Eu emagreci. E um homem reparou.
Seria nada demais, se esse homem fosse meu nutricionista. Mas não era. Não é.
Eu emagreci. E um homem reparou.
Seria nada demais, se esse homem fosse meu nutricionista. Mas não era. Não é.
O problema não foi o olhar, mas o modo com que ele atravessou o limite. Além. Muito além do tolerável. Primeiro, com palavras. Depois, com o corpo.
A conversa sempre foi profissional, mas em algum momento ele achou que poderia avançar o diálogo para um lugar que não cabe.
Sempre muito risonho e simpático, com portas abertas para oportunidades de carreira. Enxergou potencial, dizia.
Mas o que ele viu mesmo foi a brecha: meu sorriso educado e empolgado, o espaço perfeito para passar da linha do respeito.
Ele estendeu a mão.
E eu deixei.
O que mais me dói nisso é que eu deixei.
Eu não fiz nada.
Sorri de volta. Desconversei.
Fui embora com o gosto amargo de algo que não tinha nome — ainda.
Passei o fim de semana inteiro tentando decifrar o incômodo. Rebobinando cada gesto, cada palavra, cada toque, como se dentro daquela lembrança houvesse uma chave escondida.
E havia.
Eu entendi: ele me assediou.
Ele encostou sem permissão. Invadiu sem pudor. Me coagiu, não me deu espaço para o “não”.
Ele quis se aproveitar e tirar qualquer coisa de mim para brincar em sua mente nojenta e pervertida.
E eu não fiz nada naquele dia.
Mas hoje, escrevendo, eu faço.
Porque quando uma mulher nomeia o que sofreu, ela começa a desfazer o poder de quem a feriu.
(A gente sempre acha que vai fazer diferente em situações como essa, mas quando acontencem… dói. É bizarro como homem acha realmente que tem poder sob nós).
메타데이터
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- 2026-06-14 11:28:49