Como um narcisista usa o reforço intermitente como forma de criar vínculos com sua vítima?
O reforço intermitente é a melhor maneira de condicionar uma pessoa a se tornar viciada.
Como um narcisista usa o reforço intermitente como forma de criar vínculos com sua vítima?
O reforço intermitente é a melhor maneira de condicionar uma pessoa a se tornar viciada.
Psicólogos testaram isso muitas vezes com animais e humanos. Tem a ver com como eles recompensam certos comportamentos. Pesquisas mostraram que se você recompensa um comportamento apenas algumas vezes, esse comportamento se torna mais difícil de se livrar.
Funciona como jogo de azar. As pessoas perdem na maioria das vezes, mas ocasionalmente são recompensadas com uma vitória. Isso as encoraja a continuar tentando e esperando a vitória vir novamente. Essa é parte da razão pela qual os jogadores se tornam viciados.
O ciclo do abuso
Narcisistas são abusiva/os na maior parte do tempo, mas de vez em quando elas/es fazem algo legal. Isso mantém a parceira fisgada esperando ser recompensada com comportamento amoroso. Há um ciclo bem conhecido de abuso que acontece quando alguém está em um relacionamento com narcisistas. As/Os abusadoras/es vão de abusar a prometer que nunca mais farão isso. Por um curto período, elas/es fingem ser a pessoa que a/o outra/o esperava. Mas então o abuso acontece novamente.
A parceira do narcisista acaba se tornando viciado nela/e.
Quando isso acontece, também é conhecido como vínculo traumático.
O condicionamento intermitente pode ser apenas parte do motivo pelo qual as pessoas se tornam obcecadas e viciadas em suas agressoras/es.
Também tem a ver com substâncias químicas no cérebro
De acordo com este artigo , do psychologytoday.com:
A neuroquímica do amor e do apego , especialmente na presença de abuso, pode condenar a vítima a um futuro sombrio com um parceiro maligno.
Você pode pensar que eles deveriam simplesmente ir embora — ir embora imediatamente. Eles não precisam ficar com alguém que os assusta, controla ou intimida. Essa solução é a abordagem lógica e melhor para uma situação abusiva. No entanto, o funcionamento natural do nosso cérebro pode evitar que isso aconteça.
Apaixonar-se por alguém causa a liberação de substâncias químicas de prazer no cérebro que ajudam no processo de vínculo. Elas incluem oxitocina (vínculo), opioides endógenos (prazer, dor, abstinência, dependência), fator de liberação de corticotropina (abstinência, estresse ) e dopamina.
Oxitocina
De acordo com yourtango.com , a oxitocina — também conhecida como “hormônio do carinho” ou “hormônio do amor” — é liberada durante o toque, o orgasmo e a relação sexual, e promove o apego e a confiança.
(…)
Opioides endógenos
Os opioides endógenos são opiáceos produzidos pelo corpo e podem resultar em redução natural da dor. De acordo com este artigo , os agonistas opioides exógenos facilitam as emoções orientadas para a abordagem (raiva, prazer) e inibem as emoções orientadas para a evitação (medo, tristeza). Os opioides também modulam o vínculo social e o comportamento afiliativo.
Hormônio liberador de corticotropina
O hormônio liberador de corticotropina recebe esse nome porque causa a liberação do hormônio adrenocorticotrópico da glândula pituitária . O hormônio adrenocorticotrópico, por sua vez, viaja na corrente sanguínea para as glândulas supra-renais , onde causa a secreção do hormônio do estresse cortisol .
Este artigo do newhopeofmcdowell.org explica como isso acontece:
A natureza cíclica de ser depreciado e recompensado repetidamente leva à formação de um forte vínculo químico entre a vítima e seu agressor.
Então, embora o abuso pareça terrível, o amor e a atenção recebidos depois podem fazer a vítima quase esquecer as experiências anteriores. O cérebro dela se ajusta a essa montanha-russa emocional e pode até começar a ansiar por ela, já que o hormônio do estresse cortisol seguido pela dopamina, substância química do bem-estar, aciona o centro de recompensa do cérebro. Isso pode enganar a vítima, fazendo-a acreditar que está apaixonada e não consegue viver sem o agressor.
Dopamina
Estudos mostram que a dopamina flui mais prontamente quando as recompensas são dadas em um cronograma imprevisível, em vez de previsivelmente após sinais condicionados (de yourtango.com).
Dissonância cognitiva
A dissonância cognitiva ocorre quando as pessoas sentem desconforto por causa de crenças conflitantes, então elas tentam resolvê-las. A pessoa abusada por um narcisista provavelmente tem pensamentos conflitantes. Um é que “meu marido é um bom homem. Ele tem um bom coração”, “minha parceira é uma boa pessoa. Ela tem um bom coração”. O segundo é que “ele me traiu, ele me bateu, então ele deve ser um homem mau”.
Muitas vítimas de abuso resolvem esse conflito decidindo que o parceiro ou parceira são pessoas boas, mas…, e desculpam o mau comportamento. Ouvi vítimas desculparem o comportamento abusivo dizendo que o abusador teve uma infância ruim.
Não é incomum que a vítima decida que ela (a vítima) deve ter feito algo errado. Por exemplo, ela decide que se ela apenas se comportasse melhor, o parceiro seria o bom homem que ela acreditava que ele era. Os abusadores reforçam essa crença dizendo coisas como “Eu não teria traído você se você tivesse feito…”
A dissonância cognitiva também pode levar à negação, de acordo com este artigo do innerintegration.com:
A Dissonância Cognitiva ocorre quando tentamos manter duas crenças opostas ao mesmo tempo. Isso acontece quando nos deparamos com informações que contradizem nossas crenças ou nossa visão de mundo. O cérebro não consegue reconciliar os dois pensamentos opostos. Essa contradição causa uma sobrecarga de ansiedade que então causa algo como um curto-circuito no cérebro, induzindo um estado de negação.
Negação
A negação é o mecanismo de defesa psicológica mais primitivo disponível para a mente humana. A negação nos mantém na zona de conforto da fantasia, ilusão e esperança tóxica para evitar aceitar a dura realidade que não queremos ver. A negação é temporariamente benéfica, mas tem efeitos prejudiciais a longo prazo quando é um obstáculo à nossa cura e crescimento.
A negação impede que as vítimas se curem e sigam em frente. Se elas não reservarem um tempo para entender o que aconteceu com elas, elas podem continuar se envolvendo com abusadores.
Quebrando o vínculo do trauma
A melhor maneira de sair desse ciclo é se afastar da pessoa abusadora e não ter contato algum. Isso é necessário para que a pessoa abusada se cure.
De acordo com este artigo , a presença do abusador pode ativar intensamente o sistema emocional do cérebro e, às vezes, pode ativar as regiões que reduzem nossa dor. Isso seria um problema porque reduzir a dor poderia aumentar o vínculo com o abusador, dificultando a cura.
Em outras palavras, voltar a conviver com um agressor ou uma agressora pode fazer a vítima se sentir melhor e fazê-la voltar para o ciclo.
Estas são algumas das razões pelas quais é muito difícil para a maioria das pessoas “simplesmente ir embora”.
- Este texto foi traduzido do artigo “How Does a Narcissist Use Intermittent Reinforcement as a Way to Bond with Their Victim” escrito por M. Elizabeth Blair. O texto original em inglês pode ser encontrado neste link: https://medium.com/illumination/how-does-a-narcissist-use-intermittent-reinforcement-as-a-way-to-bond-with-their-victim-d9319b8470e8
- Os devidos ajustes na tradução estão em itálico.
- São usadas as categorias “pessoa em situação de abuso” e “pessoa abusada” para a categoria “vítima” (victim), bem como “pessoa abusadora” para a categoria “agressor”, além dos usos e acréscimos adequando a questão de gênero. Com isso, evidenciam-se todas as situações em que configure abuso considerando as relações homoafetivas ou parentais, por exemplo.
IMPORTANTE: Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) é uma classificação DSM-5, que pode ser diagnosticado apenas por profissionais especializados. Portanto, a categoria “abuso narcisista” pressupõe características que designam dinâmicas de um ciclo de abuso e violência específicos, cujo reconhecimento pode ajudar a interrompê-lo e assegurar a saúde da pessoa em situação de abuso.
메타데이터
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