← Back to list

Hiperstição -1《 água viva e quarto de despejo 》

aforismas para uma inversão da tendência ao real na #hiperstição

Fylokaoz ▒̞̝͋ͫ̓͡͞⟿👁 ̎̎̎̿̿̿̿̿̿̿̿̿̿̿̿̿̎̎̎̎ ̎̿̿̿̿̿̿̿ · 2026-01-07 23:39 · 1 claps · 33.2 min read
#literatura #filosofia #hiperstição #arte #aceleracionismo
Open on Medium ↗

Hiperstição -1《 água viva e quarto de despejo 》

aforismas para uma inversão da tendência ao real na #hiperstição

  • 1

prisão no simbólico. ninguém sai mais do realismo, o real dominou o código ficcional, até na ficção se imagina: vai virar realidade! porém o real foi-se para dentro dos poros do que não existe, nem nunca existirá, sem código.

  • 2

provocar

a #hiperstição na hiperstição

numa

inversão de direção.

ficcionar o que se experimenta real.

  • 3

.não supor da ficção

nenhum real tendencial.

ao contrário: fazer do Real uma tendência ao ficcional

-4

fazer da ficção um caminho sem volta.

-5

o real não deve ser um fim, uma meta.

porque sequer teria um nome de real.

sequer não é mais do que um nome “ real “.

-6

a ficção pode ser um meio de realizar algo sem real possível ainda

-7

no limiar a palavra até é pouca coisa para uma ficção máxima irreal.

-8

Isso também que não escreve, é uma ficção sem saida para fora.

-9

a literatura mesmo não aguentaria

ficcionar-se no desvio de si.

-10

agora, não mais nela, desrealiza o objeto virtual. Desvirtuado todo real material. isto que é sem palavras não escreveu ainda. da palavra escrever o afundamento de todo seu centro.

  • 11

uma ficção sem função ou suporte.

poema sem palavras tinge.

-12

imaginação sem realidade alguma fissura.

  • 13

a fração ficcional não é um quantum do real.

  • 14

afundamento da palavra, fim do realismo, início da Ficção espectral, performance com o fantasma.

  • 15

esse caminho em direção ao real imaginado será sempre um desvio ficcional de um caminho.

  • 16

a ficção infinita do social é a alucinação possível. é o que desfaz o imperativo do real.

  • 17

Imediatamente intensivamente nosso tempo perde sua contagem humana para escorrer através de uma fenda do corpo.

  • 18

sem perceber, qualquer voltar-se no meio de uma passagem imprevisível.

  • 19

do que ainda não terminou de acontecer.

  • 20

este retorno do simbólico realista

desta suposta imagem que já estilhaçou miragem sem duplo, miragem da miragem, espelho sem reflexo, sombra sem luz projetavel.

  • 21

uma ficção sem real, na inversão total dessa divisão de algo do outro lado de uma linha.

  • 22

curto circuito infra ficcional levado ao infinito.

Sobre Água Viva

de Clarice Lispector

Tudo está vivo e eu percebo e me atravessa

o

IT

Bebo

0

Só se escreve com uma máquina que nos separe dela percolando o que se separa com ela ( atravessando o que se separa ) — para que ela nos separe dela mesma. Escrever não é puramente humano. A palavra é mais animal ( maquínico ) do que um animal humano que escreve. O duplo de um outros sem um outro ou sem espelho. Ela já se modificou quando a escrita já nos modificou. Já nos desgrudamos de nós mesmos. A palavra não é divina. Existe porque profana-se do seu Deus que queremos introjetar nelas. As palavras são porque nos mastigam dentro de sua boca maquínica. Palavra, possessão maquínica.

1

Quem é que escreve ? A Clarice Lispector escrev…

Mas o que ela escreve é Ela ?

Clarice, você ainda existe ?

Como uma personagem fictícia sem nome pode supor que existe existir?

É uma imagem imaginação que escreve, tem carne e eletricidade, sentido para além do humano- espelho.

Um reflexo um espelho OU ESPELHO SEM IMAGEM de mil imagens ou outra cena ficcional

Um eu se parte e se separa em cada palavra escrita não é possível existir neste reflexo Espelho na relação imagem e vertigem, no som que é sem imagem, as palavras me escorregam para fora dela

É se separando que se descobre nascer

A personagem escreve LISPECTOR

É nascendo que a Clarice escreve

É por isso mesmo que ela escreve que nasce em cada improviso

2

O que tem de humano e não humano nessa escrita que só através da escrita é possível sentir ou perceber o’que eu sinto ou então da palavra que eu sinto e não tem palavra e faz o silêncio se densificar.

do que eu sinto e não tem palavras para o que eu sinto mas mesmo assim eu sinto

Essas palavras que não me pertencem também me faz sentir com elas

Talvez Como se sem as palavras eu não começasse a sentir e perceber o que eu sinto mas de repente elas começassem a sentir em determinado momento algo que elas absorvem

Os pequenos índices do signo humano se apagam no fluxo mas são sensações que nos faz sentir para além de nós mesmos.

Já somos sensações. Nossos nomes são sensações que as palavras ativam me faz perceber ativar o que eu não percebo assim perceber e ser em algo, perceber e tocar algo

O Que não tem corpo mas nasce da sensação diretamente. O que tem de sons, cores, ritmos. Sem ossos, nascE Sem memória nasce.

3

O primeiro instante da água viva é de uma alegria e de uma dor daquilo que se separa Se separa para viver o instante em sua travessia.

Diante do instante. Um nascimento. Uma aleluia. Um grito. Rasgando e comendo a própria placenta. Gato Dinossauro. Ela quer o plasma do tempo. Romper o medo do que será o próximo instante. Acabou de nascer e quer nascer continuamente mesmo que para isso tenha que morrer a cada instante.

O instante já não é um tempo que se conta dentro de uma ordem programada. Não existem números mas fluxos que ininterruptamente insurgem onde a forma quis se reduzir.

Cada palavra, cada frase, cada bloco se difere em uma matéria gráfica sonora que se transfigura em carne viva, grafia fraktalizado na torção de pensar as bifurcações do fluxo do pensamento em uma carne elétrica da linguagem, na bifurcação entre a sensação de estar vivo e o que se inscreve em uma superfície de disjunção que é nossa própria pele.

A pele viva. A água viva. Até poderia fazer matemática de tudo isso mas não é isso que deseja. Respiro em cada instante de uma ideia no tempo impossível de linearizar…

Alegria e o uivo da dor, o grito, a aleluia. Suspensão inscrita. Ela mesma se separa para nascer. Dor de se separar do que é e de quem era. Alegria da improvisação. Nascer na Alegria do instante. Não sem medo, mas aberta. Separada ela pode se tornar outra coisa, no IT. É o plasma. O instante já em tudo que ela usa e palavras para desnudar as palavras delas mesmas. Tudo que nomeia perde sua palavra fixar entre corpo e sensações.

4

Alegria, aleluia, um grito de medo. Se me separa do que era e de toda razão que impedia como imagem do meu corpo a cada instante pode se tornar o que? O que é O que é um instante que nasce de um instante que nasce de outros tantos que nascem de um instante infinitamente. Isso continua e independe de nós, independe dela que escreve para nós. Nunca é o mesmo instante. Que nasce de mil instantes sem ser o mesmo.

O próximo instante é feito por mim ou ele é feito sozinho ? Ou fazemos instantes de um tempo respiração com o ar e com a sensação?

Ela se coloca feito o toureiro diante do touro ? Iremos sobreviver ? E se o touro me matar?

O instante nos espera antes de acontecer. E quando acontece não nos espera mais.

Tudo se passa pelo rompimento do próprio medo de nascer, esse primeiro instante que nasce no simulacro da palavra inaudita de uma escrita antes das palavras.

Nascer e morrer na vida no meio de um tempo parido.

Como posso escrever antes que as palavras existam intocáveis mas do avesso em sua natura ?

Elas estão ali virtualmente nascidas, fora delas mesmas, fora de todos nós.

O instante que acontece sem se fixar na ordem de sua série se interliga em dois tempos entre mil possíveis de direções.

Já nasceram ? Ou estavam à espera de um corpo de pura vibração ? Elas só existem porque podem ser um instante de som ? De sol ? De ar ? De risco ? De traço? De eco?

5

LISPECTO escreve para nós como se fosse íntima em cada frase de nascimento que risca. É mais íntima do que sabemos do que é está tão próxima de nós. Parece mais íntima de nós do que nós mesmos somos de nós. É de perder a visão. É de se perder no que ela nos diz de fora como se fosse o mais interior em ilusão até eu e fora de um instante se interpenetrados no que se toca e percebe ao mesmo tempo. Não é uma realidade psicológica em seu fluxo desvelado que emerge no espelho humano das narrativas.

Sua escrita se faz pele onde eu e o mundo trocamos de lugar sem um mundo e sem um eu mais. É preciso viver através dessa pele agora. Ocupar os poros da pele sem eu, sem forma de fundo. Matéria intensa de mudança de cada segundo que é ritmo vivo. Não conhecer faz o toque. O toque toca a pele sem saber o que se toca. Morte e nascimento de perceber e esquecer. De não perceber ao não ser. Este risco desaparece disso e daquilo. O instante infinito de nascer e morrer continuamente.

Nós precisamos fazê-la nascer. Seu nascimento depende de nós. Nascer e esta nua na vida do próximo instante. Vc ? Vc existe? Vc me ouve ? Pegue na minha mão , me ajuda a nascer. Água Viva é um útero que estoura para ela nascer.

6

O instante-já pulsa no menor tempo de vida. quando já nasci outro instante não cabe no próprio tempo porque a sua modificação acontece antes dele ser algo.

]

É o instante e outro instante e outros instantes sucessivamente e as palavras que são criadas nesse encadeamento sem fim de um tempo que não cabe mais no tempo . É o registro no menor risco disjuntivo de um tempo que não cabe no tempo. O infinito como finito do menor instante cujas palavras são passageiras porém vivas. Palavras animal vivo de virtualidade que não temos como ver quando riscam. É de água viva. O instante já, o It.

É assim que desgruda do que era. Habitar onde eu morro e eu nasço sem diferença porque não sei mais o que era. Instantes infinitos em que as palavras podem desencadear o o suportável do insuportável se desprendendo de si mesmas. Sensações onde tempo escorre no fixo do que não é possível contar, medir.

O tempo avança, o tempo acaba e todo tipo de sensação me leva através das palavras que surgem no agora, agora já inominável. Está viva, repleta e saturada, cheia e vazia, tentando se apreender e desprender de mim para emergir na pele do it. Irredutível, it que quero.

7

Estamos diante desse instante, mas o instante não tenho sentido puro, não tem um significado. É agora antes e depois, contem todos os tempos onde se bifurca para fora de seu centro matemático espacial, por que ele é onde não não cabe em si. É tão curto e inesperado que transforma e transforma-se. Todas as palavras com suas imagens de tempos passados e futuros giram, circulam, se propagam, irradiam. Face a face com o instante desaparecendo. Onde é possível o sentido onde posso dizer tudo mas tudo é o que pressinto.

Nenhuma palavra basta porque é no ritmo em que as palavras emergem e submergem aparecem e desaparecem com as imagens, com as sensações dessa corporeidade fluxo de uma água viva em metamorfose no mar do cosmos.

Instante e o restante e outra, outra palavra palavra, que não descreve o que sinto apenas, já não é um eu no que escreve não é no eu penso mas no estranhamento tão comum desse fluir in comum que é tão íntimo que é quase imperceptível porém intensamente tocável, possível de ser escrito ? Escrito por ser impossível de total legibilidade. Fazer da palavra um rastro sem palavras no que elas não são.

O sentido e o significado não ocupam o que elas querem dizer exatamente, porém é precisamente isso que foge para fora porque não tem interioridade mais. É o que é a palavra, o IT. IT VIVO. DEUS INUMADO. PROFANO. O QUE É FEITO DE RISCO E AR VIRTUAL. Ela nos faz, nos forja, nos coloca dentro do IT, lá, o que está atrás do pensamento, antes, e depois. Não sabemos porque apenas continua. O que provoca provoca-se. Preencher e esvaziar. Respirar a Pele na pele no ar em suspensão antes de ventar.

Existe uma improvisação e um finito nesse instante em que a palavra nasceu comigo mesma e eu não sei o que ela dizia antes de novo instante. A palavra nascida vira devir de outra coisa. Devir devir. Devir de outra palavra de outra palavra de outra palavra. Não Há imagem que prenda a palavra, ela mesma não se prende a palavra. É feita de outra natureza que seu em si. É a palavra que se desgruda da palavra para outras terras para o,coração dela.

A literatura como a TERRA desse devir — palavra em que nenhuma palavra basta que nenhuma palavra precisa se fixar. levar a palavra a anáfora antes do seu risco e quando riscada já é sonoramente apagada. e o que resta?

Clarice coloca em ritmo esse pluri sentido da palavra com o que não é palavra porque se ela não serve para explicar ela serve para fazer sentir a transformação das palavras em outra coisa. por isso as palavras vão trazendo imagens de outros lugares, de outros tempos, porque não se fecham enquanto palavra de uma coisa mas é sensação e marca.

Tanto que foi totalmente esquecido de uma memória não mais possível de ser escrita — um rastro do rastro. ela leva a palavra então a essa concretude instantânea. uma palavra cabe em quantos segundos ?

cada palavra não cabe em menos de um segundo a palavra “é” a palavra “palavra” cabe em quantos segundos ?

em quantos segundos ela pode se multiplicar ?

A palavra seguida de palavra mas estas palavras não se remetem simplesmente ao que elas falam, não se fecham em uma explicação de si, elas se explicitam na água viva do sentido. A palavra é o próprio animal virtual que temos a impressão de domar ou de controlar, ou então colocamos rédeas ou a fechamos ou a enclausuramos. A Clarice, seu nome em palavra água viva consegue tirar a palavra dessa clausura de algo que a prendia, é a palavra que se desprende que fala. não é ela a autora. isso se comunica diretamente com nós, com quem lê, é a palavra que ela criou como animal virtual que não cessa de querer nos dizer que ela mesma não basta, que ela precisa de nós para nascer. por isso ela morre e nasce no mesmo instante. quer nos levar a um estado de nascença. nascedouros infinitos da água viva. Pois a água viva não morre ela vai se transformando em uma coisa e outra coisa, outra coisa, outra coisa. o instante já o desenho eletrônico sem passado e sem futuro. entao nao é o reino da palavra mas o instante das sensações que a palavra faz circular uma maneira de lidar com isso.

8

Esse fluxo de palavra viva esse estado de agua viva quer nos dizer que a palavra não está presa em si mesma e todo sentido que a prende diz respeito a prisão que fizeram dela a palavra sai de sua prisão linguística de sua prisão imagética rompe com a imagem que grudamos a ela e com sentidos ela se torna a própria máquina de se escapar de si mesma de tirar a palavra de ‘’ser” fazer ela rodopiar sobre as sensações que ela não sabe mais explicar não existe uma história não existe um enredo é o inconsciente de Clarice Lispector que atua ali já sem palavras para dizer. então as palavras estão como um estado de uma série de camadas que ela tenta — que ela nos faz atravessar — essas camadas da pele essas camadas do corpo essas camadas de imagem que surgem já penetradas de um multi-sentido são meios de velocidade meios de desterritorialização meios de navegação, meios de virtualidades, mídias de mídias. Seria preciso levar cada frase a sua lentidão máxima para fazer com que esse menor instante se dilate diante de nós. qual a lentidão máxima de cada palavra, de cada frase, de cada parágrafo. teríamos que transformar esse livro em frames, e esses frames se relacionarem em inter-pensamentos e começar a fraktalizar a propria ideia de cada instante que ele nos leva. mergulhar na imanência viva da filosofia de clarice lispector. ver literatura como filosofia não buscar referências filosóficas para explicar a literatura mas dar a cada instante já do seu pensamento um sentido imanente já explícito só através de uma imanência nos relacionamos com esta outra imanência dela. não é encadear ela em referências em objetos trazer conceitos de outros sistemas simplesmente, antes disso seria preciso entender a vida dessa água viva e entender eminentemente o que ela quer nos dizer, frase a frase, palavra a palavra. desacelerar essa sensação de tempo presente no fluxo da leitura e então dá o fluxo no seu instante já nos menores instantes dessa literatura e encadea-las no próprio fluxo do nosso pensamento. no instante já do nosso pensamento é preciso encadear nosso instante já com o instante já que ela quer nos mostrar, então é escrever

um livro junto. Estamos pele a pele, não basta escutar o que ela nos diz,

mas pensar simultaneamente o que ela está fazendo agora uma música

pintura criando um fluxo com o seu fluxo.

9

No limite, uma filosofia hiper-ficcional na interface de uma meta ficção não -filosófica em vírus para maximizar uma máquina Clarice filósofa. Não é separando ficção da filosofia. uma filosofia que seja antes de ser racional, meta ficcional e meta vital, libidinal. Que possa criar mundos com a imaginação e não somente com uma racionalidade operante técnica realística. Clarice nos puxa para o contrário dessa filosofia da pura racionalidade para uma filosofia da pura imaginação matérica que tira do contraste da palavra com a não linguagem a sua força poética e de pensamento é um pensamento que se desfez do pensamento como modelo de super razão. Há mistérios sem revelação. Implica o nosso corpo com a palavra e com o som e com o ritmo e implica esse instante que se abre e nao pode ser controlado por nenhum pensamento. o próprio pensamento no instante nos reduz ao pensamento em si mas se abre a outras sensações do pensamento para com ele para com o outro para com outras linguagens

10

É como se as palavras — não — como — fossem — como — as palavras viram realmente ar quando as escutamos — ela é feita de ar — nao de risco, feita de grãos, feita de it. as palavras são meios de velocidades mídias virtuais. essa matéria viva da virtualidade da palavra faz da palavra algo com temperatura com velocidade algo imatérico que nos toca como uma radiação como um contágio exatamente como um som ou como uma pintura que não é nem pintura e nem som mas palavra é estado de cor palavra é estado de ritmo palavra é estado de sensação é o incorpóreo da palavra sua matéria intocável que nos toca. será possível pegar as palavras? impossível mas elas estão vivas como uma água viva dentro da gente mergulhadas na página, mergulhadas no risco

11

O estado vivo da água viva das palavras me faz entrar, eu mesmo sem eu, em estado de agua viva, eu sou água viva, sou a literatura antes da literatura, hiper ficção, eu sou um it e escrevo para voce, não tenho existência humana, não tenho existência além deste instante que nasce e morre, instante vibrante, instante incapturável a qualquer signo, o que existe e se expande, e desaparece

e reaparece, num ciclo infinito de existência e não existência, e existência novamente. existência e morte. estado de nascença puro — um instante de pura vibração, qualquer palavra e definição precisa se desfazer no mesmo instante que acontece

Em outras palavras e outras imagens e outra sensações começam a entrar em jogo em direção ao exterior e ou interior do seu corpo e do nosso corpo

Contágio em ondas de abalos de anáforas

Nada está pronto, tudo é nascimento, instante do instante que já é outra coisa

Isso tudo nos atravessa e através disso quem é essa ilusão de eu dentro de uma forma de uma consciência que se prolonga em uma razão operante sem matéria mais

Não é anterior, mas posterior no anterior atravessado por essas dobras de agoras

não é presente a não ser em sua perenidade de já é

Um tempo sem tempo muito curto muito denso muito longo abrindo-se

O infinito sem número, contínuo de uma sensação finita no menor tempo possível dilatando grau a grau, sem significado e tradução humana.

O tempo escapa, se abre fora do tempo, o tempo acaba

Começa novamente

Ela capta o instante já que é ar antes do nome

O que pensar sendo a duração da vida em nós em cada frase deste instante já que é a vida total em sua abertura

O plasma o IT a Ostra a tartaruga a pintura o instante — na hora em que come a placenta da gata que acabou de parir, neste mesmo instante infinito finito, comendo essa placenta, ela se torna a própria gata que nasce com seus filhotes.

Quando a água viva nos fala o que não tem o que Sem o que não tem o que não é

Não é além da matéria inumada tão viva quanto nós que correlacionando eu e a coisa num elo cognitivo repetitivo cria uma Circulação infinda

Temos que nos transformar nessa água para ela não secar, não morrer, Viver a água, beber água, água a água, no toque desse instante de palavras em sensação em outro corpo que não é o nosso somente, se entrelaça IT que nasce no toque de palavra no inerte ficção, ficcional na pele, entre carne nervo e osso do sentido. NO osso duro do sentido.

No somos criados nesse fluxo contínuo real do que está numa página grafada de riscos e sons

12

Não cabe na memória Palavras se fixam no instante que se perde quando nascemos nesse tempo que se abre no qual ele acaba. existe um som. Não é um lendo lembro disso. É preciso urgente viver isto. São Interlúdios de passagens. O que não é palavra matéria dela mesma. Não tem objeto uma palavra objeto no reino da razão para ser lembrado e paralisar-me, não tem imagem sem ser maquinada no que se separa da palavra com o que se vê. O que é fora de mim me faz. impossível alcançar por completo. Não é a memória que lembra mas futuro que nasce. Sensação do nascimento e da morte. Instante que ultrapassa o contínuo da razão lógica e deixa marca, eco quase inaudível. Ele está entre dois instantes usando um instrumento que não sabemos tocar.

Clarice é o instante de uma palavra que não se forma totalmente. Imaginado que se experimenta antes de ser uma imagem ação. Rastro de não linguagem daquilo que não se formou ainda. O que se passou contínuo infinito de passagens nessas Mil imagens que surgem nessas passagens entre palavras incompletas no que elas despertam no corpo sem língua para usar. É o que emerge e submerge na pele tecida é desfeita enquanto sonhamos.

13

A sensação das coisas em sua permanência decompõe a temporalidade da coisa em nossa consciência para fazer do perceber a matéria de um devir — devir.

Mas qual é o IT do pensamento de Clarice ? Aquilo o que a palavra se remete ela marca em nossa pele. Palavra e não palavra. Entre a imagem e a não imagem no fluxo que absorve o que está na borda. Mas não é uma abstração psicológica de um inteiror. A sensação que mergulha em sua noite em sua dor em seu grito em sua manhã em seu plasma nascente alegria incotrolável viagem entre horizontes distantes e entrelaçados com o tremor de viver. IT!

O que é o IT ? É a viagem em que o pensamento se separa de sua designação de sua razão para ser uma sensação em tensão da palavra enquanto marca o corpo. Pensante pulsante da sua sensação de um mistério sem revelação.

Preservar o instante do incomunicável. Água viva de intensidade. Um pensamento que mostra sua intensidade no impensável mudando de matéria. Ela não quer o fim do mistério, não quer explicar, quer preservar o inconsciente do segredo envolvido na pele. Sons , ondas. Todo passado e todo futuro fugidio. O passado mais longínquo e o futuro mais próximo. Quase real. Corpor que envolve o envolvimento de um corpo que pariu e é parido. Corpo Que é não humano e humano. Que vai do olho gráfico aos animais e vegetais. Das flores dos desertos até África. Da palavra ao que não é palavra. uma extrema fragilidade de uma força exacerbante do que pode se apagar. Nada se define, tudo se diferencia. Não um sinônimo, mas o nome. Perenidade. Estar em Estado Vivo vivível permanece perene no duplo das sensações que o fluxo provoca. Mas de quem é o fluxo ?

Onde ela está agora se ela morreu ? Se ela continua no agora de um instante já? Desenho eletrônico sem passado ou futuro. Coração sem peito. Pulsação pulsão do IT.

14

Viver e nascer exigem uma improvisação, no vão entre um instante e outro- no transcorrer sucessivo de um ritmo — que nos faz passar

Estamos entre duas ideias que não se deram ainda

Entre duas palavras de velocidades em dissolução

Ar antes do vento

Ar vivo dentro da água viva que é um instante IT

o que è não é mais e existe antes ou depois

Dissolvidos na nossa sede

Se cria uma superfície disjuntiva feita de micro partículas se rebatendo em dois mil mundos simultaneamente

A pintura viva da cor a cor viva do corpo de órgãos instantâneo

15

Fluxo instante infinito de água viva de uma palavra imagens de uma sensação humana não é inerte a dor, não é separada do sagrado

Nada está no centro porque não existe centro

Tudo se transforma na borda de uma dobra que cria na borda outra borda

Linhas em fuga que permeiam o descontínuo como meio de passagem da terceira margem

Um ir e desaparecer um voltar e não retornar

Profanação sagrada

A dor do mundo está no âmago de sua libertação através da noite em um Deus goza do prazer de está vivo

A literaterra está viva no que transborda

Não é possível pegar nas mãos, não possível registrar no cérebro

É uma ultra vida ultra viva

Como se tudo fosse estranho a nós ao mesmo tempo

Mas é uma pluri natureza íntima dessa ficção em natura de mutidute

Estado livre das sensações que entrar em devir

Coisa viva, fluida água que queima

Palavras e não sentido em estouros

Não se retorna, ela dela em nós está viva aqui,

Não tem como guardar, repetir, é fonte viva esquecida e atual pelo corpo que vibra

Na dor e na Guerra, Leveza insuportável, tensa

Não é uma Clarividência de enigmas, não é clarear, mas uma maçã no escuro sendo mordida sem castigo, Sem culpa sem expulsão do paraíso

Comer a barata com sua casca anti nuclear,

A água viva nos envolve com seus tentáculos e jatos de substâncias em nossas veias Ela está nos fazendo atravessar o que não para de acontecer o que não para não se escrever um objeto gritantes ficção real da vida Ela não quer ordenar nada em razão de nada para assim não perder o vivo no vivo Não para de gerar-se em maquinismo entre intensidades singulares A plástica as palavras os sons em que a vida acontece As palavras e as ideias vão abrindo seus sentidos na medida em que elas se transformam Canto da vida que se desgruda de tudo que prendia a vida na imagem enclausurada

O corpo Bebe para matar a sede do que escrever é, vida que separa a peso do corpo que a Imagem suporta e faz do corpo água que bebe a si mesma A água tem sede de nós O espetáculo das micro percepções de um não objeto Quase objeto Objeto gritando A Alegria, a falta de um a — , o amo, o tremor, a vibração. Mão que toca a terra e o olho que olha o teto e o desabamento, Ela nos faz girar em uma multiplicidade rodopiante

16

Seria fácil reduzir seu devir a comparações de outros conceitos, teorias. Aproximando filósofos para explicar o que ela faz. É antes uma dissimilitude sua filosofia. Apenas Comparar seria esmagar sua imanência ela exatamente provoca a alteridade da ficção com a suposta realidade representada por modos de filosofar. É Filosofia porque é ficção, a mais imanente das filosofias em sua diferença radical de pensamento no limite de sua razão aparente com outras maneiras de fazer filosofia. Ela demonstra que o pensamento é ficção da imaginação porque o que está atrás do pensamento é o IT. A racionalidade é uma forma limitada quando usada para ordenar as coisas no fundo de um canto saturado de explicações. Saco de explicações. Gosma de significados. Cimentos de verdades. Pensar o impensável entre pensamento e não pensamento em motor contínuo, entre artes plásticas pintura e palavras, entre sentido e não sentido, entre o leitor e a escritura, o que é o que agora, quem é quem agora. Ao invés de uma fenomenologia do espírito onde se perde o vivo no vivo em cada instante tudo se transforma, sem negação, o menor instante se diferencia

17

Ela se aproxima, quase ,pressente, sente, submerge e recua, pausa. Esse eu fica insuportável. Alguns momentos ela diz que precisa parar não aguentando mais. Esse terror, esse esgotamento chega no mesmo momento que se vence o terror e o cansaço porque a vida acontece. Até que ela se encontra com o que acabou de se tornar na alta noite na boca do dia. E volta …Para que palavra e ideia se façam em uma lunação floração. Materialização. Na medida que as palavras se deslocam percebemos o rastro em coisa nova. Como pensar nesse instante já ? Como viver aquilo que é outra vida quando no meio já não é? Quais as sensações para as palavras que nomeiam dor e morte, nascer e sentir. ser e não ser!

É uma fome infinita por esse instante. Para perdemos a couraça que separa a vida de nós mesmos. Em movimento que se interrompe por ser uma disjunção contínua entre isso e aquilo.

É um canto de vida, uma alegria de respirar, um grito de poder se desgrudar do que prendia a vida em nós. O movimento expansivo que a água viva das palavras deflagra como a própria água que nosso corpo bebe para matar a sede. Escrever radicalmente a vida porque nos cria nos grãos das variações. Como eu transformo o sentido do,que eu sinto pelas palavras complementares que não param de jorrar das moléculas da vida.

O céu caiu ?

A racionalidade e a aceleração do capitalismo se relacionam diretamente quando ideia e repetição exaustiva do corpo se integram na doença de um desprazer imenso transformado em um “gozo” fatal de representação dessas estruturas idealizadas.

Gozamos da nossa morte na representação em uma repetição indiferencial de formas determinadas. Sair do correlacionismo com uma ideia, É possível ?

O que não é uma ideia ? Se a ideia é ainda uma forma de correlacionar tentando negar onde se está mergulhado , afogado, hiper humanizado ? Razão e aceleração do capital = fantasma reeal da necro política

Isso que não é correlação é uma ideia? Eu falo sobre isso ?

Mas o que isso me intensifica no corpo onde o cérebro não é órgão mais

O cérebro é um sexo que foi partido de seu corpo sem órgãos orgiastico?

O que pode um gozo pensar ?

Um gozo de multitudes virtuais das vísceras ?

Um gozo real, jorro, em que meu órgão, cérebro não é mais da ordem de uma consciência que se explica como se isso fosse aplacar a dor dessa representação acoplada ao grande horror dessa sociedade

Trata-se de um simulacro de simulacros…

Isso que parece realidade linguagem é imaginação, intensificamente vertigem de linguagem no limite onde nenhuma linguagem mais existe sem ser capturado em ciclos viciosos de humanos no abismo de sentido e violência

Ultrapassar uma velocidade absoluta através de uma lentidão impensável

Não ser, Não ser

Todas as micro percepções que se confundem com um devir imperceptível, Daí E eu preciso dizer, falar, pesar a sombra de Deus na linguagem de um alívio da dor julgada, ou a performance da fala, a torturada e coagida psiquicamente, Ou o cão-vencer cão-vencimento.

Existe um eco de dentro e de fora no limite do meu corpo com outros corpos !

No extremo tento provocar meu corpo sem órgãos onde os órgãos querem trabalhar trabalhar: como Escravos do ser na velocidade infinita do capital interiorizado na linguagem

Sonhei uma vez que estava pensando algo que não conseguia lembrar o que era exatamente

Ouvia várias palavras de longe, eram ondas de sensações, até de cores,

de espectros, irrealidades nos poros e telas

Que deixam marcas

Na pele

Na tela

Na frase

No que entra pelos ouvidos e boca

Parecia que eu estava tão distante de tudo isso ao ponto que me sentia tão próximo

que se dissolvia tb

no limite sem palavras

Sem órgãos

Água viva,

Somos água viva

Um kaoz não substâncias, éter, não Deus , não linguagem ,

somos a bebida, amor, drogas, política, polícia, medo, fome, osso, real, virtual, fluxo , corte, conexão, esgotamento, satisfação, imobilidade

Uma frase infinita em verso sem a voz humana como humana

Vazio ?

Oco ?

Corpo?

Morte ?

Sensação que não diz mas atravessa

Mas música, música do kaoz com danças de partículas nunca vistas, imprevisíveis, químicas , hápticas, lentas, rápidas, muito rápidas, muito lentas

A luz da velocidade da informação

Onde estou agora

Não existe Deus aqui

mas tudo tem o calor e o frio se convertendo um no outro.

Eu não sou outro também ?

Aquilo que não falo sobre mas se presentifica

A ficção fricção de uma imaginação fora de nós que não é religião, e é o que ?

Poesia ?

O acontecimento antes do mito e da linguagem, antes das palavras tentarem ordenar um horizonte detectável

Poesia antes das palavras,

Migrada, feito vírus, contágio, irradiação

Mídia, tesão conectivo, de fora,

para fora, solidão virtual e multitude atual

A velocidade de um tempo sem contagem, sem progressão, sem catástrofe ao final , sem paraíso ao final

A lentidão de um menor instante dilatado É muito rápida,

E A velocidade de uma destruição muito lenta

As pessoas passam forme,

São mortas, massacradas

Toda natureza impensável do que tudo é,

É Triturada na boca do capital

Nessa Devoração fome

Tranz-semiótica de um

Bestiário maquínico

Nós mastigamos ou somos mastigados

Comemos ?

Ou temos fome ? É um labirinto infinito, não tem saída, e não deve ter mesmo!

Precisamos abrir túneis colectivos subterrâneos

Não será um desenlace racional que diminuiu o labirinto com muros bloqueios

Atrair Animismo tecnologias e corpos !

Ainda pensamos que pensamos ?

Não pensou e não sou, essa hiper realidade é incrível

Imaginação louca essa

De está em não lugar me desfazendo das palavras

Abri os olhos dentro de um sonho que não lembro mais e estou dentro dele até hoje, não lembro quando começou, onde estou

É uma kosmica virtual cuja atualização é um instante entre duas palavras e duas imagens

Não sei mas o que vi ou pensei

Mas é tão real quanto é virtual

É um furo virtual no real, quanto mais virtual mais o vazamento real aumenta

Real, virtual, real, virtual, disvirtual, disvirtualizou, nos disvirtualizamos

Vamos explicar tudo de novo infinitamente ?

Mas que animal virtual é esse que nos olha sem olho, nos toca sem mãos ?

Eu mesmo ? Ainda eu mesmo ou outra coisa ? Sinto que não somos criaturas e nem criadores

Nada depende de mim totalmente

Porém o fora de mim e em mim q não sou eu nem as coisas co-existem

Impensar e pensar simultâneos em instantes já de corpos que não são apenas humanos

Mas maquinados por sensações que não são somente linguagens legíveis

a abertura é que Toda esta extrema virtualidade no intermezzo da consciência e do inconsciente nunca foi tão concreta

Enquanto pensamos, quando pensamos, já estamos

Nada disso espera por nós para começar

https://docs.google.com/document/d/1QyIOyZX87FHv3qKsUyHHBOrOwxm0Z-6RIXhOllPzo4E/edit

Quarto de Despejo, e

Carolina Maria de Jesus

A AFRYKA É O MUNDO

Um dia, outro dia, mais um dia. O que aconteceu ? O que vai acontecer ? Rua. Sol. Rio. ponto. Pessoas. Fome. dia. Lixo. Livro. Caminhar aninha. ponto. dia. Sol. Conta. Dinheiro. fome. fome. ponto. fome. vírgula. Sol . fome Esgotamento. Andando. vírgula. Fome. no quarto. Sol. Ponto. Sol. filha. filhos. fome. filhas. ponto. carne. osso. banha. cidade. ponto. ponto. palavra. palavras. ponto. fome. palavra. fome. fome. desperta. Jesus. escreve. em ritmo. de vida . dura seca. a palavra enterrada cresce. Jesus. Maria na vida. Maria Maria. Palavra. Carolina. a palavra no movimento do fluxo cotidiano. Acontecimentos na rede de personagens. miséria. violência. Personagens na rede de acontecimentos. Viver é escrever, escreverescrever e viver nas derivas , atravessar o tempo que me rouba o corpo. Ato de se mover o que a palavra não abarca e nem resolve. Rede de afetos. Amor é conflito. Desejo de sair dali. Pés que andam frases que escrevem filh*s favela rio papel catar ensacar trocar andar andar na rua carregar. escrita. Ter fome ter cansaço, não saber o que fazer, palavras fluidas de materiais para um dia vivido escreviver a ação. Fazer e Não saber o que fazer até achar uma solução. Carolina de Jesus é Macabeia ? Não conseguir se levantar

Jesus Maria. Carolina come Clarice pedaço por pedaço com pedaços de sentido. fome !

A carne poética serve para alimentar ?

Escrever e comer escrever não mata fome. Frase frase. Ritmos de frases na rede de o que vive. Nenhuma frase sobrevive no estômago. Sensação da fome entre uma frase e outra entre um acontecimento e outro entre uma.

Personagem e outra.

Escrever não poderia matar a fome real mas eu como as palavras que escrevo?

Fome de forma forma crua palavra aguda ela é o que é de cinza e Terra de matéria de osso e gordura

De Gaz Luz Água

A fome é amarela , bílis

Fome novamente a repetição é a fome sem diferença ela dorme escreve e acorda o sol o diários os filhos as caminhadas as pessoas da comunidade

O fluxo da criação do mito vivo no acontecimento trágico escrito pela poeta Maria

Está com filhos, sai, volta. O que fazer hoje para matar a fome.

?

com a barriga vazia

Escrever existir escreviver existe

Existo agora

Surrealismo concreto

Comer a água viva porque é comida a sede de água e comida

na fome aguda Come o tempo quando anda

Sem máquina de escrever Andar catar dentro de mim

Sem máquina de escrever fome a revolta sem irá mas tão forte quanto a força de andar ou escrever no meio do maior tormento

As palavras podem me levar para fora daqui ?

Escreviver contra a fome na matéria concreta do ato eu sou o ato

Escreve viva Guarda o que se inscrever como o maior tesouro do mundo

Comer raízes com Terra Soma conta na matemática do dia a dia objetos trocas vendas trajetos afetos Como se a memória tivesse a fome de escrever e se alimenta de palavras — de tudo que vive em cada pessoa cada deslocamento no jogo do acontecimento é vivo Ela e Seu texto é uma dramaturgia hipertextual e performativa te ato da vida

Maria inscreve os acontecimentos da comunidade em seu diário

Ela mesma personagem real atravessa um dia como um ciclo de passagem da casa para rua da rua para casa a escrita marca a conjunção de uma disjunção produzida pela violência social A vida intensa do que é escreviver

E sofrer a violência na máquina social

Na série de objetos, de coisas que preciso ,

Casa, sapatos, comida, água, roupa, cama, macarrão, arroz, pão, café, farofa, gordura, papel, lixo, barracão, chão, pés, pedras, rios, ferros, latas, livros. Um rádio. Um samba. Uma memória.

escrever! palavras! frases! escrever no miliar entre morrer e o traço.

Dias datas acontecimentos personagens crianças mulheres homens em uma comunidade na beira do rio Tietê Favela do Canindé.

Ela é uma andarilha que cata papel revira lixos escreve um diário da vida que seria quase irreal para nós, ela é mais real do foi escrito, e continua em quantas Marias de Jesus Carolina agora porque é a realidade que não para de se repetir dentro de uma sociedade racista, desigual, sexista, humana.

A agudeza da percepção de Maria é de um materialismo intensivo.

Vida, Escrita e Capitalismo. Ao final do dia e ao começo do Dia.

Ela dorme Acorda entre palavras

O Sol Vem Ela Anda A sua casa A cidade a comunidade O preço da comida O lixo O Círculo repetitivo As Crianças As Mulheres da comunidade!

Os homens Os Políticos Os Proprietários As Milícias A Polícia. O RACISMO!!

“ 15 de julho de 1955 “

É aniversário de sua filha Vera Eunice. Naquele dia Jesus Carolina Maria Pretendia comprar sapatos para a filha. Impossível. Sem dinheiro.

Lemos a agudeza de uma constatação direta sem metáforas: a desigualdade exposta sem representação. A dureza de um repique.

Expõe Diretamente como as coisas são reais e contabilizadas.

Existe um valor econômico de cada coisa que ela precisa para aquele dia.

A concretude de Cada dia que é um dia em que se precisa de algo naquele momento. É a Contingência. A Demanda. Real necessidade.

Do Esgotamento a força de cada dia sobrevive.

A comunidade é ao mesmo tempo uma rede de relações também de violências e de exploração.

Não existe idealização de quem de fora descreve.

Está escrito cruamente os acontecimentos e os instantes em que ela parece sair da tensão.

O livro de Carolina é escrito no fora do interior desses acontecimentos da comunidade meio ao capitalismo racista, afetos e destensão do corpo. Carolina escreve de dentro desejando sair, escapar daquele destino. Ela deseja sair dali. O livro Quarto de Despejo dentro de seu barracão é a passagem para sua saída da Favela do Canindé com seus filhos.

Os dias não cessam de vir e de repetir as diferenças singulares. O te ato se vive sem representações As Frases, as vírgulas, os pontos finais no fluxo do cotidiano. Um dia depois de outro dia. Dia vivido em cada coisa que se precisa.

O preço das coisas nos deixa escravo do custo de vida

Nada mais direto do que escrever o que ela escreve.

O preço da comida, do gênero alimentício, nos impede de realizar nossos desejos: Comprar um par sapatos para a filha

Porém ela acha no lixo os sapatos sujos, rasgados

lavou, remendou

Não tinha dinheiro algum para comprar pão

Lavou roupa para conseguir um dinheiro

Trocou com o Arnaldo os litros por pão

Deseja comprar uma máquina de moer carne, uma máquina de costura

Precisa comer, dar de comer para os filhos

Ela não usa máquina de escrever, escreve nos papéis que acha na rua

Cata papel e vende tudo que acha

“ atualmente” E sempre

Está atravessada pelos fluxos de objetos, de pessoas, de trocas, de comida, entre os filhos, as mercadorias, as necessidades, as contas, os restos, o sol, a palavra

O tempo abre-se em instante de descanso muito curto ela relaxa mas logo é solicitada

O filho José na rua

Um menino foi atropelado

Amigo de seu filho, poderia ser ele

Sente que está resfriada, com mau olhado

Precisa Cuidar das crianças

Toma um remédio

Dorme até que o astro rei desliza no espaço

A filha pede: Vai buscar água mamãe

Não tem pão

Come café com farinha

Jesus Sai para vender lenhas para seu Manoel

Sente seu corpo novamente

Vai catar coisas no lixo para vender

Esgotamento

O estômago é mudo e hipersensível. Ela Constata a repetição de seu dia a dia

Mas um dia, mais um sol, mais uma fome, tudo vai se somando no mesmo sem saída … a não ser a sobrevivência , escrever é a sub vivência

Precisa comprar pão sabão e leite para os filhos novamente

O dinheiro não dá… o que fazer ?

Andar, catar, lavar, trocar, pedir, e escrever

Escrever está entre isso como a própria carne entre Tantas necessidades

Não é um relato mas a coisa que se come sem metáfora, sem forma

Sente a vida pesada na engrenagem do precário

Se cansa, está exausta, seu corpo fala com ela, ela fala com a escrita, até ganhar força para sair novamente para catar papel, andar, achar , juntar, trocar

Tem vontade de se lançar naquela pintar

Vive do que se joga fora, dos resíduos dos brancos

Ela não tem como parar um segundo, “ o pobre não repousa “ escreve …não pode gozar

Vive na rua o dia todo , “ e estou sempre em falta “

Sapato, pão, sabão, máquinas de moer carne, radio, máquinas de costuras, ferros, latas, lenhas, sacos de papel, barraco, crianças, mulheres, histórias, vidas desesperadas violentadas

Esperava um certo alguém que não veio naquela noite

Comida , arroz e feijão, acorda, é mais dia sem descanso

Ossos — Gordura — doações

Ela Caminha daqui para lá de lá pra cá

Ela sente no interior de si seu corpo no mundo, ora nervosa, ora calma, quando lê, quando escreve, sempre no limite entre não saber como sobreviver com seus filhos e conseguir

Tensão constante entre seu corpo que urge reagir e o instante que escreve o que está acontecendo

Toda comunidade em seu receptáculo de memórias vive

“ Aqui é assim agente não gasta luz mas precisa pagar ”

“ a única coisa que não existe na favela é solidariedade ”

A porta da minha casa é teatro

Meus filhos são bode expiatório “

Vera e José João

“ Ganhei 2 quilos de arroz, dez quilos de feijão e 2 quilos de macarrão, fiquei feliz.“

“ fui receber o dinheiro do papel “

Frases acontecimentos. Micro Narrativas em uma passagem mas não dela uma personagem mas a passagem do próprio escrever meio ao fluxo acometimentos

Escrever ato entre atos entre fluxos

Carolina escreve dentro da vida diretamente dentro da vida

Do sufocamento da vida

Não é dor de viver

Mas a viva que respira nessa pressão da artéria social

As palavras não servem para mostrar o instante do infinito do fluxo

Mas para mostrar a pele

Cada instante duro seco de palavra palavra palavra corte ponto palavra frase

Palavra lata palavra sapato pagará número palavra conta conto palavra arroz palavra

Lata não falta nada a palavra ela se completa na secura de sua grafia de seu som apagado no risco palavra corte palavra lata

Arrancada do cotidiano tiradas da língua para ser colocada na realidade para ser mastigada cavada novamente arrancada tirada cantada dentro da realidade dentro do corpo a palavra mastigada tiradas da Terra como quem precisa comer Terra para a fome passar

Não tem existência a palavra, palavra inútil, sua vida curta até virar vida comida

Vivida no ácido social o estômago do capitalismo vomita a gula exploratória

Palavra coisa, palavra IT

Do corpo corpo não as mil imagens do corpo mas a pele do corpo à mostra na realidade a pele preta viva de quem escreve no real

IT A VIDA QUE É

ELA NÃO CAVA OUTRA REALIDADE

É o chão da coisa mesma

A escavação na superfície direta Os papéis que acha no lixo

As coisas que consegue trocar Palavras

Um dia e outro dia Forme Racismo Racismo FOME

A escavação é coisa mesma sem vestígio

Raízes estão para fora Ágoras mais violentos ainda

Agora da pele da fome e do racismo

O que é a palavra vivo a palavra que é O que é capaz de nos deixar vivo

Mesmo que não tenha ar ou comida A palavra que é ar e comida de formas

Que mata a fome sem comida e me faz respirar

Cai no sono , dorme , acorda , sente o sol, sente o sonho do sol que saiu dentro dela

Abre os olhos andando na rua em busca de coisas para trocar

De palavras para trocar

Não existe uma mística onde algo se sublima A palavra é a pele que brilha e veste

Ela mesma Sem incompletude O maior enigma é matar a fome

Pedaços de coisas de objetos em cada instante no seu valor como pedaços do dia

Isso, aquilo, Direto Sem sonho sem sagração Porque esse seu Deus já nos tentou matar

O mistério é conseguir escrever onde não tem como

Tudo parece calmo por um momento apesar da dureza porém cada dureza é pedaço de vontade

A escrita de Carolina é um escrita dentro da vida , é entre reais a experiência vivida entre a história e os personagens reais dentro da escrita HAITI

Sua literatura tem uma força inter social, o livro, o fato dela escrever cria tensões entre o relato e o futuro, entre a maioria e o futuro, entre o que fazer e o Fazer

Ela produz uma outra realidade dentro dessa realidade concreta, hiper realizar os acontecimentos vividos, hiperstição nua que nasce do real concreto que infiltra-se na ficção, fura a imaginação com a ferida social a pele reveste a imaginação

Racismo, Machismo, desigualdade, violência contra as crianças, violências contra mulheres pretas, segregação, injustiça, miséria e literatura crua, corte a corte, acontecimento a acontecimento, palavra a palavra, situação a situação, seu corpo levado ao gesto

Sua escrita produz uma maquinação dela mesma em sua diferença,

Ela existe com sua escrita e sua escrita vive com ela em cada momento das necessidades concretas da vida

Nascedouros de vivências, processual, força somada a força de resistência, até o testemunho da perda total das forças

O acontecimento gera todo o fluxo de sua escrita sendo a escrita o extra ser do acontecimento, a dobra do acontecimento, o som do acontecimento, o que muda tudo

que aconteceu no que se registra nessa inscrição

Escreve porque acontece quando se torna um espectro do acontecido

Um corpo de impressões, tela, porção de sensações. Que a atravessam não o fantasma, são Incorporações da memórias pArtidas pela dissolução da realidade social

Em mil histórias !

O indizível é vivido e mudado aquilo que parecia que não era possível, que não havia mais tempo, nem energia, precisa acontecer — caminhar, conseguir comida, conseguir descansar, conseguir se limpar…

Realidade esmagadora, intransponível que ela ultrapassa com sua máquina de literatura infiltrada na realidade

Não tem maior acontecimento do que não saber o que fazer, no limite do desespero do real incessante que a atinge

É preciso se mover. Buscar, fazer mover, ter, Porque é vida ou a perca total da força:

Conseguir escrever, matar a fome

Que surge entre ser atingida e se deslocar pelo fio de possibilidade, de reagir.

De cair de fome, de sono. Chorar com o cheiro de comida …

Que força tem seu corpo nessa tragédia de Viver.Fantasia do relato real cria seu corpo dentro dessa Guerra. Escreviver para ter uma porção de reflexo, de extensão, de intensidade do corpo sem o capital.

Ela se faz escritora não como uma imagem que se alcança para um status mas através da vida, força da ação, do ato. Matar a fome, sobreviver, perder as forças até o fundo do que emerge no paradoxo de desejar morrer e ter que viver, ter que fazer, ter que inscrever-se no grito sem voz de uma linguagem partida por sua constatação concreta do que o corpo urge ter

O que ela escreve muda a sua intensidade porque um limite é rasgado. O limite entre a angústia e o fim do Futuro. Ela sente que está viva apesar de tudo. A violência de uma vida roubada de sua potência por causa da extrema exclusão. Escrita e existência se entrelaçam na e-existência que atravessa o fim do mundo.

⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️⭕️

Carolina Maria de Jesus entre o Duplo de Lispector com Virginia, nas Ondas, olham através da rua, o rio, vestígios de sua escrita da fome e do abrigo revestidos naquele instante de um Quarto de Despejo, quando Água Viva respira o que escreve, abismo e Vida, no fluxo do dia a dia, suga a cidade, escorre pela fenda do corpo já desv’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’ linguagem

FYLOKAOZ


메타데이터
post_id
bb4d490a4cd5
slug
hiperstição-1-água-viva-e-quarto-de-despejo-bb4d490a4cd5
url
https://medium.com/@fylokaoz/hipersti%C3%A7%C3%A3o-1-%C3%A1gua-viva-e-quarto-de-despejo-bb4d490a4cd5
canonical_url
https://medium.com/@fylokaoz/hipersti%C3%A7%C3%A3o-1-%C3%A1gua-viva-e-quarto-de-despejo-bb4d490a4cd5
author_url
https://medium.com/@fylokaoz
status
ok
fetched_at
2026-06-09 15:37:30