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Exposição de Gabriel Bonfim revela o “M” de mulher

Fotos retratam mulheres que não deixam a sociedade ditar quem elas poderiam ser

Fernanda Unruh Xavier · 2018-11-04 16:40 · 0 claps · 2.7 min read
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Exposição de Gabriel Bonfim revela o “M” de mulher

Fotos retratam mulheres que não deixam a sociedade ditar quem elas poderiam ser

Por Matheus Zilio

Pauteira: Thais Porsch/Editora Fernanda Xavier

Fotografias da exposição “M” de mulher no Solar do Barão (Foto: Matheus Zilio)

Fotografias da exposição “M” de mulher no Solar do Barão (Foto: Matheus Zilio)

Mostra fotográfica “M” do fotógrafo Gabriel Bonfim, provoca o público com a intenção de fazer com que antes de um pré-julgamento infundado, ele se enxergue nas fotografias. O objetivo da exposição é retratar mulheres marginalizadas pela sociedade, que lutam pela sua identidade. Além das fotografias, os visitantes também passam por uma videoinstalação, a qual, todas brasileiras expostas nas fotos se apresentam.

O slogan da exposição, “Meu lugar na Sociedade”, representa a luta constante das mulheres em meio a uma sociedade que impõe a elas um posto de exclusão, objetificação e marginalização. Com fundamento neste tema, os retratos provocam quem está vendo as imagens a junto com as mulheres fotografadas, qual seria o lugar delas no mundo.

Cada retrato, apresenta ao seu lado um texto que explica o porque daquela mulher estar ali. Em nota para a Agência de notícias da prefeitura de Curitiba, Gabriel Bonfim explica seu objetivo principal: “busquei resgatar a história de luta de cada uma das minhas convidadas a partir de onde as fotografei. É como se ao retratá-las ali, nos mais belos e importantes locais no centro dessa sociedade, pudéssemos ressignificar aquele espaço e, assim, como protagonistas de suas histórias, elas retomariam o seu lugar na sociedade que as marginalizou”. Para ele o trabalho tem como objetivo trazer à tona um incômodo para que toque as pessoas e as leve a pensar.

Doutor e mestre em sociologia Lindomar Boneti, afirma que mesmo a mulher exercendo o mesmo cargo que o homem em empresas, por exemplo, ela ganha menos. E esse é um dos exemplos que as colocam como diferentes do homem. Ao ser intitulada dessa maneira, pouco importa se é pobre, rica ou negra, elas serão colocadas em estados de vulnerabilidade. “Fiz pesquisas com mulheres em condição de prisão e percebi que normalmente quem as levam para o tráfico de drogas, por exemplo, é o homem. Porém, a pena para o crime é maior para as mulheres. Não da para entender o porquê, mas todas as pesquisas apontam isso”. Para ele, a sociedade avançou bastante em reconhecer a luta feminina, e acrescenta que por meio de debates sobre o assunto, nas escolas, o quadro irá se transformar.

O estudante de cinema Stefano Lopes, diz que a exposição é muito interessante por retratar um tema polêmico nas imagens, e que quanto mais gente discutindo o assunto, mais visões artísticas, sociais e teóricas surgiram. Ele também aponta as técnicas usadas pelo fotógrafo: “as imagens são muito criativas, eu estava de longe e pensei que fossem telas de tv, mas quando me aproximei eram fotografias. Foi bem instigante”.

Segundo a Coordenadora do Museu da Fotografia, Alice Rodrigues, a exposição deve servir para as pessoas perceberem o que estão fazendo de errado, e se flagrarem. “Ao se enxergarem no outro, você se torna melhor a ele. E assim, melhor para si mesmo. Essa é toda a questão das exposições do Gabriel’’.

Alice diz que todos os retratos tem estampas de listras, que foram colocadas intencionalmente para compor as imagens. Ela explica que as zebras são identificadas por suas listras, que são únicas para cada uma. Portanto, a estampa representa que sem perder a identidade, essas mulheres superaram os rótulos impostos pela sociedade.

Curitiba foi a primeira cidade a receber a mostra. A exposição foi inaugurada no dia sete de março, e ficará até 10 de junho no Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, situada no Solar do Barão. As fotografias também estão expostas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Serviço:

Entrada gratuita

Local: Solar do Barão (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 — Centro)

Horário de visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h; sábado e domingo, das 12h às 18h

Telefone: (41) 3321–3260


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