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Ẹgbẹ́: Comunidade

“Ifá ní ká jọ wò ó; mo ní ká jọ wò ó; ohun tí a bá jọ wò gígún ní ńgún”

🦂Antídoto em palavras para te curar da dor. 🦂 · 2020-11-17 15:07 · 5 claps · 3.6 min read
#egbe-iwa-pele #oriṣá #ifa-orisa #ifa #candomblé
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Ẹgbẹ́: Comunidade

“Ifá ní ká jọ wò ó; mo ní ká jọ wò ó; ohun tí a bá jọ wò gígún ní ńgún”

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“Ifá diz que devemos cuidar juntos, eu digo que devemos nos cuidar juntos; tudo aquilo que nós cuidarmos juntos vai ser bem sucedido.”

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Durante a pandemia eu senti um vazio muito grande que a falta de aglomerações me trouxe. Basicamente a minha vida é aglomerar, é samba, é candomblé, é almoço de domingo, é eventos… e sem mais nem menos o mundo exigiu de mim e todos nós uma nova forma de se organizar e viver. Acontece que as maiores expressões de amor que eu conheço e vivo vem do coletivo, claro que eu sou devota fiel do autoamor e etc, mas são diferentes formas de amar e eu particularmente entendo que a minha experiência de felicidade vem desse mix de vivências individuais e coletivas. Pois bem… me vi sem meu samba, sem meus almoços de Domingo, sem meus encontros com amigos, sem meus Candomblés.

E então como sempre, fui atrás de alternativas para sanar meus vazios e junto com algumas pessoas que amo criamos um Ẹgbẹ́ virtual, um espaço de trocas onde falamos sobre nossas vivências, dificuldades, anseios, desejos, desconfortos e etc. Quando eu vi, eu tinha mais uma família. Quando eu percebi eu estava lado à lado com mulheres pretas e homens trocando e tentando me melhorar. Um verdadeiro Àjọ̀, celebração digital, porque era o que dava, era o que tinha. Do nada eu fui criando laços de carinho e intimidade com pessoas que estavam ali, mas não necessariamente eram do meu convívio direto, eram do convívio direto dos meus e a gente foi construindo uma relação coletiva.

Comecei a me perguntar qual o sentido da vida senão coletivo, porque ouvir as angústias deles me da angústia também e me faz querer cuidar com eles dos problemas deles. Dividir os meus problemas também me deu a sensação de estar mais leve e de saber que eu tô ombro a ombro com pessoas que me escolheram. Eu tentei por diversas vezes durante essa vida criar laços com pessoas que simplesmente não fizeram questão ou deixaram outras coisas passarem no meio [como eu brinco e sempre digo, meu pedido é para que Èṣù não passe no meio das minhas relações, porque não há harmonia certa pra relações que não cultuam Èṣù de forma coletiva, ele vai passar no meio e não se chegará a um ponto comum, o ponto comum será sempre a desavença]. Na minha vida já passaram muitas pessoas, com algumas eu construí laços que o tempo não consegue erodir, com outras ficaram apenas as memórias e com algumas hoje eu continuo tendo o desejo de edificar, construir e renovar pelo tempo que for possível e próspero para todas as partes.

Há uns dias eu vivi uma obrigação de uma irmã tão linda que parecia ser minha. Eu senti tudo como se fosse pra mim, eu fiz tudo como gostaria que fizessem por mim, eu desejei tudo o que gostaria que desejassem pra mim e ao mesmo tempo, eu senti o turbilhão que é sentir felicidade, alegria, emoção de forma coletiva. Sentir felicidade sozinha é maravilhoso, mas sentir em família parece que transcende a alma, potencializa. E assim foi. Agora faz sentido a lógica de preceito coletivo, porque é isso eu vivi junto, eu fiz junto, eu renovei junto.

Ainda com esse mix de sentimentos reverberando dentro de mim estou aqui refletindo e sentindo todas essas coisas, pedindo para que eu tenha sempre quem cuide comigo, não por mim, mas comigo. Que eu cultive o melhor nos outros para que eu possa ver germinar em mim as sementes do que eu plantar neles. Que os meus me escolham todos os dias junto com as minhas escolhas por mim mesma e por eles também. Quero olhar pro lado e continuar vendo que estou ombro à ombro com pessoas muito diferentes de mim mas que tem muito a agregar na minha vida, que me ensinam com suas experiências, suas estórias e particularidades. Que os olhos dos meus sobre mim seja de compreensão, admiração e respeito, assim como os meus sobre eles. Quero escolher quem me escolhe, quero edificar quem me edifica, quero construir com quem se dispõem a carregar bloco comigo, porque eu sei que sozinha eu faço, mas com pessoas em busca de um mesmo propósito eu faço muito melhor.

E isso, é, em essência a experiência do Candomblé. Se você tá vivendo qualquer coisa diferente disso, questione-se, porque Candomblé é vivência coletiva de resistência, e essa experiência se distancia bastante da lógica namastê/espiritualista/coach/caridade e afins, viu?

De quem você tem cuidado? Quem tem cuidado de você?

Ifá diz, cuidemos juntos, porque tudo aquilo que é cuidado junto, há de prosperar.

Ẹgbẹ́ mi dìde! Dìde o Ẹgbẹ́ mi!

Minha comunidade levante-se! Levante-se minha comunidade!


메타데이터
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