Medianeras: Um amor, uma década depois.
Como uma década de amor com um único filme me trouxe até aqui.
Medianeras: Um amor, uma década depois.
Como uma década de amor com um único filme me trouxe até aqui.

Nesse momento estou exausto, noites seguidas de insônia e alterações de sono, farto de rolar pela tela do smartphone em busca de mais um pouquinho de dopamina acessível, me sentindo inclausurado em uma prisão tecnológica que eu mesmo me meti sem perceber.
É a hora em que percebo, lentamente me tornei algo muito semelhante ao roteiro do filme argentino de 2011.
O filme assinado por Gustavo Taretto, é um perfeito retrato das facetas humanas em meio às metrópoles, principalmente metrópoles latino-americanas, trabalhando sobre a lenta angústia de estar rodeado de milhares de pessoas, e ao mesmo tempo, sentir-se mais e mais solitário.

Obviamente, estou 13 anos adiante do lançamento do longa, as tecnologias do filme sempre soam obsoletas a qualquer espectador, mas não suas temáticas, ainda persiste o processo de encarceramento humano pelas estruturas da sociedade capitalista na américa latina, na verdade, tudo ficou ainda pior.

Agora nossas solidões não se concentram apenas ao ambiente de apartamentos minúsculos, mas também se espalha no mundo, todos nos tornamos dependentes dos Smartphones.
O telefone inteligente junto aos algoritmos dos aplicativos, nos trancafiou em um universo de estímulos sob-demanda, nos tirando todo o resto em troca de um pouco de distração.
Uma criança com um Ipad não é algo tão distante disso aqui.
Medianeras foi lançado em 2011, o que implica que sua gravação ocorre em meio a transição dos anos 2000, para a década seguinte, o momento em que se observava a transição das redes digitais, antes do Boom do Facebook, e qualquer impacto negativo que tenha causado.

Como podemos encontrar o Wally? Nem mesmo ousamos tirar nossos olhos dos celulares para encarar o mundo real, tudo na tela é feito para nos prender.
Estamos presos, uma sociedade com problemas de atenção e excesso de estímulos.
Uma década após, estou eu tecendo críticas vazias ao mundo ao qual pertenço, indo assistir mais um vídeo de pessoas que “emburrecem” seus smartphones, em busca de um momento idealizado, antes das redes sociais, tentando se limpar dessa influência.
Revendo o longa, imaginando como tudo naquele momento específico ainda era tão mais humano, mas talvez só seja um mero engano e a capacidade de enxergar esse lado humano reside na capacidade do diretor, talvez nada tenha mudado tanto assim.
Isso, ou só aceitar que estou no pior momento do antropoceno(até agora), numa sociedade regida pelas redes sociais.
Mas nem tudo nessa experiência me trás negatividade, o filme já nos adianta formas de reconecção com o mundo que nos cerca, meios de confrontar a solidão, que a urbanização das nossas cidades e a construção do nosso mundo nos enclausura.

Se pensarmos bem, Medianeras é em si, um retrato da época que foi rodado, entretando, seu potencial artístico é capaz de lhe expandir além de seus limites, fazendo-o relevante até os dias de hoje.
Notas do “Autor”
Escrevi esse texto com base em dezenas de rabiscos feitos num bloco de notas resultante de uma aula muito entediante, enquanto tentava não abrir uma dessas redes sociais, o esforço foi em vão, mas felizmente me levou até uma postagem de Story do autor do longa, disso veio o ímpeto de repensar sobre um filme que amo, e que define em partes as estruturas que sedimentam quem sou hoje em dia.
Agradecimento ao Gustavo Taretto pelo excelente filme.
메타데이터
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