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COPA DO MUNDO 1990: ALEMANHA CAMPEÃ E UNIDA NOVAMENTE

A Copa do Mundo é um evento único. E não é só sobre futebol. Durante um mês, o planeta inteiro parece falar um único idioma.

Vitor Torres · 2026-06-06 18:11 · 0 claps · 10.2 min read
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COPA DO MUNDO 1990: ALEMANHA CAMPEÃ E UNIDA NOVAMENTE

Logo da Copa

Logo da Copa

A Copa do Mundo é um evento único. E não é só sobre futebol. Durante um mês, o planeta inteiro parece falar um único idioma.

Todas as Copas foram impactantes e inesquecíveis, porém, a edição de 1990 é vista como uma espécie de ‘patinho feio’ dos mundiais.

De fato, ela teve a menor média de gols da história (2,21), e a maioria das equipes favoritas demorou a engrenar, priorizando a defesa.

Mas seria injusto dizer que ela não teve um significado importante, principalmente para a campeã Alemanha.

Ainda sob o nome de ‘Alemanha Ocidental’, a seleção venceu a Copa, pouco tempo após a reunificação do país e um ano após a queda do muro de Berlim.

Pela primeira vez, a Alemanha inteira poderia comemorar o título, sem muros e sem amarras.

Sede da Copa

Estádio Olímpico de Roma, palco da Final

Estádio Olímpico de Roma, palco da Final

Após o título de 82, o futebol italiano explodiu. Os melhores jogadores do Mundo migraram em peso para a Terra da Bota.

Com tudo isso, os políticos e dirigentes esportivos tiveram a ideia de pleitear o direito de voltar a receber a Copa do Mundo, muitos anos após abrigar e vencer a edição de 1934.

Em 19 de Maio de 1984, o país foi escolhido para receber o Mundial de 1990.

As cidades que receberam as partidas foram: Roma, Milão, Nápoles, Turim, Bari, Verona, Florença, Cagliari, Bologna, Udine, Palermo e Gênova.

Eliminatórias e Regulamento

[embed]Vídeo: Tio Leyendas

116 times disputaram 22 vagas na Copa durante as eliminatórias. Argentina (atual campeã) e Itália (anfitriã) já estavam lá. No total, 24 seleções participaram do torneio.

Algumas curiosidades das eliminatórias: O México, última sede da Copa do Mundo, perdeu o direito de disputar o classificatório por causa do escândalo ‘Los Cachirules’.

A seleção mexicana sub-20 utilizou jogadores acima da idade permitida no Campeonato Sub-20 da CONCACAF de 1988, torneio que servia de classificação para o Mundial Sub-20 de 1989. Quando a fraude foi descoberta, a federação mexicana foi acusada de ter fornecido informações falsas sobre a idade dos atletas.

O Chile também foi banido das competições da FIFA após tentar forjar, junto com o goleiro Rojas, um acidente durante o jogo contra o Brasil, pela última rodada das eliminatórias.

O regulamento foi idêntico ao de 1986: 24 seleções divididas em 6 grupos com 4 times cada. Além dos dois primeiros de cada grupo, os 4 melhores terceiros colocados avançam ao mata-mata, totalizando 16 equipes.

Campeão

Foto: Edição dos Campeões

Foto: Edição dos Campeões

A Alemanha Ocidental foi sorteada para o Grupo D. Na mesma chave ficaram Colômbia, Iugoslávia e Emirados Árabes Unidos.

Diferente de outras copas, a Alemanha não foi nem um pouco pragmática, pelo menos nos dois primeiros jogos.

Na estreia, goleada surpreendente contra a boa equipe da Iugoslávia: 4 a 1 (Dois de Matthaus, Klinsmann e Voller).

Na segunda rodada, outro massacre. Ao contrário do primeiro jogo, era até esperado, visto a limitação dos Emirados Árabes: 5 a 1 (Voller 2x, Klinsmann, Matthaus e Bein).

Já classificada, a seleção empatou com a Colômbia por 1 a 1 (Littbarski). Resultado que ajudou os sulamericanos a pegarem uma das últimas vagas de melhores terceiros colocados.

Nas oitavas de final, um confronto que já tinha virado um clássico: Alemanha x Holanda.

Os laranjas eram atuais campeões europeus, inclusive passando pela Alemanha na semifinal, em pleno solo germânico.

Porém, na Copa do Mundo, os alemães venceriam novamente.

Já no segundo tempo, Klinsmann abriu o placar aos 6 minutos e Brehme ampliou aos 40.

Os holandeses só conseguiram diminuir aos 44 da segunda etapa com gol de pênalti de Koeman.

Alemanha Ocidental 2x1 Holanda.

Nas quartas de final, jogo duríssimo contra a Tchecoslováquia, e vitória alemã pelo placar mínimo com gol de pênalti marcado por Matthaus.

Na semifinal, outro rival pela frente: A Inglaterra.

A Alemanha abriu o placar com Brehme, mas sofreu o empate através de Gary Lineker. Placar final: 1 a 1.

Sem gols na prorrogação, a semifinal foi para os pênaltis. O goleiro alemão Illgner brilhou ao defender duas cobranças, e a equipe venceu a disputa por 4 a 3, indo a mais uma final de Copa.

Na finalíssima, teríamos a reedição do último confronto da Copa anterior: Alemanha x Argentina

Como não podia deixar de ser, foi um jogo muito pegado e tenso. Os alemães contaram com a torcida italiana presente no Estádio Olímpico de Roma, tanto que vaiaram os argentinos até no hino. Maradona se irritou e xingou alguns deles.

Somente aos 40 do segundo tempo, a Copa seria definida. O árbitro Edegardo Codesal (México) marcou um pênalti polêmico de Sensini em Voller.

Brehme, que não tinha nada a ver com isso, cobrou o penal e marcou, trazendo o terceiro título mundial para a Alemanha, que seria unificada três meses depois da Copa, mas que já comemorava não só a conquista esportiva, mas a união e o início de uma nova era.

Curiosidades

Dois Pontos

Dois Pontos

Esta foi a última Copa do Mundo em que a vitória valia 2 pontos. A partir do Mundial seguinte, o vencedor de uma partida obteria 3 pontos. Inclusive, um dos motivos para a mudança foi exatamente o pragmatismo excessivo em gramados italianos. O objetivo era trazer mais ofensividade ao futebol no planeta.

[embed]Vídeo: FUTClipes

Na semifinal entre Itália e Argentina, o árbitro francês Michel Vautrot simplesmente perdeu a noção do tempo e deixou a primeira etapa chegar a cerca de 53 minutos, sem ele determinar acréscimos.

Mesmo sem levantar o troféu, a Argentina fez história. Pela primeira vez, uma equipe tinha um jogador expulso na decisão. No caso, os Hermanos tiveram dois que foram pro chuveiro mais cedo: Pedro Monzón e Gustavo Dezotti.

Além disso, foi a primeira vez que um finalista não marcou gols na decisão. Desde 1930 (Com exceção de 1950, que não houve final), sempre teve gols dos dois lados da peleja decisiva.

Brasil na Copa

Se fosse possível resumir em uma palavra o ciclo da Seleção Brasileira para a Copa de 1990, essa palavra seria TURBULÊNCIA.

Após o Mundial no México, Telê Santana sairia do cargo de treinador do Brasil para não voltar mais.

Nisso, a Seleção ficou quase um ano sem técnico, até a chegada de Carlos Alberto Silva. Apesar de ser um treinador renomado, ele não era a primeira opção. Nomes como Jair Pereira e Rubens Minelli foram sondados. Até mesmo uma volta de Zagallo foi tentada, mas nenhum deles quis segurar a bomba.

Na primeira competição do ciclo, Carlos Alberto conseguiu o título do pré-olímpico de 1987, classificando a Seleção para as olimpíadas de Seul em 1988. Depois da prata em 1984 em Los Angeles, a medalha de ouro passou a ser uma obsessão do futebol brasileiro.

Sob seu comando, foram lançados jovens como Taffarel, Ricardo Rocha, Jorginho, Dunga e Raí.

Além disso, uma dupla começou a pedir passagem, não só pela qualidade de ambos, mas também pela sintonia quase umbilical dentro de campo. Essa dupla era Bebeto e Romário.

Porém veio uma tragédia esportiva. Na semifinal da Copa América de 1987, disputada na Argentina, o Brasil foi surrado pelo Chile por 4 a 0.

Nessas condições, a demissão de Carlos Alberto Silva foi inevitável.

Em Janeiro de 1989, Octávio Pinto Guimarães deixou o cargo de presidente da CBF. Em seu lugar entrou Ricardo Teixeira, na época genro do presidente da FIFA João Havelange.

A primeira medida de Teixeira como mandatário do futebol tupiniquim foi trazer Sebastião Lazaroni. Um técnico jovem (38 anos) e que havia sido tricampeão carioca: 1986 pelo Flamengo e 1987/1988 pelo Vasco da Gama.

Em alguns amistosos com Lazaroni no comando, se destaca outra goleada vergonhosa: 4 a 0 para a Dinamarca.

[embed]Vídeo: Flávio Baccarat Futebol e Carnaval

Em meados de 89, teríamos outra edição da Copa América, edição essa que seria disputada no Brasil.

Após início irregular, a Seleção entrou nos trilhos e conquistou o título após 40 anos. E a vitória do título não poderia ser mais simbólica: 1 a 0 contra o Uruguai no Maracanã, gol do jovem Romário.

39 anos após o Maracanazo, o Brasil derrotava os uruguaios no mesmíssimo palco.

[embed]Vídeo: Acervo do Futebol — Christiano Pacheco

Veio então a disputa das Eliminatórias.

Após derrotarem a Venezuela, Brasil e Chile decidiriam uma das vagas para o Mundial na Itália.

No primeiro jogo em Santiago, empate por 1 a 1, com direito a Romário expulso à 3 minutos do primeiro tempo, e um gol polêmico anotado pelos chilenos.

O clima para a partida decisiva foi de guerra. O Brasil jogava pelo empate por ter um saldo de gols melhor. Aos andinos, só restava a vitória.

Careca, aos 4 minutos do segundo tempo abriu o placar para a Amarelinha.

O jogo estava sob controle até os 24 da segunda etapa, quando um foguete sinalizador, disparado pela torcedora Rosenery Melo, caiu a um metro de distância do goleiro chileno Roberto Rojas. Ele fingiu ter sido atingido, caiu e usou uma lâmina que estava escondida em uma das luvas para se cortar.

Os jogadores do Chile saíram do gramado carregando o goleiro, numa das cenas mais patéticas da história do esporte.

A fraude foi tão escancarada, que a FIFA não demorou para descobrir e receber as provas da farsa.

Dessa forma, o Chile foi punido com a exclusão de torneios organizados pela entidade por 4 anos. Já o goleiro Rojas foi banido para sempre do futebol, e obviamente, a Seleção Brasileira se classificou para mais uma Copa do Mundo.

[embed]Vídeo: Caderno de Esportes

O sorteio designou o Brasil para ficar no Grupo C, juntamente com Escócia, Costa Rica e Suécia.

A torcida brasileira já estava desconfiada, e o futebol apresentado na primeira fase piorou as coisas.

O Brasil venceu os três jogos, mas todos por apenas um gol de diferença: Suécia (2 a 1), Costa Rica (1 a 0) e Escócia (1 a 0).

Veio então as Oitavas de Final, e os adversários eram eles…………. OS ARGENTINOS.

O Brasil foi superior durante a maior parte do jogo, mas não teve chances claras para marcar. A incapacidade ofensiva foi o maior problema do time nessa Copa.

E como desgraça pouca é bobagem, aos 35 do segundo tempo, Diego Maradona arrancou e deu um passe genial para Caniggia driblar Taffarel e só mandar a bola pra rede.

Nem o gol argentino fez o Brasil acordar. Só no último minuto, Muller foi responsável pela maior chance do selecionado na partida, já aos 44 minutos.

Final de jogo: Brasil 0x1 Argentina.

Foi a terceira pior campanha da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. As duas piores foram em 1934 (14º lugar) e 1966 (11º lugar).

E o jejum de títulos mundiais chegaria à 24 anos.

Artilheiro

O artilheiro da Copa foi o italiano Salvatore Schillaci, com 6 gols. O atacante também foi eleito o melhor jogador da Copa pela FIFA.

Melhor Jogador

Schillaci foi muito bem, mas o craque da Copa de 1990 foi sem dúvidas Lothar Matthaus.

O meio-campista foi o artilheiro da Seleção Alemã no Mundial com 4 gols. Ele foi o cérebro do time. Ainda em 1990, foi eleito o melhor jogador do planeta pela revista World Soccer, e no ano seguinte, seria eleito o primeiro ‘Melhor Jogador do Mundo’ pela FIFA.

Zebra

As surpresas da Copa vieram da África e da Europa.

[embed]Vídeo: DaneTV — Futebol

A Seleção Camaronesa de Futebol participava de sua segunda Copa do Mundo (A primeira foi em 1982).

Antes de 1990, nenhuma seleção africana havia chegado às quartas de final de uma Copa do Mundo. Camarões entrou no torneio praticamente sem favoritismo, mas logo na partida de abertura derrotou a então campeã mundial, a Argentina de Diego Maradona, por 1 a 0, com gol de François Omam-Biyik. O feito ganhou repercussão mundial.

Na fase de grupos, os camaroneses ainda venceram a Romênia por 2 a 1, com dois gols do veterano Roger Milla, de 38 anos, que havia saído da aposentadoria para disputar o torneio.

Já classificados, os africanos perderam por 4 a 0 para a URSS. Partida essa que foi emblemática pelo fato de ser a última dos soviéticos na história dos Mundiais, visto que em 1991, o país comunista seria dissolvido.

Voltando aos Camarões, apesar da goleada, eles terminaram em primeiro lugar do Grupo B, à frente da própria Argentina.

Nas oitavas, eliminaram a Colômbia por 2 a 1 na prorrogação, em um jogo eternizado pelo erro do goleiro René Higuita, que tentou driblar Milla e perdeu a bola.

A campanha terminou nas quartas de final, em uma derrota dramática para a Inglaterra por 3 a 2, também na prorrogação, após Camarões chegar a virar o placar. Mesmo eliminada, a equipe entrou para a história como a primeira africana a atingir essa fase do torneio.

[embed]Vídeo: Caderno de Esportes

A campanha da Irlanda foi talvez ainda mais inusitada. Era sua primeira participação em Copas do Mundo (Não confundir com a Irlanda do Norte).

No Grupo F, os irlandeses empataram os três jogos: 1 a 1 com a Inglaterra, 0 a 0 com o Egito, e 1 a 1 com a Holanda.

Irlanda e Holanda terminaram absolutamente iguais em todos os critérios de desempate, e a definição do segundo lugar ocorreu por sorteio, com a Irlanda levando a melhor.

Nas oitavas de final, enfrentou a Romênia e venceu nos pênaltis por 5 a 4, após novo empate sem gols. Assim, chegou às quartas de final sem conquistar uma única vitória no tempo regulamentar.

A trajetória terminou diante da anfitriã Itália, que venceu por 1 a 0 com gol de Salvatore Schillaci.

Decepção

[embed]Vídeo: DaneTV — Futebol

A expectativa em torno da Seleção Holandesa era muito grande, afinal, o time havia sido campeão da Eurocopa dois anos antes.

O time contava com nomes do quilate de Marco Van Basten, Ruud Gullit, Frank Rijkard, Ronald Koeman, entre outros.

Muitos apostavam que finalmente a Holanda alcançaria a tão cobiçada Copa do Mundo.

Porém, a campanha foi um desastre. A Holanda empatou os três jogos da primeira fase: 1 a 1 com o Egito, 0 a 0 com a Inglaterra, e 0 a 0 com a Irlanda.

Nas oitavas, a já citada eliminação para a futura campeã Alemanha por 2 a 1.

O principal favorito ao título saiu da Copa sem nenhuma vitória.

Goleada

As duas maiores goleadas da Copa foram:

[embed]Vídeo: Caderno de Esportes

Alemanha Ocidental 5x1 Emirados Árabes Unidos

[embed]Vídeo: DaneTV — Futebol

Tchecoslováquia 5x1 Estados Unidos

Zona de Rebaixamento

Bandeira dos Emirados Árabes

Bandeira dos Emirados Árabes

4 equipes saíram da Itália sem somar pontos: Suécia, Coréia do Sul, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.

Os árabes terminaram na lanterna por ter o pior saldo de gols (-9).


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