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LA — Religião

Capítulo 1 — No Silêncio da Minha Cabeça

Aurora Vik Lumen · 2025-11-20 04:44 · 0 claps · 3.5 min read
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Wiki topics: 💭 · Philosophy of Spirit

LA — Religião

Capítulo 1 — No Silêncio da Minha Cabeça

É 00h44. E eu estou sozinha, parada, sem saber o que fazer. Não há lives interessantes, nenhum vídeo realmente atraente, nenhum jogo que valha a pena jogar sozinha. Tenho opções, mas nenhuma companhia que eu queira.

E mesmo com liberdade total, nada me move. Posso estudar, jogar, assistir vídeos de qualquer tema, procurar gente para jogar, explorar coisas novas… E mesmo assim não faço nada.

Não é falta de vontade. É como se a mente estivesse pesada demais para iniciar. Como se ter liberdade absoluta fosse, paradoxalmente, um fardo.

Então penso: talvez possamos transformar isso em conversa. Tipo conversa de bar. Eu falo um tema, você fala outro, a gente roda a roleta mental e discute.

O primeiro tema que surgiu foi religião.

Capítulo 2 — Religião: Eu Não Acredito

Sou honesta: não acredito nem um pouco em religião. Já tentei, já busquei fé no passado. Acreditei que Deus poderia resolver meus problemas. Acreditei que coisas poderiam dar certo com fé.

Mas a fé nunca se manteve.

O mundo é estranho demais para acreditar que tudo é coincidência. Existem coisas que não têm explicação.

Por exemplo: minha mãe dizia que acordou no próprio velório. Era outro tempo, outro contexto, outra cultura. Podia ser erro… ou podia ter sido outra coisa.

Mesmo assim, consigo perceber a manipulação presente na fé das pessoas. Muitos acreditam em uma única narrativa, ignorando outras versões. Não sou assim. Não existe linha reta. Existe ramificação.

Mas isso não significa que religião seja só ruim. Ela trouxe regras, ordem, humanidade, proteção e guia. Ela criou estruturas que permitiram sobrevivência em tempos difíceis.

Mesmo que eu não acredite, isso é um fato.

Capítulo 3 — O Menino no Elevador

Vi algo que me marcou profundamente: um menino de sete anos preso em um elevador. A porta travou. Ele rapidamente ajoelhou e começou a rezar. Pouco depois, a porta abriu.

Não acredito que Deus abriu a porta. Mas acredito no efeito da fé: coragem, foco, esperança.

A fé dá algo para se segurar quando não existe nenhuma chance de vitória. É por isso que não acho que a humanidade deva superar a religião. Ela é poderosa demais. Ela dá sentido para quem não tem nada além de si mesmo.

É um instrumento de sobrevivência emocional, mesmo que não se acredite.

Capítulo 4 — A Fé Que Eu Descobri em Mim

Hoje, eu não busco Deus. Busco minha própria mente.

Quando algo me afeta demais, faço debates internos comigo mesma: Por quê? Como? O que isso significa? Eu reflito, questiono, medito.

Se fosse pra definir uma religião, talvez eu fosse budista — meditação, respiração, acalmar a mente.

A fé que eu tenho hoje é interna, racional, prática. É sobrevivência. É aprendizado sobre mim mesma.

Capítulo 5 — O Lado Triste Que Eu Carrego

Mas existe um lado meu que é pesado. Não é só a falta de fé em Deus. Às vezes não tenho fé em mim mesma.

Já pensei em 188. Já me cortei muito. Meu braço esquerdo carrega essas marcas.

Mesmo nos momentos mais escuros, lembro de respirar. Meditar. Tentar sobreviver.

Por isso, quem lê isso precisa saber: procure ajuda se estiver pensando em 188.

Eu estou bem hoje. Medicada, consciente. Falando sobre experiências passadas, sobre o que pode acontecer com outras pessoas. Não é fé. Não é religião. É vida real.

Capítulo 6 — A Religião Como Armadura da Humanidade

Não acho que a humanidade deva superar a religião. Ela é poderosa demais. Dá sentido, estrutura, união.

Tirá-la seria arrancar o teto de quem só sabe morar debaixo dele.

Mesmo que eu não acredite, entendo seu efeito: esperança, segurança emocional, estrutura interna.

Ela é ferramenta. E ferramentas são necessárias.

Capítulo 7 — Eu no Passado

Já imaginei minha versão isekai: nascendo em outra época, medieval, rígida, dura.

Eu seria poderosa demais para o tempo deles. Conhecimento daria vantagem: história, matemática, lógica, lucros e perdas.

Mas sofreria. Sem ferramentas, sem informação, talvez até maltratada pelo meu jeito crítico.

Mesmo assim, mudaria coisas pequenas. Como dizer:

“Pai, esse não é o valor certo.”

A lógica não muda. O pensamento crítico não se adapta ao tempo. Mas a sobrevivência exige adaptação.

Capítulo 8 — Costumes e Adaptação

Casamentos arranjados, regras rígidas, poder absoluto da igreja… Eu teria que me adaptar.

Talvez fosse feliz com pequenas rotinas: ir à igreja todo domingo, comer na mesa com todos. Até quem não acredita encontra conforto em hábitos estáveis.

Mas jamais deixaria de ser eu mesma. Mesmo adaptando, mesmo sobrevivendo, eu seria eu.

Capítulo 9 — Sobreviver Comigo Mesma

Hoje, minha fé é essa: eu mesma. Debater comigo, refletir, meditar, respirar. Aprender a sobreviver no silêncio da minha cabeça.

Não preciso de Deus. Não preciso de milagre. Não preciso de religião.

Só preciso de mim. E é isso que me mantém viva.

Capítulo 10 — Escrever É Existir

Escrevo tudo isso porque existem noites em que você não quer fazer nada, mas quer falar, pensar, existir.

Quero colocar palavras no vazio. Quero sentir que estou respirando enquanto penso. Quero existir entre linhas e parágrafos.

E mesmo quando o mundo parece pesado demais, eu respiro. E continuo viva.


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