A CONSTRUÇÃO RACIAL DA BELEZA E DELICADEZA DA MULHER
Em períodos tão atuais, a escravização e a desumanização de corpos africanos ainda são um tema conflitante e presente na vida de…
A CONSTRUÇÃO RACIAL DA BELEZA E DELICADEZA DA MULHER
Em períodos tão atuais, a escravização e a desumanização de corpos africanos ainda são um tema conflitante e presente na vida de afrodescendentes. “A branquitude no Brasil é tão eficiente que vira critério de beleza”, afirma a antropóloga Lília Schwarcz, em entrevista para o canal do Youtube, Café Filosófico em dezembro de 2020 sobre seu livro “Brasil: Uma Biografia”. De fato, a questão da padronização e da delicadeza ser associada a traços finos, ou seja, europeus, dificulta a autoestima e a vivência de mulheres negras com traços mais fortes da sua ascendência, sendo discriminadas quando tentam seguir um estilo às vezes mais “fofo” e delicado ou até sensual, em que são julgadas e facilmente destilado ódio para as tais.
Diante destes entrave, tornou-se comum as brasileiras negras enfrentarem dificuldades para se reafirmar como mulheres bonitas, sem se submeter ao estereótipo de “Jezebel: a mulher negra insaciável”, um clichê promovido em comédias de tirinhas, cartuns, histórias em quadrinhos e longas-metragens norte-americanos, que se consolidou entre a época colonial e os anos 70, quando a mulher branca era vista como uma ótima esposa, enquanto as mulheres negras eram percebidas, nos olhares populares, como as melhores amantes. É notório a associação das mulheres negras a uma figura atrelada à prostituição e nunca à sensualidade, logo por vários anos foram justificados assédios e estupros com a frase “ela estava com vontade” ou “ela é uma mulher insaciável”, associadas também a uma figura mais sexual do que humana.
Ao longo dos anos 2000, várias ideias neonazistas vêm circulando na internet, em fóruns, aplicativos de entretenimento e, sem querer, às vezes, na mídia mundial. No aplicativo de vídeos curtos, o ‘Tik Tok’, uma série de pessoas, geralmente loiras, brancas e de olhos claros, estão publicando vídeos com a legenda “never mix”, ou no português, nunca misture, com o sentido de não apoiar a miscigenação, um discurso antigo que ainda é presente. Um feito que chamou atenção em agosto de 2023 foi o caso da atriz Bela Campos e o seu noivo, MC Cabelinho, que terminam o namoro e alguns meses depois o MC assume um namoro com a rapper Slipmami, gerando uma onda de comentários negativos para a rapper sobre a beleza dela, com afirmações no qual a atriz era mais delicada e feminina por ter traços comumente associados a delicadeza, por ter traços finos. Por outro lado, a Slipmami foi xingada pelos internautas de “favelada”, por ter traços afrobrasileiros, efetuando um pódio entre si.
Diante dessa situação é perceptível que o racismo estrutural afeta também a comunidade LGBTQIA+, na qual a cor de pele influi mais do que a sexualidade ou o gênero do indivíduo. Assim, o que os resta é a “hipersexualização” e a prostituição, principalmente para mulheres negras, trans e travestis, segundo Hooks (1995):
“Desde a escravidão até hoje, o corpo da negra tem sido visto pelos ocidentais como o símbolo quintessencial de uma presença feminina ‘natural’. Orgânica, mais próxima da natureza, animalística e primitiva”.
A questão que essas mulheres vivem desde que são meninas, e que se torna natural a sexualização, é constantemente “normalizado” trabalhos não delicados para mulheres negras, historicamente a feminilidade é tratada como algo “frágil” e “requintado” — pelo contrário, nunca ocorreu a problematização dessas mulheres terem mãos ásperas e não sendo elegantes por si só, ainda que seja um indivíduo do sexo feminino. Recentemente a cantora e rapper Ebony ganhou o prêmio revelação de 2025 no WWE (Women’s Music Event), no discurso ela alega que no gênero musical que ela canta, o rap, o que é esperado de mulheres é elas se sexualizarem, mas quando elas cantam sobre feminilidade, sensualidade e sexualidade são apagadas, visto que ela já tem uma carreira de 7 anos, porém foi escolhida como artista revelação.
Diante desse cenário, torna-se evidente que a construção racializada da beleza e da delicadeza feminina não é fruto de percepções individuais, mas de um sistema histórico que hierarquiza corpos e subjetividades. A sociedade brasileira, marcada pela herança escravocrata e pela persistência da branquitude como padrão estético e moral, continua a impor às mulheres negras — cis, trans e travestis — um lugar de desumanização, hipersexualização e constante vigilância. Esses estereótipos, reforçados pela mídia, pela internet e pelas relações sociais, moldam não apenas a forma como essas mulheres são vistas, mas também como são tratadas e reconhecidas.
Portanto, a partir do Ministério da Igualdade Racial, uma ação de informação e campanhas para espalhar informação e apresentar junto ao Ministério da Cultura e o da Educação, o MinC e o MEC, como campanhas e palestras nas escolas, a partir do ensino fundamental até o ensino médio, como instruções, relatos e conhecimento que vá ajudar estas mulheres a encontrarem figuras de reconhecimento e feminilidade desde a infância até sua vida adulta; além da criminalização efetiva e mais direta de atos racistas online, desde piadas até atos mais diretos contra figuras negras, esses atos promovidos do Ministério da Justiça(MJ) e a Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos (DRCC/DERCC), importantes órgãos para a realização destas atividades.
메타데이터
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