QUAL O CHEIRO DE SUA INFÂNCIA?
QUAL O CHEIRO DE SUA INFÂNCIA?
Já perceberam o quanto estamos reduzindo cada vez mais certas experiências humanas?
Outro dia, fui a uma festa de aniversário infantil e me bateu uma saudade insuportável dos meus bons anos 90.
Eram outros tempos, e mesmo com uma péssima economia e o Brasil afundado na inflação, tínhamos nas festinhas aquele bolo enorme que quase ocupava o cômodo inteiro da sala.
Era tanto glacê encharcado no bolo que corríamos o risco de sair dali com as coronárias entupidas de gordura!
Ah, e aquelas bolinhas doces prateadas pequeninhas duríssimas que quase quebravam todos os dentes de nossas bocas e quase criou uma geração de crianças usando dentaduras? Aliás, alguém sabe o nome dessas bolinhas ?
Lembro que ao redor dos espaços que ainda haviam na mesa, tinham também os docinhos, maçã do amor e aquelas balinhas de coco embrulhadas em papéis picotados (balas estas tão duras quanto as bolinhas de prata, heheh! ) e os refrigerantes que eram colocados na própria mesa para ajudar na decoração da festa.
Vale lembrar que, além de tudo isso, tinha também uma mesa no quanto da sala reservada para a tão deliciosa torta salgada 😋 , com aquele tomate em formato de rosa super estiloso no centro dele 🥰.
E quem nunca foi ou já teve uma festa de aniversário com aquele famoso painel do palhaço, não sabe realmente o que é a cara dos anos 90 🤡
Sem acesso digital, a criançada naquela época precisava interagir mais com seus coleguinhas ali. As festas então eram de brincar, correr, rir, conversar e até brigar.
Naquela época, todas as brincadeiras eram em "modo offline". As crianças não entendiam nada sobre redes sociais e nem sobre o "mundo digital". O importante era estar na festa e divertir-se, e para isso as festinhas tinham como entretenimento a " língua-de-sogra", aqueles chapeuzinhos em forma de cone que a gente colocava na cabeça com um elástico e um amiguinho lazarento vinha, puxava e soltava o elástico na nossa cara e quase nos fazia ver Jesus mais cedo! 🥳
Já cedo começamos a brigar por mais espaço na sociedade, já que ficávamos amontoados com os amiguinhos embaixo de um balão enorme que seria estourado cheio de brinquedinhos dentro e, é claro, chapado de farinha de trigo para nos deixar ensopados e nos humilhar também. Como os adultos eram maus, não? 🤦🏾♂️
Mesmo assim, tudo isso se animava com o som berrando as músicas da Xuxa, Balão Mágico, Trem da Alegria...
Enfim, antigamente, embora todos os problemas do país, as relações humanas eram mais intensas.
Hoje, uma festa de aniversário se limita a um mini bolinho, um ou 2 litros de refrigerante, um arco (ou nem isso) de bolas para decorar, um balão com a nova idade do aniversariante, e só!
Sei que a situação económica não tá lá mil maravilhas, mas nem se compara com a dos 90, né?
E realmente acredito que o problema não esteja nem nesta questão, mas sim em um outro fenômeno que já vem acontecendo e nós, com nossos olhos distraídos, nem sequer nos damos conta: estamos andando bem apressadinhos, junto com o movimento de rotação do planeta, e isso não é legal.
Temos encurtado nossas relações com os outros e por conta disso, por tabela, estamos apequenando-as.
No mundo digital então nem se fala. Hoje ninguém mais escreve mensagens. Preferem mandar áudio, já que é mais rápido e o pior é que com isso já não conhecemos mais o timbre de voz de uma pessoa, já que os aplicativos nos permitem acelerar 5, 10, 20, 1000 vezes o áudio de uma pessoa. Parecemos um bando de retardados que acabou de sugar balão de gás hélio e ficou com aquela voz de taquara rachada🙉
Antigamente, víamos vários grupos de dança dos anos 90, como "É o Tchan", " Carrapicho ", "Araketu", "Gang-Samba", etc... onde os dançarinos tinham suas próprias coreografias, e depois de longas e longas horas de ensaios diários, suavam da cabeça aos pés dançando elas por horas a fio em um show.
Hoje, qualquer moleque ou moleca ganha uma nota preta passando a mão sobre a cabeça por apenas 15 segundos de " coreografia" no tik tok.
Fora este arrasta pra cima frenético, constante, diário e veloz!
Logo logo chegaremos perto daquele mundo que se passa no livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.
Nele, o tema central é como a tecnologia pode afetar o comportamento humano e a cultura social. O livro também aborda como o acesso fácil a informação acaba causando distração e mau-uso do conhecimento. Esse livro dá uma visão profunda sobre como a tecnologia afeta ativamente nossa sociedade. A sociedade é composta de pessoas que passam o tempo inteiro afogados no rádio, em TV, etc -- hoje em dia seria a internet. Neste sentido, a informação flutua por tudo e muito disso é ruído escasso, sem conteúdo e desnecessário. O livro mostra a vida humana como uma "velocidade louca", em que a sociedade é sedentária, depende das tecnologias e só pensa em consumo. Tudo é veloz, mas não existe substância.
Não critico o avanço tecnológico, porém não entendo o por que de tanto corre corre, já que não estou vendo a humanidade chegar a lugar nenhum.
Afinal...

" Enquanto todo mundo espera a cura do mal E a loucura finge que isso tudo é normal Eu finjo ter paciência E o mundo vai girando cada vez mais veloz A gente espera do mundo e o mundo espera de nós Um pouco mais de paciência"
메타데이터
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