O QUE SAIU NO JORNAL?
Hoje é um bom dia para fazer uma análise da capa de dois dos jornais de maior circulação no país (Folha de S. Paulo e O Estado de S…
O QUE SAIU NO JORNAL?


Hoje é um bom dia para fazer uma análise da capa de dois dos jornais de maior circulação no país (Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo) sobre a votação da denúncia do Temer. Um momento delicado e extremamente crucial, que comprova — ainda mais — a fragilidade política da situação que estamos vivendo.
CONTEXTO
Ontem, a Câmara dos Deputados rejeitou por 263 votos a 227 a autorização para o STF abrir processo criminal contra o Temer por crime de corrupção passiva, segundo denúncia realizada por meio do relatório do deputado Sergio Zveiter. Nas semanas que antecederam essa ocasião, foi amplamente divulgado em todos os jornais que a base aliada e oposição estariam articulando estratégias para a votação do inquérito, tais como: troca de integrantes na Comissão de Justiça e liberação de emendas. Ontem, após reunião com integrantes da equipe econômica no Ministério da Fazenda, o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (aquele lá que queria estancar a sangria) afirmou que deputados peemidebistas que votarem a favor da continuidade da denúncia sofreriam consequências. Atitude absolutamente antidemocrática.
ANÁLISE
“Câmara barra denúncia por corrupção contra Temer” foi a manchete utilizada pelo jornal O Estado de S. Paulo. A linha fina apontava as articulações para barrar a denúncia e a possibilidade de haver novas acusações. Já a Folha de S. Paulo apontou a vitória de Temer como uma demonstração de força e denunciou a negociação de emendas parlamentares em plena sessão, citando também o fato do presidente ter se encontrado com mais de cem deputados no último mês.
Após essas manchetes, fica bem claro que o Estadão utilizou bem da ironia ao incluir um destaque para as aspas do Temer após a votação: “A decisão soberana do Parlamento não é uma vitória pessoal”. De fato, não é. Muitos que votaram a favor do arquivamento ganharam bastante dinheiro. Infelizmente, e mais uma vez, quem perdeu fomos nós. A Folha, por sua vez, publicou um destaque da coluna do Bernardo Mello Branco: “Deputados deixam claro ao blindar Temer que provas não importam”. Nada muito novo aqui. Já estamos cansados de saber que provas não importam, bem como a ausência delas.
É claro que, em um país onde política e futebol tem quase o mesmo peso (sendo o segundo muitas vezes mais relevante), ambos os jornais deram espaço para a notícia da contratação do Neymar pelo PSG, da França, o que resultou na maior transação da história do futebol. Interessante esse comparativo futebol e política. Os dois envolvem transações, negociações, compra, mudança de time. O que difere é que, em um deles a gente sabe os valores, no outro não.
Passando os olhos pelo restante da capa do Estadão encontramos uma chamada para uma matéria de opinião, intitulada “A política radical de Lula” (sim, eles não se cansam). Na Folha um destaque bem tímido para o projeto de Trump, que mira imigração “não qualificada”. Nessa análise, também podemos sacar que a Hyundai está desembolsando uma grana forte em publicidade, já que seu anúncio aparece em quase ¼ de ambas as capas.
CONCLUSÃO
Segundo análise das capas dos jornais, fica bem claro que essa votação, bem como grande parte das decisões que estão sendo tomadas por esse governo, foram compradas, embora alguns ainda acreditem que os deputados que votaram contra a denúncia o fizeram por culpa do incrível carisma e honestidade do atual presidente, conforme alegou-se na votação.
Informação é fundamental, sobretudo em um momento tão delicado do nosso país. A sujeira política não é uma novidade e está escancarada na capa de todos os jornais diariamente. Fechar os olhos para o que está acontecendo é ser conivente com essas decisões. Desistir e deixar a correnteza levar, certamente irá nos afogar. Se informe, discuta, procure saber, investigue. Precisamos tomar uma atitude e, para isso, precisamos nos informar, nos articular, porque eles, meus amigos, já estão bem articulados. Nós nem nos recuperamos desse resultado e, se você entrar no site do Estadão, a manchete de destaque é “Governo terá que reorganizar base para votar Previdência, diz Maia”.
Pois é! Aguardemos os próximos capítulos…
3 de agosto de 2017
메타데이터
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