Ambiguidade
Eu adoro a ambiguidade da vida: a busca pelo nada, mesmo quando se tem tudo. O desejo pela mais podre das sensações, o vazio da alma. Este…
Ambiguidade

Coppia Ambigua by Paolo Avanzi
Eu adoro a ambiguidade da vida: a busca pelo nada, mesmo quando se tem tudo. O desejo pela mais podre das sensações, o vazio da alma. Este pode ser seu réquiem, seu final. Você quer uma sujeira. Quer!
Isso é horrível, embora ainda seja lindo. Mas, se você já tem tudo, como poderá conquistar algo a mais? E o que seria essa coisa fora do todo?
Talvez seja um peso na consciência, um remoto desejo de autopunição ou um delírio. Quem sabe?
Porém, se você tem tudo, por que se jogar aos vermes em um momento de delírio?
Talvez não seja um delírio, mas, sim, um desejo inato. E, sendo o sofrimento algo relativo, temos um problema então. Visto que estaríamos buscando pequenos trechos de tristeza numa jornada de felicidade. Ou o contrário?
E qual seria a sua verdadeira felicidade? Digo com relação àquela que preenche a alma por um longo período. Seja comprar um novo carro, formar uma família, uma promoção no trabalho ou, até mesmo, ser triste.
É! Por que não? Loucura seria negar qualquer possibilidade. Loucura seria negar a sua tristeza, já que ela existe.
Perdão! Talvez eu estivesse querendo falar da sua felicidade.
Me confundi nessa ambiguidade.
Já falei que adoro essa ambiguidade?
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