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Entrevista // Black Bahia 2ª ed.

Nosso entrevistado de hoje é Marcelo Lima, que foi convidado pra compor a mesa “Telas Pretas”, na 2ª edição do Black Bahia.

Revista Aquilombe · 2022-11-30 21:25 · 53 claps · 3.7 min read
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Entrevista // Black Bahia 2ª ed.

Nosso entrevistado de hoje é Marcelo Lima, que foi convidado pra compor a mesa “Telas Pretas”, na 2ª edição do Black Bahia.

Marcelo se autodescreve como um nerd baiano, capricorniano, nascido em Feira de Santana em 1989. Cresceu cercado por HQs, games, livros de RPG e Literatura que, tiveram uma grande importância durante a sua adolescência.

Confira logo abaixo a entrevista completa:

  1. O que te levou ao roteiro e audiovisual?

Desde novo meu grande sonho era publicar uma HQ. Ainda na adolescência publiquei alguns contos no A Tarde, no antigo Caderno Dez, e em antologias literárias. Ao me mudar para Salvador em 2007 conheci a turma das HQs e resolvi investir meus esforços para realizar meu sonho de fazer meu primeiro gibi. Em 2009 consegui financiamento para minhas primeiras HQs, em especial o gibi “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira”. Daí pra frente “deslanchei” em escrever e participar de projetos variados de roteiro, tanto na perspectiva de criação quanto de pesquisa e ensino.

Em 2013 iniciei Mestrado na UFBA para pesquisar dramaturgia em projetos transmídia e, na Universidade, conheci profissionais que estavam trabalhando na área de audiovisual que me convidaram para trabalhar na Griot Filmes, produtora baiana que estava focada em Animação. Passei 4 anos desenvolvendo projetos que depois ganharam as telas da TVE — Bahia, TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum. Essa experiência me rendeu convite da Netflix para participar do Colaboratório Criativo, formação voltada para roteiristas negros e desenvolvi meu primeiro projeto de longa-metragem com financiamento da plataforma em 2021. Ainda em 2021 fui chamado para escrever uma série para a Amazon, chefiada por Lázaro Ramos e, agora em 2022, recebi convite para escrever uma obra seriada em outra plataforma de streaming que ainda não posso divulgar.

Essa jornada tem sido muito gratificante para mim porque gosto de todas as facetas da escrita de roteiros, para seus diversos formatos e espero poder colaborar cada vez mais em projetos de audiovisual, HQs, games e o que mais for possível.

2. Como você expressa a sua baianidade em suas produções?

“Todas as minhas HQs se passam na Bahia e são protagonizadas, em sua grande maioria, por personagens negros. “

Minha primeira HQ se debruçou em resgatar a vida de Lucas da Feira, uma importante personalidade histórica do interior da Bahia. Minha última HQ lançada, adaptação homônima do romance “O Bicho que Chegou a Feira”, de Muniz Sodré, se passa na Feira de Santana de 1964. Ou seja, a todo tempo eu gosto de contar histórias regionais, mas com apelo universal.

No audiovisual não é diferente. Minhas propostas de projetos todas se passam na Bahia ou se inspiram na afrobaianidade para a construção de personagens e universos ficcionais. Dos projetos já executados destaco a série infantil “Pequenos Narradores”, cujos roteiros foram construídos junto com as crianças do Bairro Calabar, em Salvador.

3. Você tem muita experiência no audiovisual, por trás das câmeras, em projetos da TVE, TV Cultura, Amazon Prime, Netflix. Você é acima de tudo um contador de histórias. Isso teria começado com os quadrinhos?

Com certeza! As HQs foram minha primeira grande paixão e, quando comecei a pensar em escrever profissionalmente, o meu sonho nada humilde era ser um Neil Gaiman baiano rs. Brincadeiras à parte, a estrutura de roteiro de HQ me interessava por permitir uma maior participação do que o roteiro audiovisual. Nas HQs você, enquanto roteirista, precisa pensar na composição da página, na diagramação dos quadros e balões e deve indicar as indicações de cada plano a ser desenhado. No audiovisual você só escreve a história, o que não é pouca coisa, mas eu queria brincar com a forma do produto. As HQs me permitiram e ainda me permitem isso.

4. O audiovisual é um meio de expressão, uma mídia, de enorme apelo popular, seja uma série, um filme, uma animação. Mas também é uma mídia cara, que envolve muito dinheiro pra produzir. Como mostrar que produções mais diversas também são lucrativas?

Acho que hoje não é preciso mostrar que produções mais diversas são lucrativas. As corporações sabem disso, inclusive há dezenas de pesquisas que mostram como diversidade aumenta lucros e que o público quer ser ver representado nas telas. O desafio do profissional pertencente a uma minoria é provar que ele pode fazer, que ele pode ser o autor.

Obras com personagens negros, indígenas, LGBTQIA+ e com diversidade de gênero tem ‘pipocado’, mas muitos não são autorados por pessoas dessas respectivas identidades ou são projetos subfinanciados — as plataformas jogam muito mais grana em projetos de autores veteranos, a maioria deles homens e mulheres brancos.

Conectada a essa luta do autor está a disputa por uma melhor representatividade, porque não adianta ter minorias na TV se elas desempenham majoritariamente papéis subalternos. Mas pra isso mudar, só mudando também a autoria, pois são roteiristas negros, por exemplo, que vão ter em mente o lugar de protagonismo de uma pessoa preta num filme, série ou novela.

Para Marcelo, aquilombar é ter empatia pelo outro a partir da sua própria identidade, por reconhecimento. É verbo, é ação, é querer e fazer pelo próximo. É o movimento de se entender no outro a partir do que se é, o “Sou o que sou porque nós somos”, mas posto em prática como uma rede de apoio e de afeto.

Você pode encontrar Marcelo, no Instagram (@marcelo.o.lima), no LinkedIn, no Lattes e no seu site próprio através dos links abaixo:

https://www.linkedin.com/in/marcelo-lima-345aa974/

http://lattes.cnpq.br/7498734050018745

Site com portfólio, cursos e materiais para download: https://www.marceloroteiros.com/


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