era o máximo a que chegávamos. Hoje, a influencer que ganha 100 mil por publi de produto de cabelo afeta uma jovem de 25 anos que ainda se pergunta se quer atuar na área em que se formou. E eu poderia passar meses falando da influência da nossa sociedade capitalista nisso tudo e de como o padrão de vida dos jovens caiu tanto que muitos se sentem como adolescentes pela falta de perspectiva que temos.

Mas eu não vou falar nada disso.

Vou falar: a gente aprende a viver vivendo.

Ninguém nasce um dia e aprende a fazer algo. E você não será o primeiro.

Ser adulto não é uma definição rígida e fixa, como muitas pessoas falam. Se fosse, será que você entraria? Será que eu entraria? Será que os seus pais entrariam?

Ser adulto é fazer 18 anos? É trabalhar? É ter um diploma? É morar sozinho? Ser adulto é saber lidar com os seus próprios problemas? E se eu precisar de ajuda, ainda sou adulto? “Mas eu não sei o que eu quero fazer da vida ainda. E eu ainda leio fanfic! E assisto dorama! Será que eu sou adulta?!” “Mas e eu, que ainda preciso da ajuda dos meus pais para pagar o cartão de crédito?” “E eu, que não sei cortar uma cebola em rodelas, só em quadradinhos. Eu sou adulta?”

E a verdade é que a definição de adultez mudou muito com o tempo. Antes era 18 anos, hoje, 25. Ou seja, se a definição mudou tanto assim… quem diz que ela realmente existe?

Sei que ninguém pediu a minha opinião, mas aqui vai ela: eu acredito que ser adulto significa tentar assumir responsabilidade pela sua própria vida, buscar uma independência emocional e entender, aos poucos, que a vida que você quer e deseja não vai ser oferecida para você. Você precisa construí-la.

E sobre as crises… elas acontecem. Talvez, sem elas, nós ficássemos parados para sempre. Não que eu pense que se sentir inadequado e ansioso seja algo bom, longe disso. Mas acredito que podemos ver o lado bom delas: elas nos mostram que ficar em movimento é algo positivo.

Então, aproveite a crise. Faça o intercâmbio fora de época, beba até cair, com responsabilidade, por favor, com os seus amigos, cometa erros, vá para aquela entrevista de emprego e não passe. Faça outra e passe dessa vez. Gaste dinheiro com algo inútil e perceba que você ainda não tem uma reserva de emergência. Depois, comece uma reserva de emergência.

A melhor parte dos 20 e poucos anos é que você tem toda a liberdade de procurar o seu próprio caminho, mas a responsabilidade de, pelo menos, tentar.

Claro que eu preciso finalizar dizendo: se você sente que está tentando descobrir esse caminho sozinha há tempo demais, talvez a terapia possa ser um espaço para entender o que é seu, o que foi esperado de você e que vida você quer começar a construir.

Se você está vivendo a sua própria crise dos 20 e poucos, me chama. Talvez a gente possa atravessar essa fase juntas.


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