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Gestão da carreira e vida pessoal no pós pandemia em um período de crises geopolíticas, econômicas e social

Mayra Kerexu · 2026-04-09 01:30 · 0 claps · 6.1 min read
#autoconhecimento-feminino #transição-de-carreira #carreira-profissional #carreira
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Gestão da carreira e vida pessoal no pós pandemia em um período de crises geopolíticas, econômicas e social

Eu poderia utilizar o subtítulo acima e escrever um conteúdo muito técnico com um estilo de escrita muito próxima a IA, mas decidi utilizar da minha criatividade.

Existe um texto meu anterior aqui no Medium que fala sobre Capital Cultural e, desta forma, quero através da escrita demonstrar esse conhecimento (e sem o uso dos travessões).

CARREIRA

Observei nos últimos anos (a partir de 2022), uma mudança na forma como o mercado de trabalho tem atuado. Na conjuntura anterior, eu fui beneficiada com diversos programas e mentorias de carreira. Participei de diversos programas de mentoria destinados a população negra e mulheres, sendo eles: Business Analyst (Nubank), Consultant Analyst (Bain & Company), que do qual o meu grupo venceu a competição de cases e mentorias do Se Candidate Mulher e Mulheres em Dados. Ambas as áreas eram complementares para vagas em Consultoria Estratégica.

Todavia, o meu conhecimento em hard skills nunca foram o meu forte. Sendo assim, eu tive muita dificuldade nesses programas mais técnicos devido as minhas lacunas de conhecimento.

Na época, me questionei sobre o formato da minha graduação. Realizei um curso de Ciências Econômicas em uma perspectiva mais desenvolvimentista. Devido a pandemia, eu não tive a oportunidade de estudar Econometria e outros softwares para análise de dados.

Decidi focar neste gap acadêmico comprando um curso de Análise de Dados, que do qual eu nunca estudei (e sigo perdendo oportunidades profissionais para Economista).

Após a pandemia, eu desaprendi a aprender. Tudo o que fui exposta foi referente as atividades do trabalho, mas não construí um conhecimento mais aprofundado em um determinado tema (porém não por falta de exposição).

Em meu primeiro período de transição de carreira (pós formada em Ciências Econômicas e empreendendo em um projeto social com o objetivo de promover a democratização ao acesso as práticas de Yoga nos espaços públicos da cidade), eu ingressei em uma big4 como Auxiliar de Controle e Gestão Júnior (que com o tempo passei a me auto-intitular como Assistente de Auditoria) e lá passei a usar mais o Excel.

Eu tinha contato com o Excel. Atualizava a minha planilha de despesas pessoais (porque precisava realizar projeções mensais referentes aos meus custos e recebimentos futuros do projeto), mas não era o suficiente para organizar dados e trazer informações estratégicas. Sendo assim, a EY foi a minha primeira escola da vida profissional. Mesmo ganhando um salário mínimo, fui agraciada por uma vaga 100% home office que me permitiu viver como nômade digital por 1 ano.

BENEFÍCIOS DO HOME OFFICE — NOMADISMO DIGITAL

Morei nas primeiras semanas, pós contratada pela EY, em Campos dos Goytacazes (cidade que do qual eu vivi por 7 anos e meio). Estudei em Campos, na Universidade Federal Fluminense, que do qual eu migrei do curso de Ciências Sociais para Ciências Econômicas. A decisão foi influenciada por aquilo que futuramente eu chamaria de análise de mercado.

Após, realizei a minha mudança para São Paulo, vendendo absolutamente todos os meus móveis, eletrodomésticos, utensílios, bike, skate, patins, livros e discos por R$ 3.000,00. Passei um mês morando no sofá da minha mãe.

Uma grande amiga me convidou para passar uma temporada na casa de praia de sua família, em Mongaguá. Vivemos juntas por 2 meses na baixa temporada, enquanto trabalhávamos, estudávamos e conciliava com as aulas de Yoga.

A partir desta temporada, decidi tomar uma decisão em que favoreceu a manutenção do meu lifestyle durante aquele ano: me mudei para a região dos lagos do Rio de Janeiro. Vivi no paraíso por quase 4 meses. Nadava com as tartarugas no horário do almoço ou pela manhã antes do trabalho, realizava corridas no pôr do sol, trilhas aos finais de semana e tudo isso enquanto estava em um programa de mentoria para a realização da ANPEC (prova para o ingresso no Mestrado de Economia, que do qual realizei duas inscrições e não consegui fazer a prova devido a mudanças de trabalho), mais mentorias para consultoria estratégica e permanecia com as aulas de yoga.

Devida a minha restrição orçamentária, decidi viver com a minha família, mas desta vez, a família do meu pai. Meus pais são separados e eu nunca tive a oportunidade de me aproximar devido a inúmeras razões.

Aproveitando o meu momento de nomadismo, me mudei para o litoral norte da Bahia, ainda na região metropolitana. Meu trabalho home office permanecia, enquanto eu fazia aulas de idiomas, permanecia com as práticas de yoga e buscava novas oportunidades profissionais. Na época, decidi encerrar o Projeto Yoga na Planície. Após compreendi o conceito do que significa um projeto e percebi que o fim deste ciclo fez todo o sentido. O motivo dessa viagem foi a busca pela conexão com a minha ancestralidade. Nadei nas águas quentes da Bahia e surfei as suas ondas desafiadoras. Em seguida, vivi uma temporada em Salvador. Lembro-me que dizia que estava na Bahia, para a Bahia me abençoar.

E a Bahia me abençoou: 1 ano depois estava ganhando um salário 11 vezes maior em São Paulo e me despedi do home office. Ingressei em um programa de estágio de diversidade e inclusão para contratação de Economistas Júniores negros na International Finance Corporation (World Bank Group).

A VIDA NO ESCRITÓRIO

O fim da vida praiana foi o meu primeiro luto. Tentei a todo custo encaixar a Kerexu na vida corporativa da Mayra Carvalho. Foram inúmeros conflitos internos, até entender que era preciso, de certa forma, abrir mão.

Tentei manter as rotinas do surf, tentei voltar a dar aulas de yoga porém compreendi que a vida antiga não cabia na nova vida (pelo menos em um primeiro momento). Aprendi que é importante manter o foco naquilo que estamos buscando nos aprimorar. Adoeci mentalmente porque levei muito a sério a necessidade dessa ruptura.

O meu cortisol foi nas alturas, fui diagnosticada com ansiedade e depressão e engordei 20kg em um período de três anos. A minha vitalidade ia embora a cada dia, enquanto focava em networking, desenvolver a língua inglesa, realizar cursos mandatórios do trabalho e me encontrar naquela vida que do qual eu me sentia tão desconectada com quem eu realmente era.

Ao mesmo tempo, tive a oportunidade de trabalhar com projetos de inclusão financeira de mulheres, capacitação para empreendedoras e habitação social para refugiados e imigrantes. Foi a minha primeira experiência trabalhando com impacto socioambiental na perspectiva do multilateralismo.

O DINHEIRO

Aproveitei essa oportunidade e fui viajar (é a minha essência). Sentia falta do nomadismo digital todos os dias e aguardava ansiosamente pela oportunidade de viver isso novamente. Depois de conhecer 10 estados e aproximadamente 300 municípios no Brasil, senti que fazia sentido viver uma experiência fora. Realizei o meu sonho em cursar um programa de intercâmbio (enquanto trabalhava remotamente para o banco), em Malta e visitei mais 8 países. Essa experiência mudou completamente a minha vida.

O FIM DA ERA CORPORATIVA

Após 1 ano e 11 meses, o meu terceiro contrato no banco chegou ao fim. Foi o meu segundo grande luto. Sabia que não receberia um valor tão próximo no mercado brasileiro devido ao meu nível de senioridade, porém ainda era necessário desenvolver mais conhecimentos técnicos para buscar oportunidades similares. Foi difícil, mas aprendi que seria necessário realizar um downgrade.

MUDANÇAS DE PARADIGMAS: MAIS CONEXÃO COM OS MEUS INTERESSES PESSOAIS E PROFISSIONAIS

A saída do banco me trouxe muitas reflexões e a principal delas foi a conexão com os meus reais interesses. Busquei, lá atrás na graduação, quais eram os assuntos que eu mais engajava (até porque carreira tem um “q” de autoconhecimento).

Economia Ecológica e Ecologia Política, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável, Mudanças Climáticas, Conflitos Socioambientais, População Vulnerabilizada, Capitalismo Verde entre tantos outros assuntos em interface com Economia e Sustentabilidade.

Na época da graduação, estudei sobre Mobilidade Urbana Sustentável, participei da Empresa Júnior, como membro do setor de Projetos e fui bolsista de extensão em um projeto de Desenvolvimento do Turismo Sustentável, resultando na minha coparticipação de um artigo acadêmico.

Após essa retrospectiva, decidi que faria sentido arriscar no terceiro setor.

A BREVE EXPERIÊNCIA NO MERCADO DE IMPACTO SOCIAL

Romantizei cegamente que atuar em uma organização social seria a solução de todos os meus problemas, até estar enganada. Empresa é empresa e todas elas possuem os seus próprios desafios.

O meu currículo foi muito elogiado e assumi uma posição de Analista Sênior em uma das maiores ONGs do Brasil. A posição favoreceu o desenvolvimento da minha autoconfiança, na qualidade das minhas entregas e no relacionamento interpessoal. Porém, tratando-se de terceiro setor, a organização não vivia em um bom momento e devido aos problemas estruturais e necessidade de mudanças, o meu setor foi descontinuado e fui desligada depois de 6 meses.

Em 17 empregos que eu já tive na vida, fui desligada apenas em 3 ocasiões.

Honestamente, me via como um peixe fora da água. Por mais que eu simpatizasse com temas sociais, a minha formação profissional estava totalmente atrelada ao corporativismo. Decidi recalcular a rota e assim, encontrar o meu caminho.

O AGORA

Estou apostando nas Finanças Sustentáveis como um caminho possível. A temática une a mesma interface que guiou os meus estudos acadêmicos, porém agora numa perspectiva mais quantitativa. Estou em busca de preencher esses gaps com um MBA (cursando realmente) e estudando inglês, enquanto realizo o meu freelancer como Analista de Inteligência de Mercado. A cada novo conteúdo, percebo o quanto preciso estudar. Honestamente, isso me apavora em certa medida, mas ainda assim confio nesta trajetória.

Em paralelo, vivemos uma crise mundial e tem sido difícil realizar tantas apostas no futuro, mas é importante compreender sobre aquilo que de fato está sob a nossa responsabilidade.


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