O Pequeno Príncipe
Vitória de Kimi Antonelli em Miami mostra o quão preparado ele está para lutar pelo título. Mas como foi o desempenho de todas as…
O Pequeno Príncipe
Vitória de Kimi Antonelli em Miami mostra o quão preparado ele está para lutar pelo título. Mas como foi o desempenho de todas as escuderias?

Kimi Antonelli comemorando o triunfo histórico em Miami. Por F1.
Os ajustes no regulamento técnico aplicados pela FIA ajudaram a melhorar o espetáculo nas ruas de Miami Gardens. As ultrapassagens parecem mais naturais, com mais controle dos pilotos. Os problemas em volta rápida diminuiram. E a ordem de forças continua em constante mudança.
Kimi Antonelli voltou a fazer história vencendo pela terceira vez consecutiva este ano. Além de 3 poles seguidas. O italiano da Mercedes, que era um adolescente até um dia desse, alcançou a marca de 100 pontos na liderança do campeonato e, no momento, também é o líder da Mercedes na categoria.
Mas a vida de Kimi e da Mercedes não foi nada fácil. Como havia sido previsto, as atualizações de McLaren e Red Bull foram decisivas e mostraram um bom desempenho, principalmente dos Papayas, que ameaçaram a hegemonia das Flechas de Prata. Confira como cada uma das escuderias se comportou na Flórida, cuja corrida começou às 14h devido à ameaças climáticas.
Mercedes:

Kimi e sua Mercedes-AMG W17 durante a classficação. Via F1.
O fim de semana de Kimi não começou dos melhores. Largando em P3 na sprint, ele perdeu posições na largada e foi apenas o sétimo depois de uma punição. Mas ele não desistiu. Depois de duas sessões complicadas, fez a pole para a corrida do domingo. Na largada voltou a perder posições para Lando Norris e Charles Leclerc, porém se beneficiou da estratégia ruim da Ferrari e assumiu a liderança de Norris na volta 28.
O britânico da McLaren até ameaçou retomar, contudo, Antonelli soube se segurar para cruzar a linha de chegada na frente mais uma vez. Do outro lado da garagem, George Russell teve um fim de semana mais complexo. O #63 chegou a frente do #12 na sprint. Na quali foi o quinto e encerrou o domingo em P4, aproveitando as falhas da Ferrari de Leclerc.
A Mercedes ainda é a força a ser batida na Fórmula 1, porém agora a vantagem é menor do que no início do campeonato. Para a sorte de Toto Wolff, Kimi mostrou que pode liderar o time e até quem sabe vencer o título, ainda que seja cedo demais para isso. Russell mesmo em um fim de semana ruim conseguiu boas posições. Então pode se dizer que estão em boas mãos.
Ferrari:

Charles Leclerc, provavelmente orando por um milagre. Via Scuderia Ferrari.
A Ferrari deu um passo a frente em Miami. O problema é que as rivais deram um maior. Charles Leclerc principalmente esteve durante os primeiros colocados durante as sessões. Liderou treino livre, foi ao pódio da sprint, largou em terceiro na corrida, até que tudo foi por água abaixo. Primeiro, a Scuderia chamou Leclerc cedo demais para a parada. Depois, ele teve que remar para voltar ao top-3. E aí morou o perigo.
Na volta 56 de 57, o monegasco foi alcançado por Oscar Piastri na grande reta. A asa macarena, que girava ao abrir, não abriu, e ajudou ele a perder posição para o australiano. Na última volta, Leclerc rodou sozinho e bateu contra o muro danificando os pneus. Tentava guiar o carro até o final, mas acabou cortando algumas curvas. Quase na linha de chegada, George Russell e Max Verstappen passaram Charles. E ele ainda foi punido em 20 segundos por sair da pista.
O fim de semana de Lewis Hamilton foi mais discreto, tanto na sprint quanto na quali. Na corrida, o heptacampeão protagonizou uma disputa contra Franco Colapinto que danificou o SF-26, fazendo-o perder até 3 décimos por volta. Um desastre que fechou em P6 e P8.
A Ferrari finalmente sentiu o abalo de ter um motor inferior às principais rivais. Cabe ao time italiano saber aproveitar os recursos do ADUO para ter uma Unidade mais potente daqui algumas etapas. Até lá, a tendência é ter paciência para ficar mais atrás.

Oscar Piastri e Lando Norris saindo dos carros em Miami. Por F1.
De certa forma, todas as equipes com motores Mercedes evoluíram, mas mais uma vez em Miami, a McLaren foi o grande destaque. Lando Norris venceu a corrida sprint com Oscar Piastri no segundo posto. E apesar de não terem batido Antonelli no domingo, o ritmo de Norris foi forte o bastante para colocar o italiano sob pressão.
A atual bicampeã parece finalmente ter entendido o funcionamento da Unidade de Potência AMG, além de um carro revisado que deu calor na equipe de fábrica. A forma especialmente de Lando parece relembrar corridas como Holanda 2024 e Grã-Bretanha 2025. O atual #1 sabe que conquistar mais um título será uma tarefa difícil, mas não está disposto a se entregar assim tão facilmente.
A equipe de Woking está animada e será uma oponente difícil daqui para frente. Abre o olho, Mercedes!
Red Bull Racing:

Charles Leclerc (Ferrari) e Max Verstappen (Red Bull) em Miami. Por Red Bull Racing.
A Red Bull teve que fazer uma dieta com seu RB22, e não é que deu certo? O desempenho tímido nas sessões sprint virou um problemão para os rivais nas sessões normais. Max Verstappen esteve na briga pela pole-position no sábado, perdeu, porém largou em P2. O domingo foi meio atípico. O holandês tentou atacar Kimi e acabou rodando em 360, perdendo algumas posições.
A partir daí, Max foi remando. Ele aproveitou o Safety Car, que entrou por causa das batidas de Isack Hadjar e Pierre Gasly, para trocar para pneus duros, indo até o final. O P5 no final não faz jus ao bom desempenho do #3, mas é uma posição ótima levando em conta a queda na primeira volta. Hadjar teve um dia difícil. O francês bateu na seção de curvas lentas do circuito. E a diferença para o holandês vai aumentando.
A Red Bull tem uma tendência de crescimento pela frente. Resta saber se Pierre Waché e compánhia saberão aproveitar isso. Incluive, mais atualizações para equilibrar o peso estão previstas.
Alpine:

Franco Colapinto com sua Alpine. Por Alpine F1 Team.
A Alpine é claramente a líder do pelotão intermediário, um passo enorme a frente, mostrando que acertar com a Mercedes valeu a pena. O time de Flavio Briatore esteve no top-10 em todas as sessões competitivas. Pierre Gasly conseguiu o último ponto na sprint e tinha tudo para pontuar também domingo, mas um enrosco com Liam Lawson na volta 7 fez com que o A526 do francês capotasse para o muro. Uma pena para ele.
Sem Gasly, coube à Franco Colapinto a tarefa de trazer pontos para Enstone, e o argentino não desperdiçou. Ele chegou a disputar roda-a-roda com Lewis Hamilton e fez uma corrida segura para finalizar em sétimo, marcando os primeiros pontos do ano. Parece que a visita de Lionel Messi fez muito bem para o #43. Se nenhuma tragédia ocorrer, não acharia surpresa se a Alpine mais cedo ou mais tarde terminar no pódio.
Williams:

Alexander Albon durante o FP1 em Miami. Por Atlassian Williams.
A Williams era a equipe Mercedes com mais dificuldades até agora, mas os ventos mudaram. O time de Grove vinha lá atrás com Alex Albon e Carlos Sainz, quando mostraram ter um bom ritmo durante as 57 voltas e souberam fugir dos acidentes para finalizarem em nono e décimo. Um alento à uma equipe que vinha sofrendo com alguns problemas de peso.
As atualizações funcionaram e agora a Williams demonstra que tem capacidade para aparecer na zona de pontos mais vezes. Albon e Sainz são ótimos pilotos. E junto com o chefe James Vowles podem trazer alegria ao tão sofrido torcedor azulino.
Audi:

Nico Hülkenberg com sua Audi R26. Via Audi F1 Team.
A Audi vive em um momento que você pensa se ainda é dificuldade inicial ou pura incompetência. Porque ver Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg na pista ao mesmo tempo foi um evento raríssimo. A equipe alemã enfrentou problemas durante todo o fim de semana e isso mais uma vez mitigou seu desempenho.
Gabriel e Hulk iniciariam a sprint próximos do top-10, mas a caminho do grid, o carro do alemão pegou fogo e ele não pôde participar. O brasileiro fez o possível e terminou em décimo, contudo, foi desclassificado pelos comissários pela pressão no motor estar acima do nível permitido.
Na classificação principal, Bortoleto só conseguiu dar uma volta no final do Q1, e teve que largar no fim do grid quando seu carro também começou a pegar fogo atrasando o Q2. Mais problemas na corrida. Nico teve um incidente na curva 1 e depois um problema técnico. Já Gabriel fez o possível mais uma vez, finalizando em P12.
Por que a Audi quase não consegue botar os dois carros na pista ao mesmo tempo? Apenas problemas de principiante? O caso é curioso. Mas que essa fábrica precisa de uma limpeza espiritual…
Racing Bulls:

Arvid Lindblad. Por Racing Bulls.
A Racing Bulls apareceu com uma pintura de frutas citricas para o evento na Flórida, mas não teve a mesma energia que elas. O time B dos energéticos veio com 6 atualizações e tanto Arvid Lindblad quanto Liam Lawson tinham a expectativa de pontos, o que não aconteceu. Em um fim de semana bastante desafiador, os dois carros não alcançaram o top-10.
Lindblad sequer conseguiu largar na corrida sprint. No domingo, o britânico alcançou apenas o P14. Lawson se envolveu em um acidente com Gasly que o levou a abandonar com danos. A equipe ainda ordenou que ele cedesse a posição para Verstappen mesmo depois do holandês acertar a lateral da VCARB03 e jogá-lo para fora em uma disputa quente na volta 1.
A Racing Bulls tem potencial, resta saber se será o suficiente para fazer frente às equipes Mercedes no segundo pelotão.
Haas:

Oliver Bearman (Haas). Via XPB Images.
A Haas passou também não pontuou em Miami, mas esteve mais próxima dos pontos do que a VCARB. Oliver Bearman andou na frente de Esteban Ocon todo o fim de semana estando em P13, P12 e P11. Um ótimo desempenho da joia da Ferrari. Levando em conta também que o time americano teve apenas uma mudança em relação ao Japão.
Ocon segue tendo dificuldades, porém agora mais próximo do companheiro. Cabe à Haas torcer para que a Ferrari evolua o motor, seguir trabalhando em melhorar mais o VF-26 e ficar longe de problemas.
Aston Martin:

Lance Stroll e Fernando Alonso o acompanhando. Via Aston Martin,
A situação da Aston Martin ainda é difícil, mas já foi pior. Fernando Alonso relatou que as vibrações do motor desapareceram completamente. Um alento. A equipe deixou um dos carros com a Honda após o GP em Suzuka e esse tempo de estudo da fabricante japonesa parece ter tido efeito.
A questão agora é seguir melhorando a confiabilidade do carro e do motor, com atualizações grandes previstas apenas para o verão europeu do meio do ano, conforme adiantou Alonso. Por enquanto, o bicampeão tem Stroll como único rival na pista, finalizando o domingo em P15 e P17. A meta é sobreviver.
Cadillac:

Sergio Pérez com o carro MAC-26. Por Cadillac F1 Team.
A Cadillac mostrou boa confiabilidade no fim de semana durante a primeira corrida em casa da equipe, sinal que as 9 atualizações tiveram algum efeito. Entretanto, o desempenho mais uma vez ficou distante do top-10. Sérgio Pérez terminou brigando com as Aston Martin em P16, enquanto Valtteri Bottas foi P18, o último carro na pista fora os abandonos.
Chamou atenção a discrepância entre os dois experientes companheiros: Pérez tomou 1 volta do líder, enquanto Bottas tomou 2. 1 volta trás do mexicano. No meio disso tudo, o finlandês também levou drive-through por cruzar o pit-lane mais de 9km/h acima da velocidade permitida. Atípico se tratando de quem é.
A Cadillac deve seguir tentando evoluir na categoria, mas o custo de iniciar uma operação do zero ainda deve reverberar por algum tempo.
메타데이터
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- 2026-06-09 15:37:30