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O Baile de Máscaras

por V. Blake

Lunar Rabbit System · 2025-11-14 02:15 · 0 claps · 1.8 min read
#crônicas #análise #máscaras-sociais #sociedade #social-media
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O Baile de Máscaras

por V. Blake

https://pin.it/esLRhIlBv

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Tem um instante, quase ninguém percebe, em que todo mundo respira fundo antes de vestir a máscara. Já observei esse momento mais vezes do que gostaria de admitir. É um ajuste fino: o rosto neutro desliza até a curvatura calculada de um sorriso. Coreografia que ninguém ensaia em público, mas todo mundo conhece.

No salão — qualquer salão, todos se parecem quando o objetivo é ser visto — cada gesto carrega uma intenção embrulhada para presente. O toque leve no copo para parecer ocupado. A sobrancelha que sobe para simular interesse. A pausa antes da resposta, ensaiada para insinuar controle. Detalhes que quase ninguém nota. Eu noto. Eu sempre noto.

Pode ser arrogância minha achar que leio as pessoas. Talvez eu só seja o tipo de plateia que elas inconscientemente esperam. Algumas carregam máscaras tão pesadas que rangem, outras tão leves que voam com um sopro de vaidade. As mais perigosas são as transparentes — aquelas que fingem verdade com tanta convicção que quase convencem você a abandonar a sua.

Adoro quando alguém tenta me decifrar. O olhar demora um segundo a mais, mede minhas frases procurando uma fresta. Não entende que o mistério não é defesa. É a forma mais delicada de sinceridade. Sou honesta no que não digo.

As pessoas acham que se cobrem para se proteger. Eu desconfio do contrário: elas se cobrem para revelar aquilo que desejam ser. Não é teatro de mentiras. É teatro de intenções. Vitrine. Luz bem posta.

Uma vez vi uma mulher ajeitar o cabelo enquanto ria de algo que não achou engraçado. O movimento foi breve, cheio de autocrítica. Me deu vontade de aplaudir. Ali estava a verdade: não na gargalhada falsa, mas no medo de ser percebida rindo errado. Todos vivemos nesse fio — entre sermos vistos demais ou de menos.

No fim da noite, o perfume dos outros começa a desaparecer e o salão perde o brilho artificial. Cada um recolhe sua máscara como quem dobra uma roupa cara. Há um certo alívio no rosto real que aparece por segundos. E uma pequena tristeza. Rosto sincero nunca dura muito tempo.

Eu também tenho as minhas. Seria ingênuo fingir que não. Mas as uso como acessório: com consciência, intenção e um toque de arrogância estética. A diferença é que sei retirá-las quando estou sozinha, no campo de lírios que me espera. Lá não há plateia. A máscara simplesmente perde a graça.

Tenho medo é do dia em que alguém aprender a despir as minhas sem que eu perceba.


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