Resenha A volta do parafuso, sem spoilers
A volta do parafuso é um livro publicado no fim do século XIX, traz uma história de terror onde temos uma preceptora; um tipo de…
Resenha A volta do parafuso, sem spoilers

A volta do parafuso é um livro publicado no fim do século XIX, traz uma história de terror onde temos uma preceptora; um tipo de professora/guardiã das crianças, a governanta da casa e as duas crianças que a preceptora irá cuidar, como protagonistas da história.
Caso você tenha já visto o livro ‘A outra volta do parafuso’ saiba que se trata do mesmo livro, porém, há duas traduções para o título. A volta do parafuso é uma expressão em inglês ‘The turn of the Screw’ que significa o que no Brasil chamamos de ‘A gota da água’, é quando algo acontece e você não aguenta mais, precisa agir em cima da situação.
Esse livro foi a base para os filmes de terror que trazem a temática com crianças que você acaba por desconfiar em algum momento.
Ele é em primeira pessoa, narrado pela preceptora, levando isso em consideração, temos apenas uma visão dos fatos, ou seja, temos uma narradora não confiável.
A história irá começar com um grupo de pessoas ao redor de uma lareira contando contos de terror na véspera de Natal; até que Douglas, uma das pessoas ali presentes, diz que ele sim tem uma boa história de terror para contar, isso cria uma grande expectativa, então, ele explica, que a antiga preceptora da irmã deixou um manuscrito com ele, onde é narrado os acontecimentos que ela presenciou, que não conta somente com uma criança, mas sim com duas! Após criar essa expectativa ele revela que os ouvintes teriam que ter paciência, pois ainda teria que pedir o documento para seu empregado enviar.
Nesse primeiro momento, o livro demora um pouco para engatar, mas após isso, já entramos na história em si, que será como se você estivesse lendo o manuscrito da preceptora, onde é contado que ela era muito jovem, filha de um pároco, que é um sacerdote da igreja católica, vinda de família simples e aparece a oportunidade de um emprego, em uma mansão no interior da Inglaterra, onde moram duas crianças orfãs, que apenas tem o tio como guardião, mas o mesmo, não quer saber das crianças, fala especificamente a preceptora que ela não deve mandar nenhuma carta para ele, dando total liberdade para que as decisões referente a seus sobrinhos sejam tomadas por ela. Ao ver seu empregador pela primeira vez, a preceptora acaba se apaixonando por ele, e aceita o trabalho.
Ao chegar na casa, ela conhece primeiro a Flora, a sobrinha mais nova, e se apaixona imediatamente por ela, dizendo que é uma criança linda, educada, delicada, basicamente um anjo. Até então, Miles, o irmão mais velho, estudava em um colégio interno, mas a preceptora recebe uma carta dizendo que não iriam mais aceitar o Miles como estudante, mas não explicitam o porquê, apenas informam que ele estava importunando as outras crianças; então, nenhuma carta é mandada ao tio, como indicado por ele e decide ela mesma o educá-lo.
Após esses acontecimentos, em um belo dia que ela está passeando pelo jardim, surge uma figura de um homem em uma das torres da casa. Então a preceptora busca a governanta, descreve o homem que ela viu, e pergunta qual criado era ele; a governanta a informa, que quem ela está descrevendo é um antigo criado do patrão que já faleceu.
A partir desse ponto, a história começa a ganhar um rumo mais voltado para o terror, e é ai que ela engata e você não consegue mais parar de ler. Apesar da sua tradução ser de uma linguagem do século XIX, se você já está habituado a leituras clássicas não haverá dificuldade.
O livro traz uma atmosfera de tensão psicológica, ao ler, eu me sentia presa a ele, imersa na história e o mínimo barulho feito ao meu redor era o suficiente para me assustar, levando em consideração a ambientação que o Henry James traz nessa história. A sensação de urgência da preceptora, ou até mesmo de agonia é perfeitamente criada conforme ela mesma narra o que se passou, chegando a ser repassado ao leitor.
Mas ele não deixa nada claro, é importante ler com uma atenção redobrada, há muitas entrelinhas, subtextos, interpretações, que te fazem pensar, isso está ocorrendo mesmo?
Tal como Dom Casmurro, não há nada no livro dizendo diretamente o que ocorreu, você terá elementos que te farão crer que realmente há fantasmas na mansão, e elementos que te farão afirmar que isso não passa de invenção da cabeça dela.
Esse livro irá colocar sua imaginação a todo vapor, criando teorias, tentando entender o que o Henry James queria repassar com essa história, traçando o que era real e o que era inventado.
Se você ama histórias de terror, essa não pode faltar na sua estante.
메타데이터
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- 2026-08-12 13:25:05