Flamengo x Barcelona, uma tarde mágica no Mário Filho
Você já teve a chance de presenciar um jogo lendário?
Flamengo x Barcelona, uma tarde mágica no Mário Filho
Não é todo rubro-negro que aprecia ir a jogos do sub-20 ou que tem dinheiro o suficiente para se dar o luxo de acompanhar a equipe principal e a de base. Mas para um torcedor apaixonado que não ia ao Maracanã há 3 meses, uma final do Intercontinental contra o Barcelona parecia uma oportunidade e tanto de ir apoiar o time de coração por um preço acessível.
E é claro que eu não perderia a chance de levar minha mãe e minha namorada, pilares da minha vida, para compartilhar esse momento especial.
Sábado, 23 de agosto de 2025.
O Flamengo de Bruno Pivetti, que tinha apenas 8 jogos no comando do sub-20, entrava em campo com: Léo Nannetti, Daniel Sales, João Victor, Iago, Gusttavo Sousa, João Alves, Guilherme Gomes, Lorran, Matheus Gonçalves, Joshua e Pedro Leão, seis desses onze jogadores estavam presentes na final do ano anterior contra o Olympiacos da Grécia.

Iago e Joshua se aquecendo
O Barcelona do ex-jogador brasileiro Juliano Belletti, que vinha de um sólido ano à frente de uma das bases que mais revela estrelas mundiais, entrava em campo com: Eder Aller, Xavi Espart, Andrés Cuenca, Álvaro Cortés, Landry Farré, Quim Junyent, Pedro Rodríguez, Brian Fariñas, Juan Hernández, Jan Virgili e Òscar Gistau.
Talvez surpreendente para alguma parte do público amante do futebol, tivemos um Maracanã com 45 mil torcedores presentes para apoiar 11 jogadores com uma média de idade de apenas 19 anos. Superior à final do ano anterior, que contou com 31 mil torcedores.

O árbitro Jhon Ospina autorizou e a bola começou a rolar no gramado do Maracanã, solo sacralizado por tantos outros garotos do ninho que brilharam e encantaram a nação rubro-negra com a ousadia marcante que a realidade carioca sempre ajudou a moldar.
E dada a relação cinética entre torcida e base, existe o compromisso com a memória, com a honra e com o legado que esses garotos deixam no clube.
Entre os que brilharam e foram fundamentais em títulos e os que geraram milhões de reais para a instituição, infelizmente houve aqueles que tiveram seu sonho interrompido precocemente na triste manhã do dia 8 de fevereiro de 2019.
Enquanto tantos covardes e omissos tentam se desvincular da culpa ou terceirizá-la, o compromisso da nação segue firme em honrar a memória dos 10 garotos do ninho que ousaram sonhar em um dia defender o manto do mais querido.

torcida rubro-negra
E no minuto 10 de todo jogo, pode-se ouvir a homenagem da torcida para nunca esquecermos que ser Flamengo é muito mais do que ligar a TV e ficar feliz quando ganhamos ou triste quando perdemos, ser Flamengo é viver o Flamengo.
É lógico que em uma final do sub-20 não seria diferente, afinal, 6 anos de luto não é tanto tempo assim, visto que em campo ainda estavam jogadores que tinham amigos entre as vítimas.
Quase que em uma sinergia espiritual entre jogadores e torcida, no minuto 10, ouviu-se cantar da arquibancada “como eu queria ter vocês aqui honrando o manto do Mengão com raça e paixão” e os garotos começaram a pressionar a defesa blaugrana, e exatamente após a torcida cantar os versos “São dez estrelas a brilhar no céu do meu Mengão” aos 10 minutos e 38 segundos do primeiro tempo, Lorran chutava para dentro do gol adversário após um ataque acidentado de Matheus Gonçalves.

Lorran e Matheus Gonçalves
Se cada ser humano ao longo da vida escolhe algumas memórias para guardar com carinho na mente, essa definitivamente vai ser uma delas para mim. Foi como presenciar algo sobrenatural.
Coisa com que a torcida rubro-negra já está acostumada, já que tantos símbolos já foram reivindicados em seus 130 anos de história.
O que se viu nos próximos 60 minutos de jogo foram dois times se digladiando. Apesar do gol dos cariocas no início, não se viu um domínio dos rubro-negros ou dos culés. Porém, os 45 mil torcedores viram Léo Nannetti, de apenas 17 anos, salvar o Flamengo em algumas oportunidades com defesas inacreditáveis em chances claras de gol.
Aos 70 minutos de jogo, Xavi Espart lançou a bola da lateral direita para a ponta, caindo nos pés de Jan Virgili, habilidoso ponta direita que deu dor de cabeça para a dupla de zaga do Flamengo, que dominou nas costas de Carbone, deu um chapéu em Iago e tirou de Nannetti, fazendo um golaço para empatar a decisão em um momento que o jogo parecia mais cadenciado.
A torcida não sentiu o gol sofrido e puxou o canto do lendário hino do Flamengo para proibir que seus jogadores abaixassem a cabeça e permitissem que o adversário farejasse alguma fraqueza ou desânimo.

Lorran é perseguido por marcadores
O Flamengo sufocou por bons minutos após sofrer o gol, mas a falta de efetividade para colocar a bola na rede fez o jogo se nivelar novamente, a missão era clara: virar o jogo em 19 minutos.
Como é de se esperar de um grupo tão jovem, o nervosismo se tornou visível, o gol não saía e cada vez mais erros aconteciam. Não dá para dizer que a pressão não era grande, não é todo dia que se joga em um estádio lendário para 45 mil pessoas valendo taça.
Aos 83 minutos, Shane Kluivert, filho de Patrick Kluivert, craque holandês que marcou sua geração, teve uma chance clara para finalizar na meta de Léo Nannetti após falha de posicionamento da defesa do Flamengo, mas um erro crucial ao dominar a bola custou o possível gol do título, já que Nannetti inteligentemente se adiantou para encurtar o raio de ação do atacante.
Os 90 minutos chegavam e o juiz acrescentava 4 minutos de jogo, o Flamengo tentou muito, mas as chances não eram claras o suficiente e os ataques iam ficando no quase, enquanto o Barcelona ia criando chances cada vez mais perigosas.
Entre os minutos 89 e 91, o jogo se concentrou em contra-ataques na área do Flamengo, com Léo Nannetti fazendo 3 defesas cruciais e dificuldades em sair jogando, ocasionando um escanteio aos 93:57 de jogo.
A arquibancada que inflamou o jogo inteiro já enfrentava, junto com os garotos, níveis de tensão muito elevados; era uma bola ou um erro para acabar com o sonho do bicampeonato mundial.
A bola foi alçada para a área e, após disputas aéreas, Juan Hernández finalizou com desvio para fora, outro escanteio para o Barcelona aos 94:20.
Uma das consequências de levar uma pessoa que não tem o costume de assistir futebol para o estádio é que sempre existe a chance de ela falar para você a coisa mais deslocada do ambiente possível, em uma inocência de quem não fazia ideia do peso que cada segundo continha naquele fim de tarde no setor norte do Maracanã. E minha namorada não perdeu a chance de me falar que: “era só um lanche depois do jogo” e, tentando conter os nervos, respondi “era só o Flamengo não tomando gol agora”.
Marcos Parriego ajeitou a bola para a cobrança e cruzou para o capitão Álvaro Cortés cabecear para o gol da virada no limite do relógio. Se o futebol é feito de narrativas, a redenção heróica deles já estava pronta.
94:30
Assistindo aos 11 garotos do Barcelona correrem e se jogarem pelo campo comemorando o até então gol do título, pude perceber como uma torcida se comporta quando está em um transe coletivo de apoiar até a morte. Só nos demos o luxo de sentir o gol por alguns segundos e logo eu senti como se uma mão invisível me puxasse à força e me dissesse “tá maluco? Isso é Flamengo. Vai jogar a toalha?” Os gritos de “Mengo” começaram a se repetir cada vez mais alto e ali a mensagem estava transmitida aos jogadores: só acaba quando termina. Queríamos mais que raça em campo.
95:57
O atacante nigeriano Shola Ogundana se atirou pela ponta direita em uma tentativa desesperada de chegar ao gol, mas foi desarmado. A defesa blaugrana afastou a bola com um chutão na esperança de ouvir o apito do juiz assinalar o fim do jogo. Enquanto isso, Daniel Sales dominou e avançou alguns metros com a bola antes de cruzar com toda sua força do meio de campo até Iago, que estava dentro da área e marcado por Xavi Espart, 13 centímetros mais baixo que o Capitão rubro-negro, que cabeceou com maestria para encobrir o goleiro.

Iago Teodoro, o herói.
“Nessas coisas que só o futebol faz para você!”
E para quem já aprendeu que no futebol tudo é possível e que o Flamengo desafia as leis herméticas, não foi surpresa os gritos incessantes de “Mengo”.
Disputa de pênaltis
Existe algum amante de futebol que não goste de ver uma boa disputa de pênaltis valendo título? Certamente qualquer um que esteja vendo o seu time disputar o título.
A missão de criar um clima hostil para a disputa caiu no colo do setor sul, mas todo o estádio sabia qual música deveria ser cantada para intimidar o adversário.
Entre a vaia para o batedor adversário e o apoio para os garotos do ninho, o cântico ecoado era “o senhor, ele é Flamengo e Flamengo eu também sou. Ele é da raça, eu também sou, da raça do Mengo.”

Léo Nannetti pega o segundo pênalti para garantir o bicampeonato
O resultado? 4x4 nas 5 cobranças, e 2x1 nas alternadas com Carbone batendo o pênalti do título. Léo Nannetti, fundamental na partida, defendeu duas cobranças e colocou seu nome na boca da torcida, que ainda não o conhecia.
O Flamengo se tornou o maior campeão do jovem torneio Intercontinental Sub-20, ajudando a manter a hegemonia sul-americana contra os europeus. E o mais importante, entregou uma tarde mágica no Maracanã para os fiéis torcedores que foram apoiar o futuro do clube e os que assistiram da TV.
Que nunca morra o DNA rubro-negro, craque o Flamengo faz em casa.

Lorran ao lado da taça do Intercontinental Sub-20
메타데이터
- post_id
- b2bb20243be3
- slug
- flamengo-x-barcelona-uma-tarde-mágica-no-mário-filho-b2bb20243be3
- url
- https://medium.com/@2005Outubro/flamengo-x-barcelona-uma-tarde-m%C3%A1gica-no-m%C3%A1rio-filho-b2bb20243be3
- canonical_url
- https://medium.com/@2005Outubro/flamengo-x-barcelona-uma-tarde-m%C3%A1gica-no-m%C3%A1rio-filho-b2bb20243be3
- author_url
- https://medium.com/@2005Outubro
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-31 03:35:43