Diário de uma pequena cientista
Recentemente eu me encontrei de uma forma tão incrível no laboratório que parecia que eu tinha me apaixonado de novo. É um sentimento muito…
Diário de uma pequena cientista
Recentemente eu me encontrei de uma forma tão incrível no laboratório que parecia que eu tinha me apaixonado de novo. É um sentimento muito gostoso de se encontrar naquilo que você tá fazendo. Apenas saí do laboratório e conclui sem nenhum esforço: é isso que eu quero fazer pro resto da minha vida.
No dia que eu percebi isso foi uma explosão de felicidade. Contei pros meus pais, pra Vênus, para certos humanos que conquistaram meu coração com muito pouco. Queria contar pro mundo, sabe?! Mas bastou eu ter contado pra uma pessoa que eu percebi que nem todo mundo vai ficar feliz comigo junto. E tudo bem, assim eu vou aprendendo a controlar o meu amor incontrolável.
Enfim, to feliz pra carai.
Hoje eu queimei meu dedo verificando a temperatura da chapa que ferve as coisas. Como vocês podem ver, eu to bem familiarizada com os instrumentos do laboratório. Porém, foi hoje também que eu consegui lavar todos os utensílios do laboratório sozinha. Pois é, sou foda.
O que eu mais to curtindo fazer por lá são as sínteses e as decorações das nanopartículas, que estão sendo a primeira parte do longo artigo que irei publicar (rajada de fé que vai dar certo). É muito legal entrar nesse mundo extremamente pequeno, me divirto muito com o mundinho que eu vou criando na minha cabeça enquanto meu orientador vai respondendo as minhas perguntas.
Tenho que tomar cuidado quando eu entendo algo, porque eu me empolgo e sempre solto um “que engraçado!!” com uma cara de “meu deus que coisa incrível é a vida”. Sim, eu sou bem expressiva quando eu estou gostando muito de algo. Tem uma galera (alguns professores mais sérios) que não curte esse tipo de comentário. Morro de vergonha quando saio do meu estado de êxtase e percebo que to sendo julgada, ai eu paro e troco ideia com o meu Mercúrio (ele é a minha consciência) que sempre me acalma com a seguinte frase: “cara, relaxa, já passou a galera já tá em outro assunto.”
O primeiro dia que eu fui preparar a solução de um agente redutor, foi incrível e assustador ao mesmo tempo. Eu já havia adicionado o etilenoglicol com o hidróxido de lítio no balão de 10mL, só faltava completar com água até o menisco (é tipo uma linhazinha que “marca” o volume da solução).

Esse da esquerda é a bundinha da água hehe.
Ai tava aquela puta tensão de novata, que naturalmente tem 90% de chance de errar apenas pelo nervosismo e ansiedade. Pra você ter certeza de que depositou a quantidade certa da água, a “bundinha” da água é o seu ponto de referência.
Quando eu coloquei a água, na hora eu soltei um “vish acho que passou”. E tipo, passar do menisco muda a concentração daquela solução, ou seja, vai ter que fazer todo o processo novamente, o que significa que terá que descartar toda daquela solução, pipipipopopo…. Caguei de nervoso.
Até que o meu outro orientador pegou o balão e verificou se realmente tinha passado do menisco. Ele, com um aspecto tenso na cara, olhou e falou “passou não”. Lá vou eu soltar mais um comentário inapropriado “eita que cagada!!”. Parei, escutei o que eu havia acabado de falar, e olhei pro meu Mercúrio e ele disse “boa garota, mais uma gafe pra tua lista de passar vergonha”.
Mas no geral a galera lá do laboratório é bem de boa. Um ou outro que são mais fechado, mas eu já to bem confortável em fazer trezentas perguntas sobre o que tá acontecendo por ali, no mundinho atômico.
:)
메타데이터
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- 2026-07-09 04:10:03