Malditos messias
Uma breve reflexão que tive depois de assistir ao filme Duna Parte II. Aviso de alguns spoilers, mas não comentei muito sobre a narrativa…
Malditos messias
Uma breve reflexão que tive depois de assistir ao filme Duna Parte II. Aviso de alguns spoilers, mas não comentei muito sobre a narrativa ou seus personagens. Boa leitura!

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“Vejo uma guerra santa se espalhando pelo universo como um fogo eterno… Uma religião bélica que ergue o estandarte Atreides em nome do meu pai… Legiões fanáticas venerando o santuário do crânio do meu pai… Uma guerra em meu nome.”
Figuras messiânicas, carismáticas e populistas têm sido uma constante em nossa história. Desde políticos até líderes religiosos, que atraem multidões em seus nomes, constroem cultos à sua imagem e são canonizados como ídolos, santos ou mártires, quando não se tornam deuses. Seus seguidores, de maneira desenfreada, se entregam aos anseios de seu “deus/ídolo” e cometem atrocidades em seu nome. Com Paul Atreides, protagonista de Duna e autor da frase que abre este texto, não foi diferente. Seu caminho o elevou a uma figura quase divina, e seus servos fanáticos mataram bilhões em uma guerra santa em nome da família Atreides. Contudo, Paul não difere de muitos políticos ou líderes religiosos que encontramos no mundo real.
Do desejo de um paraíso erguido sobre os alicerces de uma revolução sangrenta, líderes carismáticos refletem nosso anseio interior por um salvador, um messias, algo ou alguém que nos resgate de nossa miserável condição humana e caída.
Os messias venerados ao longo da história edificaram seus paraísos com o sangue de seus fiéis e, principalmente, dos infiéis. Sua falsa justiça os conduz por um caminho de barbárie e autoritarismo, transformando pessoas comuns em fanáticos e tornando-se figuras divinas.
Recentemente, a Igreja Brasileira passou por um processo semelhante ao que foi descrito. Um homem desolado foi elevado à condição de Messias, alguém que se apresentava como fora dos padrões, falava de um cristianismo imaginário e conquistou a simpatia de lideranças religiosas brasileiras.
Esse “messias” percorreu um caminho de morte, rebelião e uma tentativa de golpe de Estado. Hoje, tornou-se um pária, ridicularizado internacionalmente, mas seus cultistas ainda o veneram. As raízes da idolatria e do messianismo deixaram uma ferida na Igreja Brasileira, uma ferida que está longe de ser curada. Com a possibilidade de um futuro Bolsonaro, muito mais religioso que seu antecessor, talvez o próximo “messias” da igreja no Brasil já esteja à porta, apenas esperando o momento de sentar a mesa. Quem será nosso próximo opressor/salvador? Até quando essa ferida continuará a exalar pus em nossos templos e infectando o corpo de Cristo.
Maldito e idólatra é o coração do homem, e malditos são os messias que forjamos à imagem de nossa própria idolatria!
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