A liberdade tem seu peso (vulgo: Carta aberta a quem faz papel de trouxa)
Acho que você já deve ter escutado alguém dizendo “Sou muito boba dos outros” ou “Não deveria ter escutado fulano”. E aí que temos um…
A liberdade tem seu peso (vulgo: Carta aberta a quem faz papel de trouxa)
Acho que você já deve ter escutado alguém dizendo “Sou muito boba dos outros” ou “Não deveria ter escutado fulano”. E aí que temos um imaginário pronto pra essas pessoas de que de fato se sacrificam pelos demais, são altruístas e não se priorizam. Quase uma síndrome do arquétipo de peixes, Jesus. As vezes nos colocamos também nesse papel, claro. Só que ai que tá: isso é um reflexo claro da dificuldade que a gente tem de lidar com as consequências do que escolhemos.
É muito fácil, quando algo não sai bem, colocar a culpa em outra pessoa. Colocar-se no papel de vítima, pensar o quão tal pessoa foi malvada de ter feito a gente escolher aquilo. É difícil pensar que a decisão final (tirando, obviamente, quando há ameaça ou relações abusivas), é nossa. E sim, é sempre do nosso interesse. Nós fazemos escolhas direcionados aos nossos interesse, ao que nos é cômodo. Mesmo que o mais cômodo seja simplesmente agradar o outro e evitar conflito. Ou medo de arriscar. E é isso, toda escolha tem uma perda, e é mais fácil direcionar a culpa dessa perda a quem supostamente te fez trilhar aquele caminho.
Não sei se vocês conhecem o Experimento de Milgram, mas recomendo que deem uma olhada, tem até filme. O resultado foi espantoso e uma das conclusões foi: pessoas escolhem caminhos extremamente duvidosos sob a alegação de que os mandaram fazer. E isso vale no contexto macro e também no micro. O experimento foi feito logo após da Segunda Grande Guerra, observando que algumas das pessoas que colaboraram nos campos de concentração acreditavam piamente que não eram agentes ativos das mortes, mas estavam apenas “seguindo ordens”. Isso é bizarro e obviamente, pensamos nos caminhos do contexto do nosso país hoje.
E aí voltamos para o campo micro. É muito difícil que tomemos responsabilidade pelas nossas próprias ações. Antes de tomar uma escolha, muitas vezes consultamos pessoas, envolvidas ou não, para nos ajudar a clarear a mente. Só que a palavra final é sempre nossa. E a gente tem que aprender a lidar com isso.
Um exemplo disso é a síndrome de Romeu e Julieta. Aquela pessoa, adulta e vacinada, que diz que não fica com amor da sua vida porque a família desaprova. Agora, vamos lá, a escolha é sua! É mais interessante pra você, de repente, permanecer tendo apoio da sua família, carinho de seus pais do que arriscar isso em prol de uma relação que pode ter qualquer fruto imprevisível. A não ser que seus pais te mantenham em carcere privado (se tiver acontecendo, pode chamar que a gente entra em contato com a polícia), a escolha de não fugir com o seu Romeu é sua. Só que lidar com o fato de escolher o conforto e perder uma aventura também é encargo seu.
E isso pode parecer cruel e eu entendo que muitas vezes tomar certas escolhas, levando em consideração todo o contexto, é realmente muito difícil, eu sei. Mas apesar disso, infelizmente, a caminhada é nossa e ninguém é imaculado a ponto de se descartar de uma decisão. Não podemos mais terceirizar a culpa. É a existência dessas consequências que faz com que a gente amadureça, tome as rédeas da nossa vida e aprenda com as nossas (novamente, NOSSAS) escolhas.
메타데이터
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